Para ‘driblar’ crise, fornecedores querem receber débitos de usinas em açúcar e etanol
   17 de maio de 2015   │     17:42  │  0

Em meio a maior crise que já atingiu o setor sucroalcooleiro de Alagoas, a Associação dos Plantadores de Cana realiza, nesta segunda-feira, reunião com seus associados para discutir estratégias que resultem no pagamento dos valores devidos pelas usinas aos fornecedores do estado.

O  encontro, a partir das 9h da manhã na sede da Asplana, em Jaraguá, deve ser marcado por “fortes emoções”, em função das  dificuldades vividas pela maioria dos 7,5 mil  produtores do estado.

“Tem plantador de cana que não tem mais dinheiro nem para fazer a feira, quanto mais para tratar do canavial. O pequeno não tem o que comer, o médio e o grande não tem como pagar os trabalhadores. É uma situação que mexe com os nervos dos fornecedores”, avalia o presidente da Asplana, Lourenço Lopes.

Apesar do “clima quente”, a Asplana vai trabalhar para encontrar saídas que assegurem o pagamento dos fornecedores, mesmo sabendo que o setor sucroalcooleiro como um todo enfrenta uma crise profunda em função de problemas de mercado, aumento de custos de produção e falta de crédito.

A dívida cobra pelos plantadores de cana de Alagoas é avaliada em cerca de R$ 200 milhões pelos técnicos da Asplana, o equivalente a cerca de 3,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar ou um terço de toda a produção.

“Mais de 90% dos nossos associados são pequenos produtores e estão passando por dificuldades. Não têm dinheiro para fazer os tratos culturais e para sobreviver no campo. Fornecemos à cana as usinas. Elas processaram o açúcar e o etanol, venderam e receberam pelos produtos. Agora, queremos que elas paguem o que devem aos fornecedores”, alerta Lourenço Lopes.

“Algumas usinas estão pagando aos poucos e outras prometem começar a pagar logo. O importante é que as indústrias deem alguma esperança ao produtor,  que está  enfrentando um momento de aflição”, reforça o presidente da Asplana.

Para viabilizar o pagamento de atrasados aos fornecedores, a diretoria da Asplana promete apresentar uma proposta inovadora durante a reunião desta segunda-feira: “a usina que não tiver dinheiro e não conseguir recorrer a financiamentos bancários poderá pagar o fornecedor com o equivalente em açúcar ou em etanol”, sugere o presidente da entidade.