MPF trata maior exemplo de Justiça Social de Alagoas como “trabalho escravo”
   18 de outubro de 2012   │     19:07  │  0

Acabo de receber informação de que a Cooperativa Pindorama e o seu presidente, Klécio José dos Santos, foram absolvidos de acusação de exploração de “trabalho escravo” feita pelo Ministério Público Federal em Alagoas (leia postagem anterior a essa).

A informação sobre esse processo que tramita na Justiça Federal em Alagoas circulou na imprensa alagoana há cerca de um mês. No dia 17 de setembro a Ascom da PRAL mandou release para a imprensa sobre o pedido de condenação a oito anos de prisão contra Klécio.

Essa informação foi publicada em vários jornais e sites do Estado, em muitos nem sequer ouviu os diretores da cooperativa. À época, Klécio Santos distribui nota explicando o que aconteceu. O portal Gazetaweb foi um dos poucos que publicou as duas versões, como pode ser visto no link a seguir.

http://gazetaweb.globo.com/noticia.php?c=323130&e=6

Naquele momento tanto o MPF, quanto o advogado de Klécio, Thiago Pinheiro, já tinham participado de audiência na Justiça Federal e, através de provas, tinham sido demonstrado fartamente que a cooperativa nada tinha a ver com a acusação. Aquela altura era tida como certa a absolvição de Klécio Santos.

E mesmo assim a PRAL mandou o release para a imprensa. Eu pergunto, porque? É simples: os veículos de comunicação fazem parte da estratégia de advogados e promotores e podem ajudar a “convencer” os magistrados. Agora virou moda falar que os “tribunais escutam as vozes das ruas”.

Um modelo que orgulha Alagoas

Na Klécio Santos provou que nem ele nem Pindorama tem nada a ver com trabalho escravo. Na verdade o que houve, pelo que se pode apurar, foi que durante uma fiscalização do Ministério do Trabalho 224 trabalhadores rurais foram encontrados trabalhando num dos lotes dentro da área da cooperativa sem carteira assinada. E só.

Isso foi em 2007. A cana que estava sendo cortada por um cooperado – Pindorama tem 1,2 mil associados – se destinava a outra usina da região. Ou seja, o crime da cooperativa era o de dar liberdade para seus associados vendessem a cana para onde achassem melhor.

Por conta desse efeito colateral e temendo novos problemas na Justiça, Pindorama passou então a proibir o “desvio” de cana para outras indústrias. Explica isso em juízo, a cooperativa foi absolvida.

O que fica, então, é a história de Pindorama, que ao longo dos últimos 60 anos se transformou num modelo para o Brasil. Modelo de reforma agrária, de distribuição de renda, de justiça social e de desenvolvimento. Um modelo que vem sendo copiado por vários estados e que já rendeu a Klécio homenagens em todo o Brasil.

Esse fato ficará registrado na história da cooperativa certamente como um mal entendido ou um excesso da “lei”. Quem sabe depois disso, antes da próxima acusação fiscais, promotores, procuradores, juízes advogados etc etc etc não examinem melhor os fatos e evitem repetir processos que a exemplo desses só servem para confundir as pessoas menos informadas a tornar ainda mais lenta a nossa Justiça.