Fornecedores de cana se mobilizam para receber atrasados de usinas
   18 de maio de 2015   │     23:12  │  0

A crise do setor sucroalcooleiro de Alagoas coloca, mais uma vez, fornecedores de cana e usineiros “frente a frente”. Os produtores decidiram partir para a mobilização política para cobrar pagamentos atrasados pelas indústrias.

A “largada” na mobilização foi dada em reunião na sede da Asplana, em Maceió, nesta segunda-feira. Os fornecedores aproveitam para cobrar ajuda do governo do estado e do governo federal.

Na próxima segunda-feira, 25, os fornecedores realizam uma assembleia geral para decidir  se vão “engrossar o caldo” ou se contentarão, por enquanto, com respostas a negociações que acontecem ao longo desta semana.

Na quarta-feira, diretores da Asplana tem reunião com a diretoria da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas para falar sobre o atraso de pagamento de algumas usinas cooperadas. Nesta segunda, os diretores se reuniram com um dos maiores grupos do setor e tem outras reuniões marcadas até a próxima sexta-feira.

“O que queremos é que nos apresentem pelo menos uma proposta de pagamento”, adianta Lopes.

De acordo com a Asplana, os valores atrasados das usinas chegam a R$ 200 milhões, o que representam um terço da cana dos fornecedores.

A Asplana também espera se reunir como governador Renan Filho durante esta semana para cobra r uma resposta da proposta de implantação do crédito presumido para fornecedores no limite de até10 mil toneladas de cana e de uma política de incentivo ao etanol: “queremos que Alagoas siga o exemplo de Goias e Minas Gerais, que  aumentaram o ICMS da gasolina e reduziram o do etanol”, aponta Lopes.

A Asplana também promete retomar a mobilização pela liberação dos pagamentos da  subvenção da cana pelo governo federal.

A mobilização

A assessoria da Asplana distribuiu texto sobre a reunião. Veja

Após meses sem receber pela cana vendida as usinas, fornecedores alagoanos realizaram na manhã desta segunda-feira, 18, na sede da Asplana, uma reunião para traçar um plano de ação para forçar as indústrias a honrarem com os compromissos.

“Os produtores, principalmente os pequenos, estão passando por sérias dificuldades. Venderam a cana e não receberam. Quem tem trabalhador, não está conseguindo pagá-lo. A situação a cada dia fica mais complicada. A maioria das usinas não está pagando ao fornecedor”, afirmou o presidente da Asplana, Lourenço Lopes.

Com o propósito de encontrar uma saída para o impasse, uma comissão – formada por diretores da Asplana e fornecedores de cana – estará reunida, na próxima quarta-feira, 20, às 10h, com o presidente da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA), José Ribeiro Toledo Filho.

“Nesta reunião vamos tratar apenas das usinas cooperadas que estão em débito com os fornecedores. Estamos aguardando a resposta do presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, para que também possamos nos reunir com ele e discutir o problema com as demais usinas existentes no Estado”, reforçou Lopes.

De acordo com o presidente da Asplana, uma audiência pública está sendo agendada na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas para debater as dificuldades que atravessam os fornecedores de cana alagoanos.

“Vamos levar ao conhecimento dos deputados e de toda a sociedade a nossa insatisfação. Vamos pedir também que o governo estadual aprove o crédito presumido e que qualquer incentivo fiscal as usinas só seja concedido para aquelas que estiverem em dia com os fornecedores”, afirmou.

Outra decisão dos fornecedores na reunião desta segunda-feira, diz respeito a realização de uma assembleia geral da categoria, que ainda não tem data marcada, para uma tomada de decisão mais dura quanto ao problema do atraso no pagamento.

“Neste caso, se for necessário vamos acionar a justiça e o Ministério Público para que seja dada uma solução a este impasse”, finalizou Lopes, lembrando que na próxima segunda-feira, 25, uma nova reunião com os fornecedores será realizada, às 09 horas, na sede da Asplana.