Pernambuco “aluga” sertão de Alagoas ou como o leite deles é melhor que o nosso
   19 de outubro de 2012   │     4:49  │  1

A reportagem do Jornal Nacional desta quinta-feira a noite mostra a dura realidade vivida por pequenos produtores de leite de Pernambuco. Vítimas da seca, sem comida para o gado, eles viram a produção cair 80% e migraram para outros Estados. O novo destino, revelou a repórter Beatriz Castro, é Alagoas.

Segundo a reportagem 20 produtores arrendaram terras em Batalha e levaram mil animais para o local. Ficam por lá até a situação melhorar. O Jornal Nacional confirma assim informação que eu já havia antecipado no caderno Gazeta Rural e na coluna Mercado Alagoas, da Gazeta de Alagoas, recentemente.

Mas não é só em Batalha. Os pernambucanos também arrendaram terras em Jaramataia, Major Isidoro e Olho d’Água das Flores. São mais de 100 agricultores familiares e mais de dez mil animais. Não existem dados preciso, apenas estimativas feitas por técnicos que atuam na bacia leiteira de Alagoas, encravada na região do semiárido.

Até aí nada demais. É um negócio lícito. Mas essa “invasão” revela o quanto nossos produtores rurais estão fragilizados. As terras arrendadas eram, até alguns anos atrás, produtivas fazendas de leite. Eram. Em quase todas elas a atividade foi abandonada. Isso porque está desaparecendo, no sertão de Alagoas, a figura do “médio” produtor. Só está sobrevivendo o grande, que tem escala ou pequeno, que recebe incentivos do governo federal.

Sem assistência técnica e abandonados à própria sorte, crescimento que produziam entre 500 e 1 mil litros de leite dia estão sumindo, literalmente do mapa.

A outra grande fragilidade (atenção governador Teotonio Vilela Filho e secretário de Agricultura José Marinho) está na diferença de tratamento do agricultor familiar em Pernambuco e Alagoas. Lá o governador Eduardo Campos já aumentou, há três meses, o preço pago pelo leite do programa do leite, comprado dos pequenos produtores, para R$ 1 por litro. Em Alagoas a promessa é aumentar o preço do leite para 89 centavos. Promessa que deveria ter sido cumprida desde julho, mas até agora pelo que se sabe o produto continua com o preço antigo, de 76 centavos.

Entendeu?

É por isso que agricultores familiares de alagoanos penam para alimentar o gado na seca, enquanto os agricultores familiares de Pernambuco têm condições arrendar fazendas em Alagoas e passam a trabalhar numa condição bem melhor que os produtores alagoanos.

Dizer que os produtores alagoanos, especialmente os pequenos, estão abandonados à própria sorte seria um exagero. Mas um fato é inegável: pelo menos no setor leiteiro existem uma crise visível, com o fechamento de grandes fábricas (Camila), a ameaça de quebradeira de médias e pequenas indústrias que hoje estão nas mãos  de agiotas e  um visível o desmonte em toda a cadeia produtiva. A continuar assim não vai demorar muito para Alagoas se tornar um mero fornecedor de leite para as indústrias de Pernambuco. Depois não digam que não avisei.

A reportagem exibida no Jornal nacional e ontem você poder ler ou assistir no link a seguir:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/10/seca-no-nordeste-obriga-criadores-de-gado-deixar-pernambuco.html

COMENTÁRIOS
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  1. Carlos

    Bom alerta para nosso governo que investe na mentira!
    Tomara que a partir desse fato, algo seja feito para que retomemos ao patamar de antes.

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