Nem governo, nem prefeitura: Roçadinho fecha e ninguém faz nada
   2 de outubro de 2013   │     20:22  │  7

Alagoas e os alagoanos estendem o tapete vermelho para as empresas que chegam por aqui ou que prometem chegar – como é o caso do Estaleiro Eisa, de Coruripe.

Mas quando se trata do empresário local o tratamento nem sempre é o mesmo. É o caso do setor sucroalcooleiro. O alagoano costuma confundir CPF com CNPJ.  A imagem do “usineiro” alimenta um ranço antigo que termina por afetar as empresas e, as vezes, os empregos que elas geram.

Agora mesmo milhares de trabalhadores vivem o drama do fechamento (ainda que provisório) de uma das maiores empresas do estado – a Usina Roçadinho, de São Miguel dos Campos.

As especulações em torno da desativação da fábrica na safra 13/14 foram confirmadas ontem, com o anúncio da demissão de cerca de 300 trabalhadores das áreas industrial, administrativa e de mecanização.

Muitas informações desencontradas passaram a circular por conta das demissões, incluindo a venda da Roçadinho para outros grupos e a quebradeira total do grupo. Nem uma coisa, nem outra.

Depois de tentar falar com diretores da Roçadinho por telefone e não conseguir, fui até a sede da indústria em São Miguel dos Campos nesta quarta-feira a tarde para tentar ter acesso a informações confiáveis.

Conversei com vários trabalhadores. Todos disseram que foram pegos de surpresa com o anúncio das demissões. Desde ontem eles estão sendo recebidos no escritório central, ao lado da usina, em grupos de 15, para levar os documentos e dar baixa na carteira.

Os trabalhadores do campo e da indústria, os demitidos e os que continuam trabalhando,  recebeu salários nesta quarta-feira.

Também fui recebido por uma advogada da empresa e uma representante do setor administrativo (prometi não revelar seus nomes).

“A decisão tomada agora foi de não moer em função de diversos fatores. Nesse cenário, a empresa decidiu demitir logo o pessoal para facilitar a contratação dos trabalhadores por outras indústrias. Muitos já têm empregos garantidos. Quem não tem, está recebendo apoio e orientação da empresa”, explica a representante do setor administrativo.

A advogada reiterou que todos os direitos dos trabalhadores serão respeitados: “os salários foram pagos hoje, numa demonstração de que a empresa não quer enganar ninguém. Estamos aqui para orientar e preservar os direitos dos trabalhadores. Essa situação é lamentável para todos nós e esperamos que os diretores encontrem alternativas para que a empresa volte a operar a indústria no menor tempo possível”, aponta.

Em resumo  pelo que pude apurar até o momento: a decisão de não moer foi tomada no último final de semana. O grupo da Roçadinho mantém a empresa funcionando (especialmente área agrícola) e deve esmagar a cana em usinas próximas. Existe a possibilidade da Roçadinho voltar a moer nas próximas safras ou de ser vendida e desativada.

Afora isso, resta a certeza, como de disse um trabalhadores do setor administrativo, que ninguém com poder de decisão tem feito nada para ajudar: “se o governo do estado ou a prefeitura de São Miguel se interessassem, se quisessem, poderiam até ajudar a empresa a funcionar. Mas os políticos não estão nem aí, parece que nada está acontecendo. Eles dão as costas porque não respeitam o drama dos pais de famílias que agora estão voltando para casa desempregados e com um futuro de medo e de incertezas”, desabafou.

COMENTÁRIOS
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  1. BERNARDO

    CARO JORNALISTA, AGORA NÃO EXISTE MAIS O PRODUBAN E OUTROS QUE BANCAVAM AS CASAS EM MIAMI, CARROS DE LUXO, ETC, ETC. AS COISAS MUDARAM!

  2. Manuel Andrade

    É dividir esmola pra três. Um estado quebrado e depredado. Uma prefeitura quebrada e dilapidada. Uma empresa quebrada e mal gerida. É melhor pedir ajuda ao céu ou ao inferno, sem predileção, a que chegar primeiro.

  3. Maria

    Sinto pelas famílias. E que bom que todos receberam seus direitos. Isso sim é ter responsabilidade social. Não como uns e outros que ficam entrando na justiça para não pagar o que deve. Parabéns ao grupo pela tomada de decisão que não deve ter sido fácil. Mas em tempos díficeis devemos cortar na carne para salvar o que resta. Tenho certeza que essa fase vai passar e que logo todos voltarão ao trabalho.

  4. A F.LOIRO

    É evidente que os senhores feudais usineiros vivem exclusivamente sugando dinheiro do estado e investindo em outros estados,deixando sérios prejuízos para o nosso povo.esta na hora de transformar Alagoas em outro patamar produtivo e eficiente,sem tantas usinas de açúcar.

  5. jonas antonio de freitas

    Está certíssimo e, com razão o cidadão Roberto Paiva…É cada vez mais as “falências” das usinas neste estado desgovernados.

    É hora de se pensar em diversificação em nossa agricultura, temos que sair da monocultura da cana de açúcar e a do capim. As terra de Alagoas, por ser um pequeno, mas têm muitas terras para a diversificação…

    Temos que investir muito na educação e na capacitação dessa gente que estão saindo do campo.
    É por isso, tanta violências…

  6. roberto paiva

    prezado junior
    no mundo globalizado nada prospera sem gestões eficientes emodernas, infelizmente você citou três péssimos gestores. o grupo rocadinho que deixa falir uma usina em terras de tabuleiros férteis e plano.uma prefeitura gerida por vendedor de cervejas e um estado totalmente desgovernado por um também usineiro cujo secretario da fazenda e do mesmo setor.
    neste cenário não há muito que se comentar nem lastinar passa a ser coisas do nosso cotidiano igual a falência do produbam.

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