Usinas de AL apresentam plano de recuperação financeira à Sudene
   22 de agosto de 2013   │     18:55  │  0

A crise que afeta o setor sucroalcooleiro de Alagoas e do Nordeste não tem precedentes na história. Num mesmo momento as empresas perderam produção, viram a produtividade cair e os preços despencar.

Nesse cenário, muitas empresas enfrentam dificuldades até para pagar salários. E não estou falando apenas do Grupo João Lyra.

No caso de Alagoas, todas as usinas enfrentam aperto de caixa e pelo menos um terço atrasam o pagamento de fornecedores de cana e de salários.

Para tentar sair da crise, as empresas buscam alternativas. Uma delas é a subvenção do etanol que vai pagar R$ 0,20 por cada litro produzido na safra 2011/2012.

“A subvenção é muito importante, mas não resolve. As empresas precisam de um volume maior de recursos para renovar os canaviais e recompor a produção que ficou comprometida em função da seca e da crise internacional”, aponta Pedro Robério Nogueira, presidente do sindicato.

As perdas financeiras na safra atual são estimadas num patamar acima de R$ 500 milhões, dinheiro que deixou de circular nas empresas por conta da queda de produção ou redução de preços. A subvenção do etanol, por sua  vez, representa um aporte que deve ficar inferior a R$ 100 milhões.

“Estamos pedindo que o governo federal, através da Sudene, disponibilize uma linha de crédito especial  para recomposição da produção. Essa solicitação será apresentada na reunião do conselho da Sudene que será ralizada nesta sexta-feira, em Maceió”, aponta Pedro Robério.

Se a linha de crédito for aprovada, as usinas poderão ter acesso a crédito, a juros baixos do FNE. Será um dinheiro novo, que vai ajudar na moagem e na renovação dos canaviais.

Sobre o assunto o Sindaçúcar-AL distribuiu nota hoje a tarde, que você lê a seguir:

O setor sucroenergético nordestino divulgou nota técnica contendo propostas serão apresentadas em reunião da Sudene que será realizada nesta sexta-feira, 23, no hotel Radisson, em Maceió.

No texto, que retrata as dificuldades do setor por conta da crise financeira, consta um plano de saneamento e desenvolvimento do polo agroindustrial. No documento são apresentadas também as sugestões para a recuperação das unidades industriais existentes na região.

Segundo a nota técnica, a atividade econômica sucroenergética na região Nordeste vem convivendo com uma aguda crise financeira – motivada pelas suas naturais dificuldades estruturais de produção agrícola – que inibe a normal competitividade com a produção emergente da região centro-sul do país.

De acordo com o documento, a crise teria sido agravada em decorrência de fortes secas e estiagens que atingiram a zona da mata canavieira. Atualmente, o Nordeste vem decrescendo a sua produção, alcançando cerca de 53 milhões de toneladas e se tornando dependente de oferta complementar de outras regiões do país.

A região já registrou produção total de cana de 70 milhões de toneladas sendo responsável pelo abastecimento do mercado regional e ainda contribuía com o suprimento de mercado na região norte do país.

O polo sucroenergético nordestino abrange uma cadeia produtiva com cerca de 60 unidades agroindustriais, 18 mil pequenos fornecedores independentes de cana e cerca de 350 mil postos de trabalhos diretos.

Essa redução de produção acarretou uma subtração na circulação de renda, na ordem de R$ 1,5 bilhões, fundamentais para os municípios e Estados envolvidos na atividade, além de colocar em risco esses milhares de postos de trabalho, relevantes para a estabilidade social e equilíbrio socioeconômico da região, dada a sua densa cadeia produtiva.

Plano

O plano apresentado pelo setor apresenta como proposta o financiamento de  ações de recuperação e saneamento nas esferas agrícola e industrial, de forma a evitar a acelerada redução de produção e acentuada dependência regional de combustível e energia oriundos de outras regiões.

De acordo com a nota técnica, o plano de recuperação deverá ser realizado em várias fases e exigirá, numa primeira etapa emergencial, recursos para as empresas voltarem a ter as suas atividades operacionais agrícolas e industriais.

Atendimento

Nessa primeira fase, é proposta um financiamento total no valor de R$ 600 milhões com encargos e prazo compatíveis com o tempo de restauração da produção a ser observado.

A proposta prevê também que poderá ser estabelecido ainda um limite por unidade industrial, correspondente a 50% da  média trienal de moagem por empresa, limitado em princípio, a 500 mil toneladas de canas ao valor médio de R$ 64,00 por tonelada (R$32 milhões por empresa) segundo dados de preços de cana balizados pela precificação oficial do Consecana Regional.

Os recursos deverão ser originados no FDNE e ou FNE por serem mais compatíveis com o resgate necessário pelas empresas, que ainda sofrem dos efeitos extraordinários e emergenciais de graves e Impiedosos contextos climáticos de secas.