Dia de luta vira fracasso nacional, irrita população e enfraquece Dilma
   11 de julho de 2013   │     19:19  │  1

O bicho não é tão feio quanto pintaram. Em Maceió o Dia Nacional de Lutas levou apenas 3 mil pessoas as ruas. Os organizadores esperavam 30 mil.

No Rio de Janeiro, onde a “voz das ruas” chegou a mobilizar mais de 300 mil pessoas num só dia, apenas 10 mil participaram das manifestações nesta quinta-feira, 11. Em São Paulo, apenas 7 mil manifestantes foram às ruas.

Os protestos organizados por centrais sindicais e dezenas de movimentos sociais por todo o país afetaram, segundo levantamento da Folha de São Paulo, pelo menos 46 rodovias em 18 Estados nesta quinta-feira, incluindo Alagoas.

Além de cenas de visível constrangimento – caso dos passageiros que tiveram de ir a pé para o aeroporto de Maceió por conta do bloqueio de rodovias – o movimento não ganhou o apoio da população e deixou com saldo um transtorno coletivo e prejuízos incalculáveis para a economia do país, além do “dia perdido” para quem precisou usar serviços públicos e não conseguiu.

Para mais de 99% sobrou a irritação e o cansaço por mais um protesto que interfere sem necessidade no direito de ir e vir das pessoas.

O Dia Nacional de Luta saiu às ruas levando como principal bandeira a defesa do plebiscito, proposta da presidente Dilma Rousseff que depende aprovação do Congresso Nacional.

Mas justo nesta quinta, a Câmara Federal e o Senado impõe novas derrotas ao governo federal, numa demonstração de que o Dia Nacional de Luta foi encarado pelos deputados e senadores como um movimento orquestrado pelo Palácio do Planalto e PT.

Embalado na “voz das ruas” e numa relação cada vez mais açodada com o governo federal, o Congresso Nacional vota uma agenda positiva proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que inclui um rito quase sumário para a votação dos vetos presidenciais, que partir de agora terão de ser apreciados em até 30 dias. Do contrário, a pauta do Congresso Nacional será trancada.

A ideia de realizar hoje um dia de luta foi, aparentemente, assim como o plebiscito, mais um tiro no pé da presidente Dilma Rousseff.

COMENTÁRIOS
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  1. Pedro Araquém

    Ricardo,
    Gostaria que você, com sua sagacidade e capacidade de investigação e comentários coerentes, pudesse esclarecer para onde vão os milhões canalizados para os sindicatos e centrais sindicais no Brasil. Afinal, todos os trabalhadores são obrigados a pagar essa contribuição, além dos que contribuem de forma espontânea. Tempos atrás tentou-se eliminar a obrigatoriedade dessa contribuição compulsoriamente, entretanto, manobras e pressões políticas derrubaram o projeto. Agora, esses “faz nada” estão nas ruas pedindo o que mesmo?

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