Excluídos ou excludentes? Manifestantes estragam festa do povo em Maceió
   7 de setembro de 2013   │     17:53  │  9

Acompanhei – como faço há alguns anos – as comemorações da Independência pela TV. No início dos anos 80 quando era militante de esquerda e fazia parte do movimento estudantil, eu via os desfiles como uma marca da opressão.

Militares, civis, estudantes, todos marchando a um só passo representavam o poder do Estado exercido por ditadores militares. E porque as pessoas aplaudiam esses “facínoras”?

A ditadura caiu, veio a democracia e o povo continuou a tradição. Em cada canto deste país, o 7 de setembro sempre foi marcado pela demonstração de amor à Pátria.

Aprendi a separar o joio do trigo e passei a participar dos desfiles durante alguns anos, inclusive como repórter. É inexplicável. Ver a demonstração de força e de organização na avenida enche qualquer um (que se permita) de orgulho.

Não importa quem é presidente, governador ou prefeito. Quem vai para a avenida não vê o palanque das autoridades. O foco é no desfile. É o povo admirando a si próprio. Mães, pais, filhos, amigos, todos juntos. Quem participa, gosta de voltar para casa falando dos detalhes, do que achou mais bonito.

Hoje quem participou do 7  de Setembro em Maceió tem duas histórias para contar. São histórias como estas registradas pela equipe do Gazetaweb: a aposentada Nilza, de 63 anos, foi ver o desfile e afirmava a emoção que tinha quando via as tropas passando. Ela reclamou do protesto que deu fim à programação. “Acho horrível essa manifestação. É uma falta de respeito com todos aqui presentes. O povo não tem nada a ver com as manifestações”, criticou. “O dia de hoje é muito importante e os manifestantes estão assustando as nossas crianças”, lamentou Célia dos Santos, também presente à orla de Jaraguá nesta manhã de sábado.

O desfile foi suspenso depois de várias tentativas de negociação, com registra o Gazetaweb: O major Túlio Roberto foi pessoalmente negociar o fim do protesto. “Ou vocês deixam as crianças desfilarem agora e vocês depois ou o desfile termina aqui”, alertou o oficial. Mesmo com o aviso, os integrantes do Grito dos Excluídos não cederam e o evento foi suspenso.

O resto da história está em todos os veículos de comunicação: algumas dezenas de manifestantes (talvez centenas) acabou com a festa de milhares e milhares de pessoas. A CUT, que liderou as manifestações disse que não tinha o objetivo causar constrangimentos, mas causou.

Isso me leva a refletir: não serão estes que se autointitulam de excluídos na verdade excludentes?

Hoje me solidarizo a maioria que, silenciosa, é mais uma vez humilhada: basta!

COMENTÁRIOS
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  1. Julio

    “O povo não tem nada a ver com as manifestações”? Como não? E outra, humilhado é a população carente de Alagoas que tem os piores índices de analfabetismo, boa parte deles não sabe nem o porque do dia da “independência”… Isso é humilhante e algo que fará com que o atraso se mantenha no nosso estado.
    Gosto muito do blog, porém tenho que, democraticamente, discordar de alguns comentários dessa postagem. Logicamente, respeito a opinião e entendo o ponto de vista, mesmo discordando. Abraço!

  2. Mário

    Prezado Edivaldo.

    Perfeito o seu texto. Estamos partindo para a barbárie e as autoridades (raras exceções), não estão tomando as devidas medidas legais. São bloqueios de vias, depredações, invasões de propriedades públicas e privadas, etc. Grande parte da população confunde liberdade com libertinagem.

  3. Valdeck

    Edvaldo, a linha positivista dos militares construiu calendários, datas oficiais, heróis nacionais que não retratam verdadeiramente o que se passou em nossa História. Vivíamos numa ditadura militar onde o poder institucionalizado calava a todos seja de forma didática nas escolas que eram instrumentos à serviço dos militares ao produzirem estudantes e cidadãos subservientes, bitolados, inertes, daí vem a ideia de que o brasileiro é passivo, seja de forma violenta com a censura, com as perseguições, prisões e torturas aos que pensavam diferente ao querer um país democrático, livre de pensamentos e ações, por vislumbrar um país justo, inclusivo.
    Nós criticamos tanto os ingleses e espanhóis que mantêm suas dispendiosas e inúteis monarquias de fachada, com seus pomposos e custosos desfiles, enquanto os cidadãos ingleses e espanhóis sustentam com impostos as benfazejas famílias reais.
    Aqui no Brasil não é diferente, apesar de estarmos num regime democrático, sustentamos aquiescentes através de impostos os militares que enclausurados nas casernas não produz nada ao país, apenas engomando e engraxando as botinas para o desfile cívico no 7 de setembro, no afã de demonstrar um poder e força que o Brasil não tem e que representa décadas de obscuridão no país.
    Vivemos décadas a fio assistindo tais desfiles sempre alienadamente inertes, a partir de junho desse ano, as coisas vem mudando, o pensamento dos brasileiros coadunam com mudanças políticas, sociais, econômicas, no sentido de um país mais justo, com educação, saúde, segurança, trabalho, renda, terra.
    Mas se o 7 de setembro alude à independência do Brasil, porque então não desfilam juntamente com os militares, os movimentos negros, indígenas, sem tetos, sem terra, trabalhadores da educação, saúde, segurança? Porque eles não representam o sentido de independência, se é o povo, se é a nação, se é a pátria?
    A população é humilhada todos os dias, com políticos nefastos, com alta carga tributária, com corrupção desenfreada, com absolvição de senador comprovadamente corrupto, com a Assembleia Legislativa desse Estado que desvia o erário público impunemente, com o sucateamento da educação, saúde, segurança, transporte e mobilidade urbana e com a miserabilidade dessa humilhada população. Isso sim é humilhação!

  4. Roberto Theodosio Brandão

    Mesmo não querendo aceitar o fato entramos numa era de desordens, anarquia, desobediência civil por conta do exemplo que nos é passado pelos políticos brasileiros na grande maioria criminosos. No caso de Maceió e desfile foi interrompido oficialmente pois tínhamos milhares de famílias e criancinhas que poderiam entrar em pânico caso as tropas de Choque do Exercito, PM e
    Policia Rodoviaria Federal agissem. Vai aumentar a anarquia em todo o Brasil.

  5. Interiorano

    Nada contra manifestações e protestos justos e pacíficos porém, tem se a impressão que esse País está sem comando. Nem um ato cívico se respeita mais. Antes, as comemorações do 7 de Setembro eram respeitadas por todos. As crianças, adolescentes, jovens e adultos, ficavam ansiosos, aguardando este dia, no intuito de poder mostrar o seu patriotismo. Uns, desfilando e outros olhando e cantando o hino nacional. Hoje em dia, um monte de bagunceiro, com o rosto coberto, sai pelas ruas deste Brasil, praticando badernas e vandalismos, bloqueando vias, depredando veículos particulares, repartições privadas e públicas. Com isso, frustram o sonho de muitos que querem assistir e ver desfilando por ali, as bandas, as escolas, os militares, os pracinhas, as autoridades, etc.. Na luta por meus direitos, eu não tenho o direito de prejudicar os outros a qualquer custo. Isso é não é modo de se fazer reivindicação. No meu entender, isso é baderna.

  6. jose antonio dos santos

    As forças de segurança não tem que NEGOCIAR COM BADERNEIROS QUE FECHAM RUAS, ESTRADAS, PRÉDIOS PÚBLICOS e IMPEDEM AS PESSOAS DO DIREITO DE IR E VIR!. Estas ocorrências acontecem no país inteiro porque tem uma origem no ex-presidente Lula, cuja raízes de protestos era fechar fábricas, interditar rodovias COM SUA BANDEIRAS VERMELHAS DA CUT, ISSO TODOS SABEM. VAI CHEGAR O MOMENTO QUE A POPULAÇÃO VAI CANSAR !.

  7. Antonieta

    A que povo você se refere ? Aos excluídos sem pão, sem teto, sem trabalho, sem nada …. A quem mais interesse o circo armado em todo o 7 de setembro? Qual seria o verdadeiro sentido de amor à Pátria ? Que sentido tem o desfile para quem não tem condições dignas de vida ? Quantos oprimidos não estavam ali a desfilar garantido o circo armado para o desfile de autoridades que não estão nem aí para os anseios do povo !!!
    Meu desabo também é meu grito de excluído ! Fico Imagine o seu texto opinativo em um sete de setembro em que todos os excluídos de todos os cantos desse Pátria amada se rebelarem e se revelarem. Amor à Pátria não pode ser confundido com alienação. E se pesquisarmos a verdadeira história do 7 de setembro – “Nossa Independência ! ” – na óptica dos vencidos veremos o quanto é diferente dos discursos dos vencedores.

  8. jonas antonio de freitas

    Ora!, queimar a bandeira do país, isso já passou dos limites…Será que são mesmo patriotas?…Estão querendo o que?…

    Acabar com uma comemoração, já é um ato de vandalismo…Pelo menos vamos respeitar o dia muito importante para o país.

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