Perdas na safra de cana em Alagoas podem passar dos R$ 300 milhões
   20 de julho de 2012   │     13:13  │  0

Técnicos da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas e do Sindicato  das  Indústrias de Açúcar e Álcool no Estado de Alagoas concluíram essa semana um levantamento nos canaviais do estado.

Os resultados apontam para um cenário preocupante. A previsão mais otimista (e muito pouco provável, admitem empresários e técnicos do setor sucroalcooleiro), é a repetição da safra 2011/2012, que registrou produção de 27,7 milhões de toneladas de cana.

Num cenário pessimista (hoje o mais provável) a expectativa é de produção de 25 milhões de toneladas de cana.

Todos os empresários e líderes do setor com quem conversei (Givago Tenório, da Usina Triunfo, Klécio Santos, de Pindomarama e Lurenço Lopes, da Asplana) dizem o mesmo: se chover bem no verão (de setembro a dezembro), a safra pode se recuperar. Se não, as perdas pode chegar a 15%.

Um abalo na economia alagoana

Cada tonelada de cana produz, hoje entre 2 e 2,4 sacos de açúcar. Em junho, segundo o Cepea/Esalq o saco de açúcar cristal de 50 kg foi comercializado em Alagoas na média a R$ 64,47  em Alagoas.  Assim as perdas por cada tonelada que deixa de ser produzida vão variar de R$ 128 a R$ 154.

Faça as contas. Vamos admitir um faturamento médio de R$ 140 por tonelada, após o processamento dos produtos. As perdas, no caso de uma safra de 25 milhões de toneladas de cana, serão de 2,7 milhões de toneladas ou R$ 378 milhões.

Ou seja, mais de R$ 300 milhões devem deixar de circular na economia alagoana nos próximos 12 meses, a partir de agosto, quando a safra começa pela usina Santo Antonio, de São Luiz do Quitunde.

O impacto, claro, será muito maior nos municípios canavieiros. Mas todo o Estado vai sentir os efeitos da redução de safra, que é resultado a redução das chuvas no período entre janeiro e abril deste ano.

Grupo João Lyra, um agravante

O cenário traçado aqui não leva em consideração a situação do Grupo João Lyra, que pode ter – pelo menos é o que se espera – uma solução.  Mas se o desfecho for outro (existe o risco de que as três usinas do grupo não moam na próxima safra) o quadro será muito mais grave.

Somente na safra 2011/2012 o Grupo JL esmagou 2,52 milhões de Toneladas (639 mil na Laginha, 811 mil na Uruba, 1,076 milhão na Guaxuma).

Sem essas usinas em operação parte dessa cana (não se sabe quanto) ficará no campo e Alagoas poderá amargar prejuízos incalculáveis.

A Avaliação dos técnicos da CPRAA

O blog reproduz a seguir texto dos técnicos da CPRAAA feito para o Sindaçúcar-AL:

Ainda é muito cedo para fazer uma previsão mais precisa. Entretanto em um cenário otimista esperamos repetir os números da safra 2011/2012  na ordem de 27.7 milhões de toneladas de cana.

Para este cenário se confirmar, haverá necessidade da manutenção e regularidade das chuvas até o mês de setembro de 2012.

É de fundamental importância que durante o período de colheita ( outubro a março ) haja também precipitações pluviométricas regulares.

Dentro de um cenário pessimista poderá ocorrer uma redução na quantidade de cana processada na ordem de 10% o que equivale a uma safra na ordem de 25 milhões de toneladas.

Não houve um aumento significativo nos índices de precipitação pluviométrica, tivemos os meses de janeiro e fevereiro acima da média e os meses de março, abril, maio e junho abaixo da média histórica.

O ponto positivo é que a partir do dia 20 de maio até a presente data, vem ocorrendo uma melhor regularidade na distribuição de chuvas em toda a região canavieira do estado aliado as condições favoráveis de luminosidade, indispensáveis para o crescimento da cana.

A grande preocupação é que até o presente momento não ocorreu volume de chuva suficiente para suprir o lençol freático bem como as barragens existentes na região canavieira, imprescindíveis no fornecimento de água para a irrigação.

O florescimento poderá interferir  na produção de cana , desde que atinja altos níveis aliado a isoporização, que não é o caso deste ano.

Está ocorrendo um pouco de florescimento, porém de forma isolada em algumas regiões do estado, o que não influenciará na produção final.

 

Luiz Chaves Ximenes Filho – Assessor da Diretoria – CRPAAA

Cândido Carnaúba Mota – Engº Agrônomo – CRPAAA