Tensão marca véspera do processo de venda das usinas da Laginha em Minas Gerais
   11 de setembro de 2016   │     18:44  │  1

O juiz Kleber Borba Rocha, responsável pelo processo, marcou para o próximo dia 15 a audiência a abertura de propostas para venda de duas usinas pertencentes a Laginha Agroindustrial, localizadas em Minas Gerais – Triálcool e Vale do Paranaíba.

A venda de apenas uma das duas unidades seria suficiente para quitar todos os débitos trabalhistas da Laginha, estimados em menos de R$ 200 milhões.

Mas desde que foi anunciada para o dia 15 de setembro, a audiência para a venda das usinas mineiras Triálcool e Vale do Paranaíba, duas ações criminosas ocorreram. A primeira foi um incêndio sem grandes danos na Usina Vale do Paranaíba, em Capinópolis, em meados de agosto; na semana passada foi registrada uma invasão nas terras da Usina Triálcool, em Canápolis, pelo MST e outros movimentos sem-terra, que integram a União Nacional de Luta Camponesa (UNLC).

O administrador judicial da Massa Falida do Grupo João Lyra, João Daniel Fernandes, foi à Minas Gerais para monitorar a invasão da Usina Triálcool. “Encontramos uma situação caótica, beirando à agressividade. Mas com a ajuda de representantes da sociedade civil organizada e da Polícia Militar de Minas Gerais, comandada pelo tenente Alexandre, do Batalhão de Canápolis, conseguimos liberar os funcionários feitos reféns, evitar a invasão e depredação do parque industrial”, relatou.

João Daniel informou que cerca de 100 integrantes dos movimentos sem-terra deixaram a usina e se deslocaram para a Fazenda Germina, também do grupo e que já havia sido invadida e depredada no dia 31 de julho.

Um dos líderes do movimento, Erivaldo Miguel, o Neguinho, explicou que os trabalhadores sem-terra querem a desapropriação da área da Usina: “As terras estão improdutivas. Nosso movimento tem o direito de reivindicar reforma agrária para gerar a economia inclusiva”, afirmou.

Explicação Judicial

O administrador judicial, explica que não há como reivindicar a desapropriação, porque as áreas serão vendidas para pagar direitos de milhares de trabalhadores da Laginha. “Com a arrecadação, vamos pagar indenizações de trabalhadores acidentados, aposentados e de milhares de trabalhadores que esperam há anos por justiça. Então, não há como fazer justiça com uns para cometer injustiça com outros”, aponta João Daniel.

Em Alagoas, durante a crise, o gestor judicial da Laginha, Henrique Cunha, comandou o jurídico para que houvesse uma reação em tempo real que embasasse as atitudes tomadas em Minas Gerais.

Segundo informações levantadas pela administração judicial, com os trabalhadores sem-terra, a invasão faz parte de uma série de ações que serão promovidas pelos grupos.

Pedro Dantas, um dos coordenadores dos movimentos, disse, durante contato com a imprensa que novas invasões podem ocorrer: “Nós conversamos com o deputado federal Tenente Lúcio (PSB-MG) e fomos orientados a ocupar as fazendas que não estão produzindo como devia. Vamos em busca de nossos direitos”, disse.

Juiz mantém audiência para venda das unsias

Apesar do clima de tensão, o Juiz Kleber Borba mantém a audiência para venda das usinas. Veja trechos da: “determinei a venda das Usinas Vale do Paranaíba e Triálcool, estabelecendo, dentre outras medidas, a forma e a modalidade de alienação e …redesigno a audiência de entrega e abertura das propostas para o dia 15/09/2016, às 09h00min, na 1ª Vara da Comarca de Coruripe… E acrescento, por relevante, que a alienação dos bens observará, no que for cabível, as disposições dos arts. 879 e seguintes do CPC e que as quantias recebidas a qualquer título serão imediatamente depositadas em conta remunerada de instituição financeira (conta judicial no Banco do Brasil S/A), ficando à disposição deste Juízo para o pagamento dos credores.

Ressalto que a proposta fechada constitui uma declaração de compra, oferta efetiva, razão pela qual o proponente, após a entrega do envelope, estará vinculado à sua proposta, eis que não se admitirá retratação. Destaco, outrossim, que o proponente que vier a proceder de modo temerário estará sujeito às penalidades previstas nos arts. 142, §6º, inc. III, da LF (obrigação de prestar a diferença ofertada), e 81 do CPC (pagamento de multa por litigância de má-fé)”.

COMENTÁRIOS
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  1. Ex Colaborador 3

    Não acredito mais nessa justiça, pois não conseguem enxergar o sofrimento dos ex funcionários. Dia 15 se abrirá a propostas e junto também serão abertos os recursos dos bancos (Que quanto mais tempo passar maior será a retirada de juros) e do João Lyra (Que quer manter seu ego, pois é orgulhoso) contra a venda das usinas. Eles não estão errados, pois a favorecimento das leis brasileiras. Nós trabalhadores que estamos errados, por buscar nossos direitos. Nós estamos errados por não termos dinheiro para contratar escritórios de advocacia. Mas ao contrário de nossos “recurseiros” temos a família ao nosso lado. Algo que o Sr. João Lyra não tem. Onde ela precisando de nosso dinheiro para sobreviver, continua ao nosso lado pelo amor. E não pelo dinheiro.

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