Mudança na mesa diretora reflete insatisfação de deputados com governo RF
   2 de fevereiro de 2017   │     12:13  │  0

Se o governador Renan Filho tinha dúvidas sobre o clima de “insatisfação” de vários deputados estaduais, elas acabaram nessa quarta-feira, 1o, com a eleição da nova mesa diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas.

Luiz Dantas ganhou com margem mínima. O resultado, repetem os parlamentares, refletiu o descontentamento da maioria com o Palácio dos Palmares.

Não foi só isso, claro. O grupo que comandava a mesa até então errou na mão – e muito – na medida em que não conseguiu uma interlocução com todos os deputados.

O fato é que a partir de agora o governador deve enfrentar dificuldades crescentes para aprovar matérias de interesse do Executivo na ALE. O clima de “rebelião” é forte dentro de Casa.

A insatisfação, pelo que se sabe não é exclusiva da bancada de oposição (embora poucos parlamentares assumam publicamente essa posição) também domina a bancada do governo.

O veto do governador ao aumento de salário dos deputados foi, para muitos, a “gota d’água”. Nada que não se soubesse. Vários sites registraram que a decisão do governador poderia – como aconteceu – provocar uma reviravolta na eleição da mesa diretora.

As queixas dos deputados também se estendem a falta de participação no governo e ao tratamento que muitos vem recebendo da equipe de Renan Filho.

Nesse cenário, o deputado Marcelo Victor, que assumiu a 1a Secretaria da ALE – e vai comandar toda a administração, inclusive financeira da Casa – encontrou terreno fértil para trabalhar.

O governo tentou reverter a mudança na mesa diretora. Mas quando o governador Renan Filho chegou começou a falar com os deputados, já não havia mais tempo para evitar a derrota do grupo que comandou a ALE nos últimos dois anos.

Com a saída de aliados importantes – a exemplo de Isnaldo Bulhões Jr e Ronaldo Medeiros – do comando da ALE, relação do Executivo com o Legislativo, a partir de agora, será mais complexa e vai exigir muito mais esforço do governador e de sua equipe.

Tapinhas nas costas

Ao governador, os deputados – incluindo os mais próximos do Palácio dos Palmares – costumam dizer que está “tudo bem”. Mas quando falam longe de Renan Filho, a história é outra. Entre as principais críticas está a falta de interlocução com o governo.

Nada que não possa ser resolvido com um bom articulador político e uma dedicação de mais tempo do próprio governador para atender os deputados. Claro que só isso não basta. O governo terá que avaliar se vai atender interesses que passam pela nomeação de indicados dos parlamentares no Executivo, além de outras benesses.