Usinas de AL registram maior prejuízo da história: R$ 600 milhões
   3 de maio de 2013   │     7:31  │  2

O setor sucroalcooleiro de Alagoas está divulgando hoje os resultados consolidados da safra de cana-de-açúcar 12/13. As perdas na produção agrícola passam dos 14% e a moagem, que no ciclo anterior chegou a 27,70 milhões de toneladas caiu para 23,79 milhões de toneladas.

A redução de 3,9 milhões de toneladas de cana por si só já seria um desastre. O pior é que além da quebra de safra por conta da seca, as usinas também enfrentaram problemas de mercado. O preço do etanol está “congelado” há oito anos por conta da paridade com a gasolina, enquanto o preço do açúcar caiu mais de 30%.

“Em função desses dois fatores as indústrias deixaram de faturar pelo menos R$ 600 milhões”, estima o presidente do Sindaçúcar-AL, entidade que representa as usinas, Pedro Robério Nogueira.

Em volume financeiro esse é o maior prejuízo da história do setor. Diferente da atual, as secas anteriores eram marcadas pela alta de preços em decorrência da queda na oferta dos produtos.  “Lamentavelmente essa seca coincidiu com a crise internacional”, aponta Pedro Robério.

Em nota o sindicato informa:

“Penalizado pela seca que castigou a região canavieira do Estado, o setor sucroenergético alagoano anunciou um prejuízo financeiro, no faturamento da safra 12/13, superior a R$ 600 milhões.

A moagem foi finalizada, na primeira quinzena de abril, com o beneficiamento de 23,7 milhões de toneladas de cana. A redução, em comparação com a safra 11/12, quando o Estado produziu 27,7 milhões de toneladas, foi superior a 14%.

Segundo relatório final repassado pelas usinas, foram produzidos 2,2 milhões de toneladas de açúcar e 543 milhões de litros de etanol. Em comparação a safra anterior foi registrada uma variação negativa de, respectivamente, 4,9% e de 19,2%.

 “A quebra de safra provocada pela seca gerou um prejuízo financeiro expressivo na receita total do setor. A chuva que começou a cair em Alagoas chega com muito atraso. Ela gera esperanças para o futuro, mas não resolve as perdas ocorridas na safra 12/13”, declarou o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira.

Impacto na economia

Esse cenário é preocupante e pode afetar toda a economia do estado. A cana-de-açúcar continua sendo a principal atividade do setor sucroalcooleiro de Alagoas, responsável por mais de 100 mil empregos diretos e por quase 20% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado. Sem condições de investimento para recuperação dos canaviais, sem acesso á crédito e descapitalizadas, indústrias e fornecedores voltam suas esperanças para o governo federal.

Duas leis já aprovadas no Congresso Nacional podem trazer o socorro esperado pelo setor. Os fornecedores de cana esperam que a presidente Dilma Rousseff sancione a subvenção para fornecedores de cana, no valor de R$ 10 por tonelada de cana produzida na safra 11/12, no limite de até 10 mil toneladas por cada produtor.

O setor sucroalcooleiro do Nordeste também torce para que a presidente sancione a lei que destina o pagamento de subvenção de R$ 0,40 por litro de etanol produzido na safra 11/12. O recurso ajudaria o setor a se recuperar da crise.

Por conta dessa crise muitas usinas vão atrasar (ou continuar atrasando os pagamento) a fornecedores e até a colaboradores.

COMENTÁRIOS
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  1. S.F.LIMA

    SERÁ QUE OS USINEIROS JÁ CONTABILIZARAM AS DÍVIDAS QUE DEIXARAM DE PAGAR NO BANCO DO BRASIL,APLICANDO UM VERDADEIRO CALOTE,COM TAMBÉM NO ANTIGO PRODUBAN.SONEGAÇÃO FISCAL POR PARTE DESSE PODEROSO GRUPO QUE DOMINA ALAGOAS,EXISTIU E CONTINUARÁ EXISTINDO,VEJA OS DÉBITOS DEIXADOS POR ESSES USINEIROS NO GOVERNO RONALDO LESSA R$ 370 MILHÕES E NUNCA PAGARAM NADA,OU DERAM ALGUNS BENS SEM VALOR EM TROCA DA DÍVIDA,E AGORA NESSE DESGOVERNO VILELA,ALGUÉM SABE O QUANTO ESSE GRUPO ESTÁ SENDO PRIVILEGIADO,COM CERTEZA DIRÁ NÃO,POIS É TUDO DECIDIDO ENTRE QUATRO PAREDES, E O POVO ALAGOANO QUE SE DANE.

  2. juan

    Eles contabilizaram o quanto venderam de bagaço de cana por um preço exorbitante durante a seca? e o melaço? e o preço de cana pago aos fornecedores, um adiantamento irrisório que não dava prá pagar as despesas de corte, carregamento e transporte. O restante parcelado em mais de 12 meses, pobre fornecedor! Empurra mais dinheiro nessa classe tão pobre que dá pena! Os usineiros são dignos de piedade…

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