Para ficar com Renan, Vinicius Lages recusou convites de Dilma
   17 de abril de 2015   │     10:58  │  0

A troca de comando no Ministério do Turismo já era esperada. Mas que ninguém se engane. O “jogo” que levou à substituição do alagoano Vinicius Lages pelo ex-presidente da Câmara Federal, Henrique Alves, ainda está longe de acabar.

O que está por trás da mudança ministerial é uma disputa interna de poder no núcleo duro do PMDB e no próprio governo federal. Cacifado por Mercadante, o vice-presidente, Michel Temer, fez valer sua força de ‘articulador político’ do Planalto ao bancar a troca ministerial.

Ao fazer isso, Temer espera resolver em parte o “problema” da bancada do PMDB na Câmara. Mas em contrapartida pode ter criado uma dor de cabeça ainda maior no Senado.

Renan Calheiros recusou todos os cargos que lhe foram oferecidos como compensação para a saída do seu “afilhado” do Ministério do Turismo. O presidente do Senado não quis nada. E nem se deu ao trabalho de ir a posse de Alves.

Temer espalhou, ontem, que teria nomeado um indicado de Renan para uma das diretorias da Anvisa. Se foi um gesto para agradar, o efeito deve ser justo o contrário.

A nomeação do ex-ministro para a chefia de gabinete de Renan Calheiros foi um recado para o governo. O presidente do Senado avisou que “não quer cargos”. É claro que a fatura “vem depois”.

Quanto a Vinicius Lages, o que pode-se dizer é que ele saiu pela porta da frente, muito prestigiado e respeitado em Brasília. Poderia ter assumido outro cargo importante na estrutura federal, alguns até com mais força e prestígio que o ministério.

A própria Dilma Roussef convidou o ministro para a presidência de alguns órgãos e lhe ofereceu a Eletrobras e a Conab, entre outros. Foram cargos que a presidente ofereceu ao “próprio” Vinicius, em função do seu desempenho e do relacionamento construído entre ambos.

Ele preferiu dizer não a presidente e ficar com Renan Calheiros. Não era melhor escolha. Era a única. Ao menos para quem pensa grande e enxerga na frente.