Alagoas pagou mais de R$ 3 bilhões a União em seis anos e a dívida só aumentou
   22 de maio de 2012   │     18:33  │  0

A preço de hoje – R$ 50 milhões mês – o atual governo já pagou a bagatela de R$ 3,2 bilhões ao governo federal. Desde que Téo Vilela assumiu, em janeiro de 2007, já se vão 64 meses com descontos de até 15% da receita líquida do Estado. Esse dinheiro deveria amortizar a dívida de Alagoas.

Mas como o Estado negociou mal no passado, a dívida com a União não retrocede. Ao contrário, hoje passa dos R$ 7 bilhões. Mesmo quem está na oposição reconhece que é preciso mudar essa lógica. O deputado federal Renan Filho, do PMDB, tem uma conta rápida na ponta da língua: “Alagoas devia R$ 6 bilhões, pagou R$ 3 bilhões e deve quase R$ 7 bilhões”.

O senador Renan Calheiros reconhece que a dívida como está é impagável. Ele já conseguiu alguns avanços com a equipe econômica do governo federal, como a troca do indexador para o IPCA e juros de 6%. “Mas esperamos avançar mais”, resume. Líder do PMDB no Senado, Renan já tratou da questão em vários momentos com a presidente Dilma Rousseff e diz que ela é “simpática” a uma solução que minimize os valores repassados mensalmente para a União.

O governador tem sido voz recorrente em defesa de uma solução. Até agora ele tinha trabalhado com certa discrição, buscando, ao que parece, convencer o governo federal nos encontros com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro Guido Mantega, da Fazenda

Na última sexta-feira, durante encontro do BNB e do BID, em Fortaleza,–  que contou com a participação, de outros governadores nordestinos e os presidentes do Banco do Nordeste, Jurandir Santiago; e do BID, Luis Alberto Moreno –  Teotonio Vilela Filho resolveu protestar. Isso mesmo: protestar!

O protesto oficial, no Twitter, foi confirmado por Vilela ao blog, por telefone: “quando eu disse que Alagoas está financiando empresas estrangeiras, o presidente do BID tomou um susto e me pediu os números. Ele achou um absurdo um estado pobre como Alagoas financiar grandes empresas estrangeiras no Brasil”, lembra o governador.

O que o governador quer é um alívio no pagamento mensal da dívida. Até porque ninguém de bom senso vai achar normal que um dos estados mais pobres do país tenha uma das maiores cargas financeiras por conta da dívida.

O Protesto de Téo Vilela no Twitter

O blog reproduz a postagem de Téo Vilela feita no Twitter no último dia 19:

BID e BNB abrem nova linha de financiamento para os estados nordestinos, mas AL não tem mais espaço fiscal para se beneficiar desse crédito.

Na reunião dos governadores do NE com o BNB e BID, eu protestei pelo fato da União cobrar juros de 7,5% de Alagoas.  Isso equivale a 15% da receita líquida do nosso Estado.

Por conta de uma dívida mal negociada com a União há 15 anos, Alagoas paga, desse débito, juros mensais de R$ 50 milhões.

Esses R$ 50 milhões fazem falta em investimentos à saúde, educação, segurança pública e políticas sociais em nosso Estado.

Os juros mensais pagos por AL são utilizados pela União para subsidiar empréstimos mais baratos a estrangeiros, o que considero injusto. Isso porque, enquanto Alagoas paga juros altíssimos, o BNDES empresta dinheiro a países com taxas bem menores de juros.

Desde que assumi o governo de Alagoas que venho trabalhando para reverter essa situação prejudicial ao Estado em todos os sentidos.