No interior comércio do voto se moderniza: “pacote eleitoral” sai por mais de R$ 1 mil
   8 de setembro de 2012   │     17:43  │  1

Em Maceió o comércio do voto ainda está na moda “antiga” do cadastro eleitoral. Uma pessoa é escalada por um coordenador de campanha e vai preencher uma lista com 30 nomes de amigos e parentes. Na média o voto para vereador sair por R$ 50. Voto “casado”, com prefeito, sai por R$ 100. Mas tem gente pagando menos e mais. Portanto quem tiver interesse em vender o voto deve fazer uma pesquisa de mercado. Já pensou um “ladrão” enganando outro.

No interior, a história é outra. O comércio do voto ganha uma complexidade impressionante e vai além da tradicional troca de favores. Uma nova modalidade que começa está se consolidando nessas eleições: é o “pacote eleitoral”.

Como funciona? De maneira simples, mas eficaz: o eleitor chefe de família, normalmente a mãe ou o pai, avisa ao candidato: “para fechar aqui em casa é R$ 1 mil”. A pedida depende do tamanho da “casa”. Se tiver muitos filhos sai por mais.

É assim num município do agreste, próximo a Arapiraca: “aqui estão pendido de mil a dois mil revela um secretário municipal”.

Não é diferente em outra pequena cidade da mesma região: “eu estou visitando os eleitores, de casa em casa, de porta em porta. Em toda a casa que entrou, tem sempre alguém que me puxa num canto para propor um acerto”, revela uma candidata a prefeita.

Claro que esse tipo de comércio ganha mais força nas menores cidades. Quanto menor o município, mais o voto é valorizado.

Via de regra continua valendo  a tradicional troca de favores, o toma lá dá cá. Mas que ninguém pense que basta conseguir uma consulta ou ambulância para garantir o voto. Garantia de voto mesmo inclui emprego de um parente próximo ou um benefício financeiro, como o aluguel de casas para instalação de órgãos públicos, a prestação de serviços ou a compra de produtos.

Uma luz no fim do túnel

Diante desse quadro um tanto quanto estarrecedor resta o consolo de saber que ainda existe sim uma boa parte da população que não vende seu voto, nem sua consciência. O problema é que muitas dessas pessoas terminam votando em branco, nulo ou simplesmente não votando. Mas pelo menos a parcela que vota com consciência está aprendendo a votar melhor e, depois da eleição, a fiscalizar e cobrar a atuação de prefeitos, vereadores, deputados, senadores e governador.

A medida que essa parcela de gente que volta limpo aumenta, aumentam também as chances de elegermos candidatos que irão trabalhar em favor do povo.  Essa é a única esperança de virar esse jogo.

Sem algemas

A greve da Polícia Federal ajuda a estimular, ainda que indiretamente, o comércio do voto. Sem o trabalho da PF a impunidade nesse tipo de crime se transforma praticamente numa certeza.

O dinheiro finalmente começou a aparecer na campanha de Maceió. Se não é ainda o dinheiro ao vivo e a cores, pelo menos a promessa de compra e venda de votos já está sendo realizada na capital quase abertamente.

COMENTÁRIOS
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  1. abel

    Aonde está a POLÍCIA FEDERAL,que ainda não deu o ar das graças.Enquanto o povo vender o voto ,estamos lascados ,e me parece que a mudança de mentalidade deste povinho vai demorar mais uns 500 anos para endenter a importância de se votar pelas idéias e carater .

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