O avesso do avesso do avesso: Alagoas gera mais emprego que São Paulo?
   18 de outubro de 2012   │     4:19  │  1

Tem duas coisas que não mudam quando se fala em estatísticas do Caged (sistema que acompanha a evolução dos empregos com carteira assinada): em setembro Alagoas é o campeão do emprego, para ser apontado, em março, como o vilão do desemprego.

Porque isso se repete há tantos e tantos anos? Simples: é o efeito da sazonalidade da cana-de-açúcar. Em setembro as usinas contratam. Em março demitem. O setor sucroalcooleiro ainda é, de longe, o maior da nossa economia e gera durante a safra 100 mil empregos diretos, com as contratações e demissões de pelo menos metade do pessoal concentradas nesses dois meses.

Feitas essas explicações, vamos aos números do Caged, divulgados em texto da Agência Brasil, nesta quarta:

“Os números do Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apresentados nesta quarta-feira (17) pelo Ministério do Trabalho e Emprego demonstram um crescimento de 0,39% no estoque de empregos formais do País, com geração de 150.334 postos de trabalho com carteira no mês de setembro, mantendo a trajetória de expansão do emprego observada nos últimos anos.

Entre os estados, o destaque foi o estado do Alagoas (+27.572 postos ou +8,72%), a maior taxa de crescimento no mês, entre todas as UFs. A seguir vieram São Paulo (+26.339 postos ou +0,21%), Pernambuco (+18.890 postos ou +1,46%), Rio de Janeiro (+15.863 postos ou +0,43%) e Paraná (+9.559 postos ou +0,37%).

http://portal.mte.gov.br/imprensa/emprego-formal-gera-150-mil-postos-em-setembro.htm

Entendeu? Alagoas gerou mais empregos que São Paulo… Mas daqui a alguns meses essa história se inverte. Quer ver? Vai aí o trecho de outro matéria, da Agência Brasíl, divulgada em abril deste ano, fazendo o comparativo dos empregos em março deste ano:

O estado que registrou o maior número de empregos foi São Paulo, com 47.279 empregos, seguido de Minas Gerais, com 22.674 postos, e do Rio Grande do Sul, com 16.875 empregos. Das 27 unidades da federação, onze apresentaram saldos negativos – o maior foi no estado de Alagoas, com 21.032 empregos perdidos.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-04-16/criacao-de-empregos-diminui-258-em-marco-mostra-caged

Viu só? Na verdade o que existe é uma leitura distorcida dos números. Alagoas é o melhor e o pior, no emprego, apenas seis meses depois? Não. Isso se chama sazonalidade, um termo que traduz o caráter temporário de algumas atividades econômicas como agroindústria da cana-de-açúcar.

Talvez Caetano, em Sampa, explique um pouco melhor do que eu essa situação: “Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso”.

 

O emprego entra em ponto morto – ou será marcha ré? – em Alagoas

Para corrigir essa leitura dos números do Caged, o ideal é comparar a evolução do emprego no Estado no período de 12 meses. E, infelizmente, nessa comparação, as estatísticas não são favoráveis.

Primeiro, um motivo de preocupação: em setembro de 2011 a indústria de transformação (leia-se agroindústria da cana) em Alagoas gerou 30 mil empregos. Em setembro deste ano, 27 mil empregos.

Mas esse não é o pior dos nossos problemas. O setor que mais gerou, de fato, novos empregos no Estado, o da construção civil, está no vermelho. Há um ano, o saldo em 12 meses era positivo em mais de 8  mil empregos. Em setembro de 2012 a construção, fechou, nos últimos 12 meses, com saldo negativo de –852 empregos.

Nesse período a indústria de transformação também ficou no vermelho: – 6,7 mil empregos. A situação só não é pior porque comércio e serviços compensaram essas perdas, como você pode ver na tabela. Ressumo da ópera: em 12 meses Alagoas ficou no negativo, com a perda de -307 vagas.

Do ponto de vista das estatísticas é uma variação tão pequena (-0,09%) que pode ser considerada estabilidade. Mas quando falamos em geração de empregos qualquer redução, por menor que seja, é preocupante.

COMENTÁRIOS
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  1. Wyle

    Caro Edivaldo, foi uma excelente abordagem. O que impressiona (que na verdade já não impressiona mais, pois isso não é de hoje, é de sempre) é a dependência econômica da Cana no nosso querido estado, um estado tão pequeno ter mais empregos que São Paulo!!! é pra se ter pasmos. Destes 27.572, provavelmente mais de 20.000 são cortadores de cana. Pra variar, isso está sendo colocado como propaganda em larga escala pra ludibriar nosso povo. aiaiaiaiaiai ACORDA ALAGOAS.

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