Mais de 20 anos depois o sonho de GB vira realidade: o sertão vai “virar mar”
   25 de janeiro de 2013   │     22:37  │  1

Como estudante, Geraldo Bulhões liderou em Santana do Ipanema, sua terra natal, um movimento para levar a energia da Chesf para sua região. O símbolo desta luta, na década de 1950, foi a rádio candeeiro.

Naquele tempo as cidades tinham  energia a motor e ficavam às escuras cedo da noite. O movimento deu certo, a cidade ganhou luz e Geraldo Bulhões ganhou fôlego, ingressando anos depois na política.

Foi deputado federal por cinco mandatos e fez história ao liderar, mesmo na ditadura militar, grupos de dissidentes no Congresso. Em Alagoas Geraldo Bulhões, que a essa altura já era altura já era conhecido como GB, pregou o voto “camarão” em 1982.

GB era do PDS e não votava no então candidato a governador do partido, Divaldo Suruagy. Como o voto, por imposição da ditadura, era vinculado, ele passou a defender o voto camarão: o eleitor “jogava a cabeça fora” e votava apenas nos candidatos proporcionais.

Em 1991 GB chegou ao governo de Alagoas. Sertanejo, ele chegou cheio de ideias para o sertão. Com a ajuda do ex-presidente Collor ele construiu a adutora Pão de Açúcar/Olho d’Água das Flores e a nova adutora do Agreste, além de iniciar o sistema Pratagy em Maceió.

Para tornar o sertão independente e acabar a indústria da seca, sua ideia foi construir o canal do sertão, um projeto de captação da água do rio Moxotó, que cortaria Alagoas por mais de 100 km, levando água por todo o sertão, até chegar em Palmeira dos Índios.

O projeto começou (ele chegou a deixar 26 km prontos), mas com a saída de Fernando Collor da presidência foi interrompido em 1993.

Anos depois o projeto do canal foi retomado por iniciativa dos senadores Téo Vilela e Renan Calheiros.

E neste sábado, depois de todo esse tempo, terá água pela primeira vez. O secretário de infraestrutura, Marcos Fireman, confirmou, por telefone, que todos os testes foram feitos e que a água será bombeada, em definitivo, a partir deste 26 de janeiro, justo do dia em que Aingiquinho, outro projeto revolucionário para o Nordeste, completa 100 anos.

Um século depois do pioneirismo da energia elétrica no Nordeste, a liberdade do sertão chega através da água.

Idealizador do projeto, GB avisa que vai lá e não quer nenhuma homenagem: “quero apenas ser testemunha dessa nova história”, me disse.

Sobre o canal, ele resume: “é uma ideia” e emenda: “não se pode governar sem ideias”.

COMENTÁRIOS
1

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. M Silva

    A historia não há de esquece-lo pelos relevantes serviços prestados ao estado. Mas também não foram só flores, tem alguns órgãos do estado, que sofrem com a interferência realizada no governo GB. A PM é um dos órgão, foi usada, como bem quiseram a época. Hoje esta na situação de penúria. Por fazer parte da instituição, e saber o mal que lhe causaram, não dou boas referências do governo deste “ilustre” político.

Comments are closed.