Os laços e ‘sacrifícios’ familiares na política de Alagoas
   17 de novembro de 2014   │     16:09  │  1

Nunca na história recente a política alagoana foi tão ‘familiar’ como agora. Não. Estou falando de Renan Filho. Não apenas dele. Na prática os principais personagens, as grandes lideranças da atualidade tem algum vínculo de parentesco de primeiro ou segundo graus com outros políticos não menos importantes.

Vamos começar pelo cargo mais desejado?

O atual governador, Teotonio Vilela Filho, foi eleito, em 1986 senador, aos 35 anos de idade, apenas e tão somente porque  carregava o nome do pai, o “menestrel das Alagoas”, o cavaleiro andante da  redemocratização.

O futuro governador também é filho de um senador, personagem com forte liderança na política nacional e chega ao governo – apesar do nome – também por méritos próprios. Antes de concorrer ao governo, Renan Filho foi duas vezes prefeito de Murici e deputado federal.

O senador Fernando Collor, apesar de ter chegado ao governo de Alagoas e a presidência da república por seus próprios méritos, também tem fortes raízes políticas na família. Seu pai, Arnon de Mello, foi senador e governador de Alagoas.

Os outros senadores de Alagoas – Benedito de Lira e Renan Calheiros  – também tem parentes com um pé na política, mas abriram caminho para uma nova geração em suas famílias.

Guilherme Palmeira, pai do prefeito de Maceió, Rui Palmeira, foi senador e governador e é filho de Rui Palmeira, uma das maiores lideranças polícias do estado nos anos 50.

Os governadores e senadores de Alagoas vêm, com frequência, de famílias com forte tradição política. Na bancada de Alagoas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa não é diferente.

Basta ver os “sacrifícios” de pais e filhos nas eleições deste ano. O esforço de eleger o filho (as vezes o pai) nem sempre dá o resultados esperado. Deputado estadual reeleito João Beltrão, do PRTB, coseguiu ver seu filho, Marx Beltrão (PMDB), ser eleito para a Câmara Federal com uma grande votação. Já o deputado estadual reeleito Antônio Albuquerque (PRTB) não teve a mesma “sorte”. Seu filho, Nivaldo Albuquerque teve uma excelente votação, mas ficou na primeira suplência de deputado federal pelo PRP. Um destino semelhante ao filho de Cícero Amélio, atual presidente do Tribunal de Contas de Alagoas. Val Amélio (PRTB) ficou também na primeira suplência.

Depois de várias legislaturas na Assembleia Legislativa de Alagoas, Gilvan Barros deixa a Casa, mas conseguiu eleger para sua vaga Gilvan Barros Filho. Fernando Toledo, atual presidente da ALE também vai encerrar a carreira política, mas será substituído no legislativo por Bruno Toledo, seu filho.

Flávia Cavalcante não conseguiu, apesar do grande esforço da família, eleger o pai, Cícero Cavalcante. Mas como ele ficou na primeira suplência, tem grande chance de assumir uma vaga na ALE, na próxima legislatura, que começa a partir de fevereiro de 2015.

Outro “sacrifício” foi o de João Caldas, do SD. Ele preferiu concentrar esforços na eleição do filho, JHC (SD), eleito deputado federal com a segunda maior votação da história de Alagoas. Caldas não conseguiu se eleger federal e ficará sem mandato.

Reeleito, o deputado federal Givaldo Carimbão (PROS) também concentrou esforços para eleger Carimbão Junior (PROS), que conseguiu se eleger deputado estadual. Por conta disso ele teve uma votação abaixo do esperado. Há quem diga que em algumas cidades ele pedia que votassem no filho, nem que tivessem de deixar de votar nele.

Há quem diga que Benedito de Lira (PP) estaria disposto a se sacrificar pela eleição do filho, Arthur Lira (PP), que conseguiu se reeleger para a Câmara Federal.

Para ver o quanto é importante o grau de parentesco na política, basta ver a árvore genealógica da Assembleia Legislativa. Pelo menos dois a cada três dos 27 deputados  eleitos este ano, são parentes em primeiro ou segundo graus de um político importante do estado.

É o caso, entre outros, de Edval Gaia Filho, Davi Davino, Carimbão Junior, Gilvan Barros Filho, Isnaldo Bulhões Junior, Dudu Hollanda, Marquinhos Madeira, Rodrigo Cunha, Ricardo Nezinho, Jó Pereira, Bruno Toledo, Marcelo Victor, Jaizirnho Lira, Olavo Calheiros,Inácio Loiola e Antonio  Albuquerque, que começaram na política pelas mãos de pais ou irmãos.

 

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