As sequelas da seca: chuva ajuda, mas não resolve
   17 de abril de 2013   │     19:14  │  0

A maior seca dos últimos 50 anos vai continuar causando estragos por muito tempo. Mesmo depois que voltar a chover, o setor produtivo continuará enfrentando problemas para retomar os patamares anteriores.

Em Alagoas dois setores enfrentarão as maiores dificuldades: o do leite e o canavieiro.

As perdas na produção de cana dos fornecedores (fora usinas) passam dos 30% em Alagoas, o que representa mais de 2 milhões de toneladas. Do ponto de vista econômico é uma perda de mais de R$ 160 milhões. Do ponto de vista agronômico, é incalculável.

“Muitos produtores perderam a socaria e não tem mais condições de replantar a área”, avalia Lourenço Lopes, presidente da Asplana. Se tiver ajuda do governo federal, ele calcula que a produção poderá ser retomada em dois ou três anos. “Para a próxima safra não há mais o que fazer, mesmo se voltar a chover. A chuva vai ajudar, mas não vai resolver a situação”, reforça Lopes.

No setor leiteiro a situação não é diferente. A perda do rebanho leiteiro passa, hoje, dos 30%. “Uma parte morreu de fome mesmo e a outra foi mais cedo para o abate”, explica Domício Silva, presidente da Associação dos Criadores de Alagoas.

Mas não será possível comprar simplesmente 60 mil vacas e colocar nas fazendas. Hoje, o produtor não tem sequer como manter o que restou: “a primeira tarefa será produzir comida para as vacas. O plantio  e a produção de palma demora pelo menos uns dois anos. Somente depois disso é que podemos pensar na recomposição do rebanho”, avalia Silva

Em Pernambuco

A situação no Estado vizinho não é diferente. O texto a seguir foi publicado no site da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (enviado para o blog pelo leitor Fagner Moreira).

As chuvas previstas para a Zona da Mata de Pernambuco devem começar a cair até a próxima semana e o período deve ser regularizado em maio, junho e julho. A notícia é boa, mas para o setor sucroalcooleiro ainda não é motivo suficiente para comemorar, já que os resultados da safra passada não foram nada agradáveis. Só os fornecedores de menor porte tiveram perdas de 30% no volume de produção. Caso o inverno começasse hoje, já se calcula uma redução de 20% para a safra 2013/2014, que ainda está longe de terminar, segundo o presidente da Unida, Alexandre Andrade. “Tivemos uma mortalidade de socaria que eu nunca vi em toda minha vida”, afirmou.

Essa mortalidade significa dizer que será necessário mais investimentos para replantar os canaviais. O problema é: como investir mais, se os prejuízos dos fornecedores chegaram a R$ 18 por cada tonelada de cana? Por isso, Andrade está em Brasília conversando com ministros e membros do Congresso Nacional para tentar articular, o quanto antes, a liberação da subvenção, que precisa ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff em até 20 dias. Nesta semana, o governador Eduardo Campos deve receber os fornecedores para dar retorno sobre os encaminhamentos que já foram apresentados.