Crise da cana atrasa acordo salarial de 100 mil trabalhadores em AL
   16 de outubro de 2013   │     17:57  │  0

O acordo salarial dos chamados trabalhadores “urbanos” do setor sucroalcooleiro de Alagoas  está atrasado pela primeira vez em mais de uma década. São mais de 20 mil profissionais que atuam em diferentes setores nas usinas – é o pessoal que trabalha no “chão de fábrica”.

A data base para os colaboradores que trabalham na área industrial é 1º de setembro. Mas até agora o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas ainda não recebeu nenhuma proposta “aceitável” do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas – conhecido como Sindicato dos Usineiros.

Depois de várias rodadas de negociação, o sindicato dos Trabalhadores apresentou uma proposta de reajuste da ordem de 7,5%: “é um percentual igual ao que foi concedido pelo setor em Pernambuco que vive crise semelhante ao de Alagoas”, pondera Jackson Lima Neto, presidente do Sindicato.

O percentual proposto pelos trabalhadores se resume a reposição da inflação com um pequeno ganho real de 1%. É provável que a contraproposta a ser apresentada pelo Sindaçúcar-AL esta semana se limite a reposição da inflação.

A crise também está atrasando as negociações com os trabalhadores rurais do setor canavieiro. Durante a safra são contratados de 70 mil a 80 mil pessoas pelas indústrias para atuar na colheita, plantio, irrigação e várias outras atividades no campo.

Dirigentes da Fetag-AL se reuniram ontem com representantes do Sindaçúcar-AL para discutir o acordo coletivo 13/14 para os trabalhadores rurais na agroindústria da cana-de-açúcar. “Novamente os representantes das usinas levantaram a problemática da crise financeira que atravessa o setor sucroenergético. Mas os trabalhadores não podem pagar o pato”, adianta o secretário de Assalariados da Fetag-AL, Antonio Torres.

As usinas, adianta Torres, ficaram de apresentar outra proposta até a próxima terça-feira, dia 22. “Até o momento, nenhum número foi apresentado pelos representantes da classe patronal”. De acordo como o dirigente os trabalhadores rurais estão pleiteando um reajuste salarial de 15%, o que elevaria o piso salarial da categoria dos atuais R$ 698 para R$ 802.

A proposta dos trabalhadores rurais inclui ainda um piso garantia no valor de R$ 25. O gatilho é aplicado caso o reajuste dado pelo governo federal ao salário mínimo, em janeiro de 2014, seja igual ou superior o vencimento dos trabalhadores rurais.

Neste caso também é provável que a contraproposta se limite a reposição da inflação.