Usinas enfrentam a pior das piores crises e setor deve encolher em Alagoas
   19 de dezembro de 2013   │     14:03  │  1

O tema central da última reunião mensal do Conselho da Federação das Indústrias de Alagoas, realizada nesta quinta-feira, na Casa da Indústria, em Maceió, foi a crise que atinge o setor canavieiro de Alagoas, especialmente as usinas.

Pedro Robério, presidente do Sindicato do Açúcar, fez um relato das dificuldades e explicou porque a crise que atinge as empresas agora é a pior de todos os tempos: “estamos enfrentando no mesmo momento problemas de queda de produção por conta da seca, aumento elevado de custos, perda de mercado e falta de financiamento da atividade. O pior de tudo é que faltam perspectivas de solução por conta da política do governo federal de desestímulo a produção de etanol”, ponderou.

Alguns números que ele apresentou são extremamente preocupantes. A queda na safra 13/14 é de 17% sobre o ciclo anterior, que já foi uma dos menores dos últimos anos. Alagoas deve produzir menos de 22 milhões de toneladas de cana, embora o potencial de produção seja de 30 milhões de toneladas.

Nesse cenários, algumas usinas simplesmente deixaram de operar – caso da Roçadinho e Lajinha – e outras estão moendo aos “trancos e barrancos”, caso da Leão, Uruba e Taquara, entre outras.

Santo de casa

Se já é ruim no Brasil, em Alagoas é pior. Isso porque, segundo Pedro Robério, o estado cobra a maior alíquota de ICMS do país sobre os produtos do setor (açúcar e etanol).  “Perdemos competitividade no mercado nacional. Não temos como competir muitas vezes dentro do próprio estado. Ou o governo alagoano revê essa política fiscal ou só nos restará as exportações. Podemos até conviver com isso, mas é importante ressaltar que o estado perde muito mais quando se exporta, porque deixa de arrecadar e o dinheiro deixa de girar dentro da nossa economia”, avalia Pedro Robério.

Como ações concretas, o presidente da Federação das Indústrias, José Carlos Lyra, anunciou que vai fazer gestões, com apoio da CNI, junto ao governo federal em defesa do incentivo ao etanol. A Fiea também vai defender a redução da carta tributária estadual que incide sobre o setor em Alagoas.

De acordo com José Carlos Lyra o setor canavieiro é essencial para a economia de Alagoas e precisa ser estimulado com medidas efetivas que permita a reversão da crise.

Encolhendo

Hoje o setor opera com 22 indústrias e gera cerca de 100 mil empregos diretos.Sem uma solução que estimule o consumo de etanol ou de medidas que melhorem a competitividade das agroindústrias canavieiras, o setor sucroalcooleiro tende a encolher em Alagoas, com o fechamento de usinas e a perda de postos de trabalho.

O setor não está morto, mas está preste a morrer. E Alagoas não está preparada. “Se o setor quebrar, Alagoas está morta”, disse o presidente do Sindicato da Indústria Química de Alagoas, Wander Lobo, depois de ouvir o relato da crise que atinge as indústrias”.

Para ele, é preciso gritar: “se não gritar, se não pressionar, o governo não vai resolver”.

 

Pedro Robério fala durante reunião da Fiea

Pedro Robério fala durante reunião da Fiea

 

COMENTÁRIOS
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  1. Mário

    Caro Edvaldo.

    O texto retrata a dura realidade vivida em alagoas. Boa parte dos governantes alagoanos falam (tempo de eleição)em políticas agrícolas para o campo, e o que vemos é a decadência da bacia leiteira, do fechamento de postos de trabalho, etc. Lamentável.

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