Alagoas é o único estado produtor de cana do Brasil que não dá incentivos ao etanol
   30 de agosto de 2012   │     18:52  │  3

Casa de ferreiro, espeto de pau. Talvez porque seja conhecido como “usineiro” Téo Vilela não conseguiu avançar até agora – quase seis anos depois de começar seu governo – no incentivo à produção de cana-de-açúcar, etanol e açúcar em Alagoas

Do ponto de vista político a “resistência” do governo faz um certo sentido. Do ponto de vista econômico, não. Hoje Alagoas é o único estado produtor – note bem, único – que não tem política de incentivos para o etanol.

A última barreira ao biocombustível caiu hoje. O Estado do Rio de Janeiro acaba de reduzir o ICMS do etanol de 24% para 2%, através de decreto publicado no DO desta quinta-feira.

Qual a meta de Sérgio Cabral, o governador carioca? Aumentar em 10 anos a produção de 70 para 700 milhões de litros, tornando o estado autossuficiente em relação ao etanol.

Reabertura de antigas usinas, abertura de novas destilarias e combate a sonegação estão entre outros objetivos que o governo espera alcançar com a medida.

Alagoas que já produziu quase 1 bilhão de litros de etanol vê a produção do combustível definhar a cada ano. Na safra 2012/2013 que começa na próxima semana, a produção ficará abaixo dos 600 milhões de litros.

E o que os empresários do setor mais reclamam? Da alta carga tributária estadual. O ICMS do etanol em Alagoas está fixado em 27%, o mais alto do Brasil.

Por conta da carga tributária o litro de etanol que custa R$ 1,20 numa usina instalada na grande Maceió chega á custar o dobro desse valor para o consumidor num posto da capital.

Sem incentivo, o etanol perde competitividade e as usinas estão optando por fabricar cada vez mais açúcar. Isso porque, segundo o Sindaçúcar-AL fabricar etanol atualmente significa prejuízo para as empresas.

Os outros Estados produtores partiram na frente de Alagoas no incentivo ao etanol. São Paulo foi o primeiro, ao reduzir, de 25% para 12% o ICMS, mesma alíquota que é praticada na maioria dos estados produtores. No Nordeste todos os outros estados, a começar por Pernambuco, tem alíquotas inferiores a essa (por conta do uso do crédito tributário).

Enclausurado numa “ilha” tributária, Alagoas perde força no mercado nacional e, sem opção, tende a reduzir cada vez mais a fabricação do etanol.

O presidente do Sindaçúcar-Al, Pedro Robério Nogueira, diz que a entidade já encaminhou estudos alertando o governo de Alagoas para essa realidade. “Cabe ao governo avaliar essa situação. Se for interessante para o Estado a continuidade da produção de etanol, o governo vai precisar rever sua política fiscal, equalizando as taxas praticadas em Alagoas com a de outros Estados, principalmente os Estados produtores do Nordeste”, avalia.

COMENTÁRIOS
3

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. Guilherme Pessoa

    Alagoas é o único Estado que não divide sua riqueza com a população.Esse são os governos que nós temos e não merecemos

  2. Neto

    O problema é que esse governador é preguiçoso e nem discute nada. Parece que assumiu esse governo só para encher seu bolso e o povo que se dane. No mundo globalizado que vivemos, não há mais espaço para governantes medíocres. Eles têm que entender de tudo, trabalhar com dedicação para ter uma gestão eficiente, mas Alagoas está parada no tempo, aliás está regredindo a cada dia.

  3. Marcondes Franco

    Por essas razões é que as bombas de Etanol nos postos de Alagoas estão se tornando cada vez mais peças decorativas. com essa carga tributária nunca mais o Etanol terá preço competitivo frente à gasolina. E olhe que não se falou no FECOEP (Fundo de Combate a Pobreza) que aumenta em 2% nos preços de combustíveis.

Comments are closed.