Torres: “A usina fecha e quem tem prejuízo maior é o trabalhador”
   9 de outubro de 2013   │     21:37  │  4

A crise que atinge o setor sucroalcooleiro de Alagoas finalmente despertou o interesse da mídia alagoana. Agora a noite numa longa reportagem, o AL TV 2ª Edição mostrou dados preocupantes: 4 usinas não vão operar nesta safra, dois mil fornecedores de cana estão com os pagamentos em atraso e pelo menos 15 mil trabalhadores deixarão de ser contratados.

As usinas de cana-de-açúcar representam um terço da economia de Alagoas e geram durante a safra cerca de 100 mil empregos diretos e 300 mil empregos indiretos.

Quando uma usina fecha, nem sempre a cana some de imediato (a matéria-prima será certamente processada em outra indústria), mas o emprego desaparece instantaneamente. O trabalhador sofre a primeira pancada e também a mais forte.

O empresário, como explica o dirigente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Alagoas (Fetag) Antônio Torres, tem o patrimônio e normalmente tem outros negócios.

Quando a usina fecha, “quem trem prejuízo maior é o trabalhador porque deixa de ganhar seu dinheiro e deixa de sustentar suas famílias”.

A crise não atinge apenas os que perderam seus empregos ou deixarão de ser contratados. Quem vai trabalhar no corte da cana terá  renda menor, porque a produtividade também será menor. “As usinas também alegam que a safra vai ser curta, quatro ou cinco meses no máximo”, aponta Torres.

O que isso representa? De um a dois menos a meses de trabalho e de salário.

Os fornecedores também sofrem. Dos 7 mil plantadores que existem em Alagoas pelo menos 2 mil ou cerca de 30% ainda não receberam pela cana entregue nas usinas na safra passada. “Alguns ainda tem valores a receber da safra 11/12” informa o diretor técnico da Asplana, Antônio Rosário.

Sem alternativas

Para aqueles que ainda tem ranço de usineiros, um informação: a única atividade econômica que deu certo em áreas de antigos canaviais de Alagoas foi a pecuária de corte.O problema é que o boi não tem a mesma capacidade geração de emprego e de riquezas da cana.

A atividade canavieira por exemplo é explorada em 400 mil hectares e gera um emprego a cada 4 hectares. Já o boi, que ocupa mais de 900 mil de hectares, gera pouco mais de 8 mil postos de trabalho. Em média é um emprego a cada 90 ou 100 hectares.

Tirar a cana sem uma alternativa econômica é condenar cidades e regiões inteiras ao retrcesso econômico

COMENTÁRIOS
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  1. jonas antonio de freitas

    Meus amigos alagoanos, esta crise já era de se esperar…Vejam os Estados da Federação que não vive da monocultura da cana de açúcar , ou da monocultura do capim, se está na mesma crise?…
    Os Alagoanos só sairá da crise quando mudar a mentalidade…Têm que diversificar a nossa agricultura.

    Acaba-se a monocultura da cana de açúcar e entra na monocultura do capim…

    Gestores em nosso estado, até parece piada…Eles só representa a eles mesmo…
    A hora de mudar é nas próximas eleições…

  2. Nunes

    Meu caro Edivaldo Júnior, não tenho visto em nenhum noticiário usinas de outros estados, como, São Paulo,Minas,Tocantins,Mato Grosso e etc declarando falência, gostaria que o nobre jornalista explicasse se é um caso exclusivo de Alagoas.

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