Alagoas e os usineiros, uma relação de “amor e ódio” e a polêmica fiscal
   7 de dezembro de 2012   │     15:52  │  4

Chamar alguém de usineiro no palanque político era (ainda é?) xingamento em Alagoas. Senhores de engenho, coronéis, poderosos, eles – os donos de usinas – passaram a ser amados e odiados, a depender do momento.

Na hora gerar emprego, de ajudar uma entidade ou instituição, de apoiar um candidato ou participar de programas sociais, a usina e as vezes o usineiro são tratados com um certo “amor”              . No resto, é “ódio”.

Passado a parte, creio que devemos todos ser mais pragmáticos nesta questão. Alagoas tem um das melhores legislações do mundo (senão a melhor) na hora de incentivar novas indústrias que chegam ao estado, especialmente no setor da química e do plástico.

Mas para empresas já instaladas aqui a legislação é dura, em alguns momentos até retrograda e carregada de ranços históricos.

Nos últimos anos as usinas de Alagoas melhoraram e muito a atuação nas áreas ambiental e trabalhistas, além de aprofundar programas sociais. E não fizeram isso só porque “são boazinhas”. Foi uma imposição de mercado. Para vender açúcar no mundo, as empresas precisaram mudar de atitude e avançar no tempo.

Toda regra, claro, tem exceções. Uma usina, a Taquara, acaba de ser flagrada por manter trabalhadores em situação degradante. Talvez faça isso porque é uma das poucas que não exporta açúcar.

Mas o fato é que, amor e ódio a parte, é preciso sim aprofundar a discussão acerca da carga fiscal que pesa sobre o setor sucroalcooleiro. O Sindaçúcar-AL disse, em nota, que a carga que incide sobre as usinas do Estado é maior do Brasil e três vezes maior do que os concorrentes mais próximos – Pernambuco e Paraíba.

O etanol de Alagoas é um bom exemplo: pagamos 27% de ICMS. Em São Paulo é 12%, no Rio 2%. Na maioria dos estados produtores a alíquota varia de 12% a 18%. Em Pernambuco e na Paraíba, como existe o crédito presumido, o ICMS do açúcar para vendas no mercado interno fica em menos de 6%. Aqui é 17%.

A polêmica levantada pelo Sindifisco,que acusa o governo de Alagoas de abrir mão de receita para favorecer os “usineiros” deve (ou deveria) provocar uma boa discussão.

Afinal, enquanto algumas usinas do Estado estão fechando suas portas, deixando de investir ou transferindo suas atividades para outros estados, Alagoas oferece isenção total e completa, dá terrenos e ainda libera crédito a juros abaixo de mercado para novas empresas que queiram se instalar por aqui.

O que está em jogo nessa discussão são 24 usinas (no fim dos anos 80 eram mais de 30), mais de 100 mil empregos diretos e a principal atividade que movimenta a economia na zona canavieira do Estado, formada por mais de 40 cidades.

O governo de Alagoas e o alagoano precisa fazer sua escolha: entre o amor e o ódio, devemos buscar, com a razão, o que for melhor para o estado e seu povo.

COMENTÁRIOS
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  1. jefferson torres

    se o ICMS em AL é maior q o de outros estados com certeza é repassado para o consumidor, se o governo de isenção e baixar o ICMS o preço para o consumidor vai continuar o mesmo e a sobra do dinheiro vai para o bosso dos usineiro que já são podres de rico por conta de previlegios dados pelo governos e o povo que se exploda.
    Vale salientar q todas as usinas q quebrarão os usineiros continuam podes de rico (usina quebra usineiro não)

  2. Daniel Laurentino

    Vale salientar que os milhares de empregos ofertados são no decorrer da moagem que geralmente é de um período de 6 meses. Ficando na grande maioria os outros 6 meses na miséria e sem oportunidades. Você pode alegar que um cortador ganha mais de mil reais por mês, mas lembre que a vida laboral de um cortador de cana é diminuída por conta do carvão que vai para os pulmões e sem citar as outras doenças ou melhor, lembre, do movimento pendular que esses cortadores fazem indo para Mato Grosso deixando suas famílias ao profundo descaso em risco eminente a varias moléstias sociais. Com essa defesa ao sistema canavieiro acredito que você esta se candidatando a política!!!!
    A minha relação é de ódio contra o sistema que segrega e mata historicamente, parasitando e não deixando Alagoas crescer fazendo um Estado falido e sem oportunidades!!!

  3. Amigo do Povo

    12 famílias do setor sucro-alcooleiro de Alagoas representam 50 % do PIB do Estado !
    Negar a influencia das mesmas na condução das políticas estaduais seria muita ingenuidade.

  4. S.A. DE LIMA

    OS USINEIROS DE ALAGOAS JÁ MATARAM MUITOS TRABALHADORES DE FOME,E RETIRANDO DINHEIRO DA SEFAZ OU SONEGANDO IMPOSTOS.

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