Fetag reclama: agora, que voltou a chover, sementes do governo não chegam ao agricultor
   7 de maio de 2013   │     17:02  │  0

Quando os produtores rurais de Alagoas enfrentavam a estiagem, até o mês passado, o governo prometeu distribuir bagaço de cana e farelo de milho e soja para alimentar os animais, mas nunca conseguiu atender nem um terço da demanda.

O estado também não consegui atender várias outras demandas durante a seca – é o caso do abastecimento de água através de carros pipa.

E agora, que voltou a chover, tudo deveria ter se normalizado. Deveria. Os agricultores familiares enfrentam dificuldades crescentes. Nesse momento, o maior problema é a falta de sementes para plantar.

“Precisamos aproveitar as chuvas para plantar, porque sabemos que o inverno será curto e se não semearmos logo não teremos mais tempo”, alerta o presidente da Federação dos Trabalhadores Na Agricultura de Alagoas (Fetag-AL), Genivaldo Oliveira.

Hoje a tarde Genivaldo foi até a Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri) cobrar celeridade na entrega das sementes. Ele deixou a Secretaria desanimado: “só estamos recebendo 20% das sementes necessárias e o governo disse que não tem mais”, lamenta.

Atendendo edital da Seagri, a Fetag cadastrou agricultores de 19 cidades, com uma demanda de mais de 330 mil ks de sementes. “Tem cidades onde estamos recebendo menos de 10% da quantidade de sementes. A frustração é geral, os agricultores estão revoltados”, aponta Genivaldo.

Pior, segundo o presidente da Fetag, é que este ano os agricultores não tem nenhuma reserva: “até o ano passado muitos agricultores ainda tinham alguma reserva dos bancos de sementes. Com a seca ninguém tem nais nenhuma reserva. Será um ano muito difícil”, enfatiza.

A Fetag-AL distribui texto informando que a quantidade de sementes é insuficiente

A secretária de Políticas Agrícolas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de Alagoas (Fetag-AL), Rilda Alves, declarou que a quantidade de semente distribuída pelo governo estadual está abaixo da demanda apresentada pelos municípios.

“A quantidade é muito inferior. Temos casos de municípios que solicitaram seis mil quilos de sementes e só recebeu 800 quilos. Isso está gerando um clima de desconforto entre os Sindicados dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) e os agricultores. Afinal, os sindicatos não sabem como fazer a distribuição das sementes que foram liberadas de forma a atender a todos os cadastrados”, afirmou Rilda.

 Só os STTRs em conjunto com a Fetag-AL cadastraram, aproximadamente, cinco mil agricultores residentes em 19 municípios alagoanos, totalizando uma demanda de 339 mil kg de sementes de feijão, arroz, milho, algodão mamona, entre outras.

 Segundo a secretária, por conta da seca, os bancos de sementes praticamente não existem mais. “Os agricultores não tiveram como guardar as sementes e o que havia estocado teve que ser consumido para as famílias tivessem condições sobreviver à seca”, desabafou.

 Para tentar amenizar o problema e conseguir que uma quantidade maior de sementes seja liberada, a Fetag-AL vai procurar o governo estadual e as prefeituras municipais para que novos lotes possam ser distribuídos. “A semente precisa chegar enquanto há chuva. Caso contrário, os agricultores não terão mais como plantar”, finalizou Rilda Alves.