“A Vida Pede Socorro”: as diferenças de tratamento da seca em PE e na PB
   23 de janeiro de 2013   │     15:08  │  1

Produtores de cana de Pernambuco e outros estados do Nordeste fizeram uma reunião hoje para avaliar as perdas provocadas pela seca na região canavieira nordestina.

De acordo com o levantamento da Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana), as perdas variam de 30% a 35% nos estados produtores – incluindo Alagoas.

Em Pernambuco os produtores de cana conseguiram um crédito presumido e pagam apenas 3% de ICMS. Já em Alagoas o ICMS é de 9% e o estado não dá o crédito presumido. O governo pernambucano também está ajudando os produtores a articular a subvenção da cana junto ao governo federal.

Os produtores de leite pernambucanos também tem contado com o apoio do estado. O governo de Pernambuco está mandando cana (e não bagaço) para ajudar na alimentação dos animais no sertão (a doação inclui o custo com transporte), além de socorre os produtores com água, crédito e um preço do leite maior do que o praticado em Alagoas para o programa do leite.

Na Paraíba, até a Assembleia Legislativa está envolvida no socorro aos agricultores que sofrem com a Seca (cadê os nossos deputados?). Na semana passada o SOS Seca reuniu autoridades paraibanas e produtores para discutir medidas emergenciais no combate a seca. http://www.jornalcana.com.br/noticia/Jornal-Cana/51536+Seca-reune-autoridades-em-busca-de-recursos-para-agricultores

O peso da cana e do leite

De acordo com Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida, a atividade canavieira precisa de atenção governamental urgente, “porque é um importante pilar de sustentação socioeconômica para o povo nordestino”. Ele lembra que o estado de São Paulo, mesmo sendo o maior produtor de cana do país, o setor sucroalcooleiro representa apenas 2% do PIB do estado, enquanto Alagoas e Pernambuco correspondem a 20% e 10% respectivamente.

No caso de Alagoas, a seca também afeta duramente a cadeia produtiva do leite, segundo agronegócio mais importante do estado, com a geração de 20mil empregos diretos.

Falta o governo de Alagoas e as entidades que representam o setor produtivo sentar e discutir um plano de recuperação. Primeiro é preciso fazer um levantamento real das perdas no setor canavieiro, no setor leiteiro e nos outros setores atingidos. Depois, será preciso fazer um programa de recuperação.

Quer um exemplo? No caso do leite, será preciso de uma solução emergencial para a produção de alimentos para os animais. Isso porque todos os campos de palma da região foram consumidos. Além de não existir raquetes (sementes) para o replantio das áreas, a palma plantada agora só vai produzir daqui a dois ou três anos.

No caso da cana será preciso crédito emergencial para a recuperação das soqueiras, além de recursos para os tratos culturais.

De quanto estamos falando? Ninguém sabe. Ou seja, se a Dilma Rousseff vier inaugurar o canal sertão não teremos nenhum projeto para apresentar a nossa presidente. Pode?

COMENTÁRIOS
1

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. Ricardo Ramalho

    O BNDES instituiu uma linha de crédito, em condições muito especiais para a renovação dos canaviais (PRORENOVA), no total de 4 bilhões de reais para operações a serem contratadas até o final do ano, com prazo para pagamento em até 72 meses, motivado pela necessidade de aumento da produtividade para produção de álcool e açúcar.

Comments are closed.