Deputados do PMDB se afastam do PT e podem complicar planos de Renan Calheiros
   17 de março de 2014   │     21:23  │  0

Em política se ninguém diz que não, é porque o “boato” é verdadeiro. A indicação do alagoano Vinicius Lages para o Ministério do Turismo, atribuída a Renan Calheiros pelos deputados federais do PMDB foi confirmada, na prática, na posse do novo ministro, nesta segunda-feira 17.

O problema é que a indicação acirrou ainda mais os ânimos entre peemedebistas do “blocão” e o governo. A vaga era da bancada do partido na Câmara Federal, que decidiu não indicar ninguém até que a relação com o governo Dilma Rousseff seja rediscutida.

Em sinal de protesto, a cúpula do PMDB na Câmara não apareceu na posse. Até o presidente da Casa, Henrique Alves, fez sentir sua ausência. Para complicar, em alguns estados, caso do Rio de Janeiro, o partido passou a sinalizar simpatia pelo candidato tucano Aécio Neves.

Para tentar contornar a crise, a presidente Dilma Rousseff incumbiu novos ministros de entrar na negociação. Além do vice, Michel Temer e de Aloísio Mercadante (Gabinete Civil), Eduardo Cardozo (Justiça) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) tentam “dobrar” o líder do PMDB, Eduardo Cunha.

A tarefa não é fácil. Setores do PMDB estão cada vez arredios com Dilma e se aproximam da oposição. Tanto que Aécio Neves ofereceu, nesta segunda-feira, a vaga de senador na chapa de Pimenta da Veiga (que vai disputar o governo pelo PSDB) para o PMDB mineiro.

O presidente do Senado corre o risco de perder força na bancada, caso se consolide o rompimento dos deputados peemedebistas com o governo Dilma Rousseff. Nesse caso restará a Renan Calheiros torcer para que a cúpula do partido consiga manter a aliança nacional com o PT no projeto de reeleição, com Temer de vice – hipótese que está se tornando cada vez mais improvável.

Com o “afastamento” do PMDB, Renan Calheiros deve refazer seus planos em Brasília. O senador pode até reavaliar sua posição e disputar o governo de Alagoas. Até porque só existe compromisso do governo Dilma Rousseff e do PT em apoiar seu nome.

Se o candidato for outro, incluindo o deputado federal Renan Filho, passará por uma nova avaliação, o que aumenta as chances de Benedito de Lira ou de um candidato próprio do PT ao governo.