Manipulação? Para atingir PT e PMDB, revista Veja ataca cidade de Murici
   15 de abril de 2013   │     12:34  │  13

Na semana passada o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), encontrou o ex-presidente Lula. O objetivo foi o de consolidar a aliança PT-PMDB. Um dia depois a revista Veja saiu com reportagem de 6 páginas sobre Murici, cidade natal do senador.

“Agora, os ataques que antes tinham como alvo José Sarney e o Maranhão serão dirigidos à base de Renan; coisas da política”, diz reportagem do site Brasil247. “Pode até ser coincidência, mas, em se tratando de Veja, uma revista que faz mais política do que jornalismo, elas raramente acontecem”.

Será?

Para tirar minhas próprias conclusões li o texto da reportagem de Veja: “Parada no tempo: Murici, a cidade onde a família do senador Renan Calheiros se reveza no poder, é privilegiada em verbas federais, mas boa parte da população ainda vive na miséria”. http://edivaldojunior.blogsdagazetaweb.com/wp-content/uploads/sites/12/2013/04/Parada-no-temp1.pdf

Fiz uma pesquisa dos dados oficiais mais recentes disponíveis sobre Murici, começando pelo Produto Interno Bruto (PIB), que serve para medir as riquezas geradas. Os números do IBGE mostram que entre 2006 e 2010, o PIB de Murici cresceu 64% (de R$ 75,12 milhões para ara R$ 123,12 milhões). No mesmo período o PIB do Nordeste cresceu 63%, o PIB do Brasil cresceu 59%  e o PIB de Alagoas cresceu 56%.

Como uma cidade que cresce mais que seu estado, sua região e seu país está parada no tempo?

A Veja também acusa o prefeito da cidade, Remi Calheiros, de politicagem na distribuição de 2 mil casas construídas para vítimas da enchente de 2010, operação que estaria sendo investigada pelo MPF. Na verdade são 2,3 mil casas, construídas e distribuídas pelo governo do estado. A Investigação, feita pelo Ministério Público Estadual, abrange várias outras cidades – caso de Rio Largo e São José da Laje.

Distorcendo os números

Os outros dados são suspeitos ou manipulados. É o caso do índice de analfabetismo, de 30%. Muito alto, no entanto é o melhor da região Serrana dos Quilombos que tem cidades com até 42% de analfabetismo.

O texto também diz que “Com seus 1.200 funcionários, a prefeitura é o maior cabide de empregos de Murici. Quem não trabalha lá ou no pequeno comércio local depende do poder público — ou seja, da boa vontade dos Calheiros — para pôr comida na mesa”. É diferente da realidade 90% ou mais das cidades do Nordeste?

Mas, observem o que diz Boletim do Mercado de Trabalho do Ministério de Desenvolvimento Social: “Conforme dados do último Censo Demográfico o município em agosto de 2010 possuía 7.785 pessoas economicamente ativas onde 6.570 estavam ocupadas e 1.215 desocupadas. A taxa de participação ficou em 36,9% e a taxa de desocupação municipal foi de 15,6%. A distribuição das pessoas ocupadas por posição na ocupação mostra que 44,7% tinha carteira assinada, 34,7% não tinha carteira assinada, 11,8% atuam por conta própria e 0,0% empregadores. Servidores públicos representavam 3,3% do total ocupado e trabalhadores sem rendimentos e na produção para o próprio consumo representavam 5,5% dos ocupados”.

Consolidando a manipulação

Outro trecho do texto fala sobre verbas federais: “numa coisa Murici faz bonito: na obtenção de verbas federais. Desde 1996, mais de 39 milhões de reais foram aprovados por diversos ministérios para a cidade, em 114 convênios — para efeito de comparação, a vizinha União dos Palmares, que tem o dobro de habitantes, firmou 77”.

O valor está acima da média de cidades na mesma faixa de população, mas abaixo por exemplo de cidades menores que não foram comparadas, é o caso da quase visiznha Ibateguara (R$ 57 milhões), Barra de São Miguel (R$ 55 milhões) e Viçosa (R$ 40 milhões).

Porque Murici?

Não foi a primeira, nem será a última reportagem que veremos sobre Murici ou sobre Alagoas. Vez por outra vai aparecer por aqui um repórter para fazer um texto sob encomenda. Já vimos esse “filme” antes por aqui e também em estados como o Maranhão.

Para atingir políticos de expressão, os grandes veículos nacionais usam a mesma fórmula: mostrar fatos negativos ligados as origens desses políticos, criando assim um clima para desgastar sua imagem ou de atender interesses que geralmente não são revelados – a não ser entre quatro paredes.

Porque não Pindoba, Chã Preta, Paulo Jacinto, Palmeira dos Índios, cidades que tiveram perda de população nos últimos anos?

Porque ao que parece a revista não quer mostrar o drama nem o problema das cidades, o objetivo é outro.

 

Polo têxtil

Na última sexta-feira a Seplande realizou a doação de 149 máquinas de costura para o polo têxtil de Murici. O superintendente do Sebrae/AL, Marcos Vieira, declarou que essa iniciativa representava a caminhada para consolidação do Polo de Murici. “Polos como o de Murici estabelecem, massivamente, geração de emprego e riquezas”. O texto completo você pode ler no link a seguir.

http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticias/centro-da-moda-de-murici-recebe-maquinas-para-a-cadeia-produtiva-confeccoes-e-textil

COMENTÁRIOS
13

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. mano

    UMA COISA ME INTRIGA: PORQUE A BAUDUCO NÃO SE INSTALOU EM MURICI E FOI PARA RIO LARGO? PORQUE A FALTA DE INTERESSE EM UMA INDÚSTRIA DESSE PORTE, QUE PRIMEIRO FOI A MURICI E QUERIA APENAS UM TERRENO PLANO PARA CONSTRUIR SUA MEGA INDÚSTRIA? QUANTAS FAMÍLIAS NÃO PERDERAM A CHANCE DE TER SEU EMPREGO?

    É…., ME PERGUNTO.

  2. Edy Newton

    Essa sim: Só pode ser matéria paga.Dizer o contrário é negar o óbvio ululante. A revista publicou o que os alagoanos já sabem.

  3. patativa do sertão

    Murici sempre esteve em boas mãos, não é a toa que nas eleições o povo escolhe com sabedoria quem mas conhece de perto os problemas da cidade e do estado. Calheiros neles kkkkkkk

  4. Amigo do Povo

    Meu amigo, voce falar que 30 % e melhor do que 42 % ! Você está de brincadeira não ? Anafalbetismo ? E isto não é curral eleitoral ? A terra do presidente de Senado ?

    1. Victor

      Olha só, quando trabalhamos com dados quantitativos devemos ser extremamente precisos nos dados usados para gerar inferências. Estatísticamente, qualquer variação acima de 5% é considerada significativa (valor p0.05). E os demais dados quantitativos, não vao se referir a eles?

      Pra dizer que Muricy é curral eleitoral não é preciso mentir ou distorcer números. Concorda???

      1. amigo do povo

        Agradeço sua explicação sobre estatística, estudei sobre o assunto no 3 ano de Engenharia e conheço a teoria. O que quero dizer é que uma sociedade paupérrima com 30 % de analfabetos é e sempre será um curral eleitoral. Todos são “DOTOR” . È o absurdo dos absurdos existir uma cidade com 30 % de analfabetos, vocês acham normal ? Pior ainda é comparar com 43 %. Não é caso de estatística, Pergunto então para vocÊs dos numerous e do IBGE : Quanto era o analfabetismo quando Renan assumiu sua posição de Deputado Federal ou Senador e qual foi a evolução ? Nada tenho contra o Senador, mas ele deveria se posicionar fortemente contra este dado, e vergonhoso.

    1. Victor

      Olhe os dados quantitativos citados pelo autor do blog e veja se eles estão corretos. Caso tenha dúvida, usa o google e veja o que é um dado quantitativo.

  5. Luiz Paulo sodré

    Realmente,é uma injustiça,com os Calheiros,eles são tão bonzinhos,principalmente,o Olavo,pobre rapaz,que enriqueceu trabalhando,igual a seu inocente irmão Renan,que o Brasil Inteiro,reverencia,como um homem de bem,acho que você está certo e o Brasil,está errado.

    1. Victor

      Injustiça ou não, a revista como veículo de comunicação deve ser fiel aos dados. A não ser é claro, Sodré, que vc ache normal a manipulação e a mentira. E pra criticaerr nem precisava mentir.

  6. Pedro Jr.

    Caro Edivaldo,
    Não tive a oportunidade de ler a matéria da revista veja. Estou longe de ser fã da mesma, e temo pela não imparcialidade e interesse político envolvidos. No entanto, no que se refere a repasse de verbas federais, é fato que o peso político ainda está acima das reais necessidades municipais na hora da tomada de decisão. Outro ponto importante é que não se pode medir a boa administração apenas pelo valor total repassado pela união (influência política), mas sim pelo efetivo cumprimento do objeto pactuado. E isso está longe de ser realidade deste e de outros municípios não só daqui de Alagoas. Se a revista veja “tem seus interesses”, não sei (aparentemente sim), no entanto, vejo que você também não está prezando pela verdade.

Comments are closed.