Pode? Alagoas importa farinha do Paraná e mandioca de São Paulo
   17 de maio de 2013   │     13:46  │  2

 Depois de importar etanol de milho dos Estados Unidos em 2010 e 2011, por conta de problemas de regulação de estoques, Alagoas quebra agora um novo “paradigma”.

Um dos produtos mais tradicionais de sua agricultura, a mandioca, agora tem sotaque diferente.

Por conta da seca e da falta de uma política de regulação do setor, o alagoano tem comido, ainda que sem saber, farinha importada do Paraná ou farinha feita com mandioca importada da cidade de Marília, em São Paulo.

Mesmo percorrendo mais de 2mil km os dois produtos chegam aqui por um preço menor do que a farinha e a mandioca de Alagoas.

“A farinha do Paraná está chegando aqui, hoje, por R$ 135 o saco, enquanto o saco da farinha de Alagoas está custando R$ 170”, afirma Eloisio Lopes Junior, presidente da Câmara Setorial da Mandioca.

E não é só. Muitas casas de farinha do estado passaram a importar mandioca de São Paulo, para fabricar farinha: “a mandioca de Marília é bem mais barata, custa R$ 300 a tonelada. Com o custo do frete chega aqui a R$ 700 ou R$ 800”, explica Nelson Vieira, técnico da Secretaria de Agricultura.

Junior Lopes explica que o preço da mandioca de Alagoas caiu depois da importação da raiz de Marília. Mesmo assim, as casas de farinha preferem o produto de São Paulo: “a tonelada de mandioca estava em R$ 1 mil, caiu para R$ 600, mesmo assim as indústrias preferem a raiz de São Paulo por conta do rendimento. Em função das chuvas, nossa mandioca está com rendimento bem mais baixo”, avalia.

Quem te viu

Alagoas sempre foi um grande exportador de farinha e mandioca. Mais da metade da safra do estado é normalmente exportada para Pernambuco e Sergipe. A mandiocultura está concentrada na região de Arapiraca, numa área estimada em 30 mil hectares e envolve mais de 20 mil famílias no agreste.

Porque viramos importador de farinha e de mandioca? Pela mesma razão que passamos a importar etanol e, se continuar assim, logo estaremos importando açúcar da Índia. Até porque nas prateleiras dos supermercados o açúcar de Pernambuco e de São Paulo ocupam cada vez mais o espaço que um dia foi exclusivo do “doce” produto alagoano.

COMENTÁRIOS
2

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. jonas antonio de freitas

    Ora!…Ora!, Isso é muito preocupante. Antes, alagoas, exportava a banana do vale da pelada, aonde era o maior produtor do estado. A laranja do vale de Santana do Mundaú… Hoje, estamos importando tudo, inclusive, hortifrutigranjeiro, de Pernambuco, Ceará, Paraíba e, etc. Basta entrar no site do Ideral (Ceasa), façam uma pesquisa de preço e, verá de que estado está vindo os produtos citados. O que está faltando é uma política, voltada para agricultura. Hoje não temos mais uma assistência técnica que havia há trinta anos… A politicagem neste estado conseguiram fechar todos os órgãos que trabalhavam na área de agricultura. Os outros estados estão trinta anos adiantados em tecnologia em agricultura.O que estamos precisando realmente é importar políticos honestos e homens de caráter.

  2. S.F.LIMA

    A MACACHEIRA VEM DO MARANHÃO,INHAME,FARINHA DE MANDIOCA PODEM VIR DA BAHIA,PARANÁ OU MARANHÃO,HORTALIÇAS,MELÃO E MELANCIA VÊM DE PERNAMBUCO OU RIO GRANDE DO NORTE,FEIJÃO DA BAHIA.AQUI REALMENTE SÓ PLANTA CANA DE AÇÚCAR E PARA CERTAS CULTURAS QUE SE PLANTA ATRAVÉS DE COVAS SÃO INEXISTENTES NO TERRITÓRIO ALAGOANO.O QUE MAIS SE VER EM ALAGOAS É CORRUPÇÃO,ABERTURAS DE COVAS EM CEMITÉRIOS E VIOLÊNCIA POR TODOS OS LADOS.ESSA SITUAÇÃO ESTÁ IMPLANTADA EM TODO ESTADO DESDE O BRASIL COLONIA,POIS AS PASTAGEM COBREM O SOLO DE ALAGOAS E ESSE PEQUENO ESTADO SEUS PROPRIETÁRIOS SÃO E SERÃO SEMPRE OS USINEIROS.O SETOR AGRÔNOMICO ESTÁ EM DECADÊNCIA E NUNCA HAVERÁ RECUPERAÇÃO COM OS PROFSSIONAIS RECEBENDO PÉSSIMOS SALÁRIOS.

Comments are closed.