Crise no Eisa pode inviabilizar construção do Estaleiro de Coruripe
   19 de julho de 2014   │     17:28  │  5

No final de 2009 o empresário colombiano German Efromovich chegou a Alagoas com uma proposta impactante. O presidente do Synergy Group anunciou a implantação do Eisa Alagoas: o maior projeto de estaleiro de navios das Américas, com capacidade de geração de 10 mil empregos diretos e 40 mil empregos indiretos.

Desde então Alagoas e os alagoanos estão atrás do “sonho” que continua enrascado até hoje na burocracia do Ibama. A licença prévia saiu em 2013, o estaleiro mudou de nome para ENOR (num prenúncio da crise no Eisa), mas ainda falta a licença de implantação, que deve sair até meados de agosto deste ano, podendo ser liberada este mês.

O problema é que depois de tanta espera, a licença e o Ibama podem chegar atrasados. Durante esse período o humor da economia mudou e a indústria naval brasileira que sofre com a concorrência chinesa e é dependente da Petrobras entrou em desaceleração.

Para estragar ainda mais o “sonho” alagoano, empresas mais antigas e menores – caso do Estaleiro Ilha S/A, o Eisa do RJ, que tem capacidade para fabricar apenas dois navios simultaneamente – sofrem por conta de problemas de produtividade e alto custos.

No caso do Eisa, existe mais um complicador: o Synergy Group não tem mais recursos para manter o custeio da operação e a empresa pode fechar. O Eisa está com atividades suspensas e deu férias coletivas a seus 3 mil trabalhadores.

As férias coletivas remuneradas deveriam terminar no dia 30 de junho, foram prorrogadas para 14 de julho e novamente prorrogadas, esta semana, para o próximo dia 28. As dificuldades da empresa, que está com salários atrasados, seriam decorrentes de atrasos de pagamentos dos armadores.

No mercado, as informações são de que Efromovich que controla o EISA via Synergy Group, estaria buscando compradores para o estaleiro.

Nesse cenário, o que se questiona é se o Synergy Group terá condições de tocar o projeto do novo estaleiro em Alagoas – um negócios de mais de R$ 2 bilhões, que requer, além do financiamento extremamente complexo, uma contrapartida da empresa de no mínimo 20%.

A um importante interlocutor de Alagoas Efromovich avisou que a crise do Eisa no RJ não vai interferir no projeto de investimento do Synergy Group em Alagoas. O que se pode deduzir é que ele tem alguma “carta na manga” ou deve recorrer a parceiros para tocar o negócio.

Essa resposta só teremos nos próximos dias, depois que o Ibama liberar a licença de implantação.

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A crise do Eisa no RJ

Em carta aberta distribuída no último dia 14, o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro alerta que 3 mil trabalhadores podem ficar sem empregos por conta do possível fechamento do Eisa:

“Três mil trabalhadores do EISA podem ficar sem emprego
A apreensão dos trabalhadores do Estaleiro Eisa, na Ilha do Governador, toma a cada dia maiores contornos de realidade. A empresa passa por dificuldades. Neste momento, os cerca de 3.000 trabalhadores foram colocados em casa de férias coletivas dadas pelo Eisa …

…O pátio da empresa, que hoje possui o maior número de encomendas do Brasil, está parado, o que deixa um futuro de incerteza para os funcionários e suas famílias…

…Atualmente, os trabalhadores do Eisa (Ilha) já vêm enfrentando o atraso de salários e outros direitos. No ano passado, mais de 400 foram demitidos …SINDIMETAL-RJ”.

A carta completa e mais informações você pode ler neste link: http://migre.me/kxsFC

COMENTÁRIOS
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  1. Há lagoas

    Sempre torci pela implantação desta grande indústria em território alagoano, mas, nunca deixei de ser realista e por consequência pessimista.
    O que eu não entendo, meu caro Edivaldo, é como toda essa morosidade e má vontade não pode ser colocada na conta do atual governo de Dilma?
    Para um Estado pobre como o nosso, e diante de tantos percalços pelo caminho, fica aqui minhas indagações:
    A refinaria Abreu e Lima, como ela conseguiu em tempo recorde a sua licença ambiental?
    E o que dizer de outros estaleiros aqui no Nordeste, que conseguiram em tempo hábil a sua licença?
    E o que ocorre hoje na Petrobras, não interfere diretamente na crise da indústria naval?
    A quem devemos culpar pela perca deste grande investimento?
    São indagações, das quais eu gostaria de obter resposta…

  2. Adriel Batista Correia de Melo

    Maceió,20 de julho de 2014

    Senhores(as)

    As soluções são se associar com algum estaleiro da Coréia
    colocar os 3.000 trabalhadores do EISA para trabalhar no esteleiro de Coruripe.já que eles tem conhecimento profissional.
    E fechar ou vender oestaleiro “EISA”.

    Adriel Batista Correia de Melo

  3. Antônio carlos amorim

    Caro Edivaldo,não que não seja verdadeiro o seu relato,mas desde 2009 que todo alagoano,fala nos maus alagoanos,como também , todos alagoanoscitava o nome dos maus alagoanos,Renan Calheiros,o alagoano que tudo pode nesse país,fechou a pauta para esse assunto segurando no IBAMA a licença até o dia de hoje,o outro é Fernando Collor,que de tanto odiar o governador TeotonioVilela,se uniu a Renan para não dar prestígio ao governador prejudicando milhares de alagoanos,fazendo com que essa licença não saísse,até eles ganharem a eleição,coisa que não vai acontecer,e se acontecesse o empregsário german Eframovich,que não chegou aonde chegou,sendo estúpido,é claro que há muito tempo, percebeu que os dois estão segurando esse projeto.E agora nós podemos ter certeza que esse estaleiro não virá mesmo para o nosso estado,em momento algum,primeiro pelo motivo que você já relatou e que é verdadeiro,a crise financeira do grupo, provocada pela PDVSA da Venezuela,que não honrou seus compromissos com o EISA Rio,segundo,que o empresário não confia de jeito nenhum nessas duas pessoas tão conhecida dos alagoanos,e que com a vitória ou não dos dois,ele teria obstáculos enormes a superar para desenvolver um projeto de tal magnitude,portanto Edivaldo,sua informação está correta,mas só pela metade,mas enfim o triste disso tudo,tanto como outros vários empreendimentos Alagoas foi mais uma vez preterida de se desenvolver,não foi o Téo que perdeu para os dois,mas milhares de alagoanos.

  4. Maxuel

    Eu não acredito que o Eisa Alagoas seja prejudicado, pois os recursos para a sua construção não virá do Eisa do Rio de Janeiro.

    E outra é que o Eisa do Rio de Janeiro passa por crise, por causa de encomenda canceladas da petrolífera venezuelana, que já deu vários calotes em muitos países, inclusive na refinaria pernambucana Abreu e Lima.

    O Eisa alagoas receberá encomendas de empresas sólidas, comprometidas com a honestidade.

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