Maurício Toledo sobre a usina Roçadinho: “O mais grave é a perda de empregos”
   1 de outubro de 2013   │     22:30  │  13

Quando se trata de usineiros o alagoano costuma confundir CPF com CNPJ.  Em São Paulo, estado mais rico do Brasil, as usinas são bem-vindas e seus donos recebidos no tapete vermelho. Em Alagoas, estado mais  pobre do país, tem gente que torce para ver o setor acabar.

A imagem de coronel construída no passado ou talvez a condição de vida pessoal dos empresários no presente (alguns de fatos esbanjam riquezas, mas só alguns) alimenta um ranço antigo que termina se refletindo nas empresas.

Um terço da economia de Alagoas vive da cana, mas as usinas recebem – com o apoio e incentivo dos “intelectuais” e da “vanguarda” e sob o silêncio dos representantes dos trabalhadores – o pior tratamento fiscal do Brasil.

As dificuldades climáticas somadas ao ambiente fiscal e político hostil estão levando o setor a encolher cada vez mais em Alagoas. Na safra 10/11 Alagoas produziu 28,2 milhões de toneladas de cana. Na 11/12 foram 27,8 mi; na 12/13 23,6 mi. A safra que começa agora não deve passar de 21 milhões de toneladas.

Sem cana, sem crédito, algumas usinas vão sucumbir nesta safra. Não se sabe quantas indústrias vão aquecer as caldeiras para rodar suas moendas. Talvez não chegue a 20.

Ausência

Na nova safra, além Laginha (União dos Palmares) que não vai moer, a Guaxuma (Coruripe), também do Grupo JL, que não dá sinais de que vá entrar em operação.

Nesta terça-feira circulou a informação, ainda não oficial, de que a Roçadinho (São Miguel dos Campos), não vai entrar em operação e por isso estaria demitindo um número entre 300 e 800 trabalhadores.

Na safra passada a Roçadinho esmagou 1,139 milhão de toneladas – com a produção 108 mil toneladas de açúcar e 20 milhões de litros de etanol. Com esse volume, na situação atual, é possível alcançar um faturamento entre R$ 150 e R$ 180 milhões. Acreditem, é um dinheiro que cobre as despesas de uma indústria deste porte.

Perdas de danos

O secretário da Fazenda, Maurício Toledo, lamenta a crise que afeta o setor sucroalcooleiro – e também a pressão política que evita que o estado incentive as indústrias: “quem vive na capital não gosta de usinas nem de usineiros, mas esquece o quanto essas empresas são importantes para as cidades do interior. Uma usina movimenta toda a economia de uma cidade e as vezes de uma região. Se ela fecha todos perdem”.

Se alguém duvida, basta circular por São Miguel dos Campos e perguntar para quem vive por lá o que representa o fechamento da indústria.

Para Maurício, o mais grave não é a perda de arrecadação do estado e do município, que certamente ocorrerá. “O pior é a perda dos empregos. A cana que ficou no campo será esmagada, ao menos nesta safra, por outras usinas. Mas os empregos que são perdidos na indústria não serão criados em outras empresas. O que existe nesses casos num primeiro momento é um ganho de escala para algumas usinas. Depois, nem isso”, aponta.

 

Geografia

Algo importante que Maurício Toledo lembrou na conversa, por telefone: “diferente do comércio ou do serviço, a indústria pode ficar em qualquer lugar. O comércio tem que se instalar aqui, mas a indústria pode produzir em qualquer outro estado ou país e mandar para cá. Por isso é fundamental dar o incentivo,   para que a empresa se instale aqui. O emprego que é gerado pela indústria movimenta a economia e gera uma arrecadação indireta que é fundamental para nossa economia. Mais importante ainda é gerar ocupação e renda para os alagoanos”, pondera.

COMENTÁRIOS
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  1. neilton americo

    Boa tarde meus amigos o que mim deixa triste e preocupado é saber que nesse final de ano ou até mesmo antes já tem muitos pais de famílias alagoanos que neste momento não tem nada para matar a fome dos seus filhos como se não pastasse a péssima educação e saúde do nosso estado agora o que vamos fazer pois fiquem sabendo que todos nós estamos sofrendo não só mente os usineiros não sofre todo o comercio , lojas, etc ….

  2. jose antonio dos santos

    Um verme humano que se intitula EU, esconde-se no anonimato para falar besteira, não retiro uma vírgula do que escrevi, é assim mesmo otário, como funciona o PRODESIN!. Veja o histórico do LOG ou você é um analfabeto e desinformado!.

  3. Jose Antonio Mello

    Eh muito simples criticar o modelo de administração desses empresários podemos dizer q alguns ja estão bem atualizados com um modelo de gestão mais voltados a custo/orçamento/planejamento, como forma de sobrevivência, mas estamos esquecendo dos colaboradores que estão sem recursos (salários), para sua sobrevivência e sem oportunidade de encontrar um novo emprego, devemos discutir incentivo, isenção ou qq outra forma de manter essas empresas/empregos e ai sim modelar um projeto para atrair novos empresários/empresas.

  4. Maria

    Uma piada comparar as USINAS de São Paulo com as daqui. Primeiro porque as leis trabalhistas e ambientais lá são cumpridas. Enquanto aqui…. Os funcionários de lá trabalham em máquinas e tem turnos definidos e não com facão na mão e virando turnos como aqui. A diferença está no tipo de trabalho que aqui é desumano. Não investem nada por aqui por que o custo de produção aqui é alto. Investem em outros estados, mas também pagam os encargos e lá sindicato e lei existe e bota quente nesses coronéis.

  5. A F.LOIRO

    OS USINEIROS DE ALAGOAS TIRARAM FARTOS RECURSOS DO SOLO ALAGOANO COM SONEGAÇÃO E INVESTIRAM NO SUL DO PAÍS,COMO MATO GROSSO,MINAS GERAIS,SÃO PAULO E PARANÁ.O POVO ALAGOANO ESTÁ CANSADO DE TANTA DEMAGOGIA DESSE GRUPO EMPRESARIAL.
    POR OUTRO LADO NÃO SOBRA UMA GRAMA OU UM MlLIGRAMA DE ALCOOL,TUDO É VENDIDO PARA O EXTERIOR A PREÇO DE DOLAR .
    FINALMENTE O QUE DESEJAM MAIS ESSE GRUPO DE INDUSTRIAIS EM ALAGOAS?

  6. José Ailton Balbino Da Silva

    concordo com meu colega os usineiros de são paulo fazem grandes investimentos e os de alagoas querem mesmo e ostentação esses cara ganharam muito dinheiro ao longo do tempo quebraram o banco do estado lembram gostam de fazer dividas e não pagarem sonegam os direitos dos trabalhadores enganam os credores como e que uma empresa que faz isso vai a lugar nem um só pode quebra com certeza os usineiros de alagoas só olha para o próprio umbigo.

  7. amorim

    Caro Edivaldo Junior.

    Concordo plenamente com você, quando afirma que em Alagoas tem gente que torce contra os usineiros. Pela viseira ideológica da esquerda, as usinas em nada contribuem com renda, emprego, impostos, etc. Nem Freud explica esse comportamento esquizofrênico. Em Alagoas os próceres esquerdistas são os talebans nordestinos. iguais aos comunistas/socialistas, fascistas e nazistas que odeiam a iniciativa privada.

  8. Fábio Calazans

    Já está mais do que na hora desse Estado deixar esse padrão terceiro mundista de depender de apenas um segmento econômico e das prefeituras como incentivador de mão de obra. O que se deve fazer é abrir para investimentos diferentes e colocar na cabeça dessa elite açucareira que nós não podemos eternamente sustentar o declínio deles.

  9. lucasl

    A diferença entre os usineiros de são paulo e os de alagoas, é que enquanto os paulistas investiam na modernização e aumento da produção os usineiros alagoanos investiam na ostentação e na incompete^ncia. Taí o resultado.

  10. aline brandao leite de morais

    Mauricio, se o estado diminuir o ICMS do etanol e do açúcar certamente diminuiria o sofrimento dessas empresas. Porque não?

  11. jose antonio dos santos

    Todo mundo sabe em Alagoas da importância do setor sucro-alcooleiro para nosso estado, inclusive o governador que tem origem neste berço industrial. Incentivam todo tipo de empresas com zero de ICMS, inclusive uma multinacional com nova fábrica, não pagam nada!. Tudo em nome de um processo de incentivo fiscal de nome PRODESIN comandado pelo famigerado LOG segundo a imprensa envolvidos em falcatruas. Esta figura continua no comando desse tipo de articulação. O consumidor paga o imposto devido em nota fiscal, a empresa emitente da nota fiscal recebem os recursos que servem como capital de incentivo, se apropriam e após 10 anos ou mais e se não falirem ou mudarem de razão social, devolvem em suas parcelas!.

    1. Eu

      jose antonio dos santos…. vá estudar primeiro pra poder ter conhecimento de causa e falar sobre o Prodesin! Nenhuma empresa recebe dinheiro do estado ou são completamente isentas do pagamento do ICMS, isso inclusive vai contra o que determina o CONFAZ!

      Estude primeiro ok?

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