Reforma ministerial acirra briga do PMDB com governo Dilma Rousseff
   13 de março de 2014   │     21:27  │  0

OPMDB que só “dá alegrias” está oficialmente fora do governo. Na reforma ministerial anunciada nesta quinta-feira, 13, a presidente Dilma Rousseff atendeu as bancadas de outros partidos, mas deixou a bancada peemedebista na Câmara Federal de fora da reforma.

Nesta quinta foram anunciados os nomes de Gilberto Occhi (Cidades) indicado pela bancada do PP, Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), indicado pelo PT e Eduardo Lopes (Pesca), indicado pelo PRB do Bispo Crivella.

Os outros três novos ministros – Neri Geller (Agricultura), Vinicius Nobre Lages (Turismo), Clélio Campolina (Ciência e Tecnologia) – foram indicados para ocupar Pastas que eram até agora da cota da bancada federal do PMDB. As indicações foram técnicas e, ao invés de acalmar os ânimos, deve acirrar  o clima de disputa entre os peemedebistas e a presidente Dilma Rousseff.

Logo após o anúncio dos novos ministros, líderes do PMDB repercutiram negativamente as mudanças.

“Não ajuda nem atrapalha na relação do governo federal com o PMDB. A bancada não indicou nomes, então não estamos preocupados se os nomes escolhidos são ou não do PMDB. Só o Neri Geller é filiado ao partido. Para a bancada da Câmara isso tudo é absolutamente irrelevante. Os problemas são outros. Muita coisa tem que mudar para melhorar a relação entre o governo e partido”, reagiu Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara

“O único filiado ao PMDB é o Neri Geller [Agricultura]. Como o PMDB na Câmara optou por não fazer indicação nenhum, a presidente ficou à vontade para fazer as indicações. Como a indicação do Geller já estava avançada, acabou ficando ele mesmo, sem a interferência do partido. No Turismo, onde se falou em colocar o Eunício Oliveira, a presidente também optou por um perfil técnico. Eu não sabia do nome dele e também não houve interferência do partido”, reagiu Valdir Raupp (PMDB-RO), senador e presidente do PMDB.

Deputados atribuem a Renan indicação de novo titular do Turismo

O texto a seguir é da Folha de São Paulo e foi publicado no final da tarde desta quinta-feira:

A escolha de Vinicius Lages para o Ministério do Turismo, noticiada em primeira mão pelos repórteres Andréia Sadi e Valdo Cruz, tende a agravar o mal-estar da bancada do PMDB na Câmara com o Palácio do Planalto.

O mais cotado para a vaga até a manhã desta quinta-feira (13) era Angelo Oswaldo, do PMDB mineiro, que também não foi bem recebido no partido. Dilma Rousseff se decidiu por Lages nas últimas horas, e o Planalto atribuiu a escolha a uma opção por um perfil técnico.

Mas a bancada da Câmara diz que a indicação partiu do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de quem Lages é conterrâneo.

Atualmente o escolhido ocupa uma diretoria do Sebrae. Ele já foi professor na Universidade Federal de Alagoas. Até agora, o Turismo era ocupado por um deputado peemedebista, o maranhense Gastão Vieira. Com a mudança, a bancada da Câmara, que se rebelou contra o governo e tem atuado para derrotar Dilma nas votações, perde espaço.

“É mais um jogo que mostra que o palácio quer desestabilizar o partido e jogar na divisão entre Câmara e Senado”, diz um dos líderes da insurreição na Câmara.

Os deputados vão intensificar o trabalho para tentar antecipar a convenção do partido. Os senadores têm sido o lastro dado ao vice-presidente Michel Temer para que a aliança seja mantida e a antecipação da convenção não seja aprovada.