Téo Vilela, o “Bobão”, e o “Fantasma” teriam negociado propina de R$ 2,8 milhões
   14 de abril de 2017   │     23:35  │  8

O jornal “O Estado de São Paulo” traz detalhes, em reportagem desta sexta-feira, 14, de negociação de propina com a Odebrecht que envolveria o ex-governador Teotonio Vilela Filho, o irmão dele, o empresário Elias Vilela, o ex-secretário de Infraestrutura do Estado, Marcos Fireman e um ex-assessor da Seinfra, Fernando Nunes.

A propina negociada teria sido de R$ 2,8 milhões, revelou o executivo Alexandre Biselli, um dos delatores da Odebrecht na Operação Lava Jato. Ele narrou ao Ministério Público Federal uma reunião, sob clima ‘caloroso’, em que houve o acerto de propina para gastos da campanha de 2010 do então governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (2007-2014 pelo PSDB), que aparece com o codinome de ‘Bobão’. Segundo relato de Biselli, o codinome de Marcos Fireman é “Fantasma” e de Fernando Nunes, “Faisão”.

As negociações aconteceram, narra o delator, no antigo Hotel Radisson, na praia de Pajuçara, em Maceió e envolveram as obras do Canal do Sertão, no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Alagoas. Biselli relata que os empenhos para o trecho do Canal do Sertão realizado pela Odebrecht aumentaram significativamente após o acerto de pagamento de percentual de 2,25% sobre o valor da obra.

O delator descreveu os pagamentos: R$ 1 milhão em 9 de junho de 2014; R$ 906 mil em 15 de setembro de 2014; R$ 238 mil em 13 de outubro de 2014; R$ 150 mil em 19 de novembro de 2014; R$ 350 mil em 20 de novembro de 2014; e, R$ 170 mil em 21 de novembro de 2014.

Os valores, segundo Biselli, eram pagos em espécie e ‘nunca recebeu reclamação de não recebimento’. Ele identificou três apelidos: ‘Bobão’ (governador Teotônio Vilela: R$ 1 milhão, R$906 mil e R$ 150 mil), ‘Faisão’ (Fernando Nunes: R$ 238 mil e R$ 170 mil) e ‘Fantasma’ (Marco Fireman: R$ 350 mil).

Outro lado

Em nota distribuída por sua assessoria, o ex-governador nega a negociação de propinas: “O ex-governador Teotônio Vilela Filho reafirma que em sua vida pública nunca negociou favores ou autorizou quem quer que seja a negociá-los em seu nome. Diz também que as doações para suas campanhas eleitorais sempre ocorreram de forma legal e todas declaradas à Justiça Eleitoral”.

Também em nota sobre este caso, o ex-secretário Marcos Fireman nega que tenha recebido ou negociado propina: “Quero ressaltar que minha passagem pela secretaria foi marcada por um trabalho sério. Desafio qualquer delator a provar que teve alguma tratativa comigo de propina ou qualquer outro tipo de ilicitude”.

Leia a reportagem:

Delator narra ‘clima quente’ em acerto de propina para tucano ‘Bobão’ em hotel

Alexandre Biselli, da Odebrecht, contou à Lava Jato que se reuniu com o então governador Teotônio Vilela (PSDB) para acertar pagamentos que somaram R$ 2,056 milhões destinados à campanha de 2014

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Breno Pires e Fábio Serapião

14 Abril 2017 | 06h00

As obras milionárias do Canal do Sertão, no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Alagoas, foram objeto de negociação de propina em um hotel à beira-mar de Maceió, em 2014. O executivo Alexandre Biselli, um dos delatores da Odebrecht na Operação Lava Jato, narrou ao Ministério Público Federal uma reunião, sob clima ‘caloroso’, em que houve o acerto de propina para gastos da campanha de 2010 do então governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (2007-2014 pelo PSDB), o ‘Bobão’.

O Canal do Sertão, quando concluído, terá 250 quilômetros de extensão e levará água para cerca de 1 milhão de pessoas em 42 municípios de Alagoas. O investimento total na obra é de R$ 1,5 bilhão, segundo o site do PAC.

Biselli contou sobre três pagamentos no Sistema Drousys, a rede de comunicação interna, uma espécie de intranet, dos funcionários do ‘departamento da propina’ da Odebrecht, e três pagamentos apreendidos na 26.ª fase da Operação Lava Jato, totalizando R$ 2,814 milhões.

O delator descreveu os pagamentos: R$ 1 milhão em 9 de junho de 2014; R$ 906 mil em 15 de setembro de 2014; R$ 238 mil em 13 de outubro de 2014; R$ 150 mil em 19 de novembro de 2014; R$ 350 mil em 20 de novembro de 2014; e, R$ 170 mil em 21 de novembro de 2014.

Os valores, segundo Biselli, eram pagos em espécie e ‘nunca recebeu reclamação de não recebimento’. Ele identificou três apelidos: ‘Bobão’ (governador Teotônio Vilela: R$ 1 milhão, R$906 mil e R$ 150 mil), ‘Faisão’ (Fernando Nunes: R$ 238 mil e R$ 170 mil) e ‘Fantasma’ (Marco Fireman: R$ 350 mil).

Acerto. Alexandre Biselli detalhou à Lava Jato todo o processo de acerto da propina. O início das ‘tratativas’, declarou, se deu entre janeiro e fevereiro de 2014 pelo então secretário da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) de Alagoas, Marco Antônio Fireman.

“Fui até essa reunião, ele conversou comigo sobre obras e depois me passou um assessor dele, o sr. Fernando Nunes”, contou. “Nessa ocasião, o sr. Fernando Nunes perguntou para mim que teria um acerto datado da época de concorrência dessa obra, em 2009, eu ainda não estava na Odebrecht, de 5% sobre o valor do contrato para poder fazer parte das tratativas de campanha para o sr governador Teotônio Vilela Filho em 2010.”

Biselli era diretor de contrato das obras do canal do Sertão. João Pacífico, diretor Superintende do Nordeste e de algumas obras/estado do Centroeste.

“Eu fui lá para a reunião e aí seo Marco Fireman em determinado momento pediu para eu conversar com o seo Fernando na sala ao lado. Foi quando o seo Fernando fez a abordagem se eu sabia desse assunto, que teria um compromisso de 5% para a campanha do então governador Teotônio Vilela. Eu disse que não sabia. Eu procurei meu líder João Pacífico, que disse que desconhecia esse compromisso, que eu poderia retornar com esse assunto com o seo Fernando ou com o secretário.”

Dois meses após esse encontro, afirmou o delator, o escritório de João Pacífico ‘recebeu uma ligação do governo do Estado, marcando uma reunião em Maceió para falar de assuntos relativos à obra’. O encontro se deu no hotel Radisson, em Maceió no hotel à beira-mar.

“A gente estranhou que a reunião era em um hotel não era no Palácio do Governo. Eu me informei lá, diz que era muito normal ele ter vários despachos em hotéis”, contou Biselli.

O delator afirmou que ele e João Pacífico entraram na sala de reunião, onde estavam ‘o sr governador Teotônio Vilela, o sr Marco Fireman e o sr Fernando Nunes’.

“Num dado momento dessa reunião, esse assessor, o sr Beto, interrompeu a reunião e disse ao governador que ele precisava sair para atender uma outra pessoa em outra sala. Nessa saída do governador, o sr Marco Antonio Fireman, instantes depois que ele saiu, abordou o sr João Pacífico dizendo que eu tinha retornado com um recado que não existia compromisso que eles estavam precisando muito de um dinheiro para a campanha. O sr João Pacífico disse que não tinha nenhum compromisso nesse sentido, que não podia dar nenhum dinheiro para obra”, disse.

“Em dado momento o sr Marco Fireman disse ao sr João Pacífico que seria melhor, então, que tirasse a obra da Odebrecht, que teria segundo colocado da concorrência, que seria a OAS.”

Biselli declarou que ‘ficou um clima um pouco desagradável’.

“Nisso o sr governador voltou. Quando ele voltou, já era não sei que horário. O sr João Pacífico falou: ‘olha, sr governador, a gente já veio aqui, já conversamos sobre os assuntos da obra. Se não tiver mais nada para falar a gente vai embora’. A gente se despediu de todos”, afirmou.

Segundo o delator, esta reunião durou em torno de uma hora. Teotônio Vilela, declarou, ficou ‘uns 20 minutos’ fora da reunião.

“Na minha percepção, uma saída combinada, uma saída meio teatral. Ele sai em determinado momento para as pessoas falarem do assunto sem ele estar presente. Por que eu corroboro com essa ideia? Por que mais ou menos depois de 2 meses, o Palácio do Governo fez outra ligação para o escritório do sr João Pacífico marcando uma nova reunião. Nessa nova reunião, como era de obras, sr João Pacífico também me chamou. Foi no mesmo local”, disse.

O novo encontro também ocorreu no hotel Radisson.

Alexandre Biselli disse que Elias Vilela, irmão do governador, estava na reunião. Após o governador sair novamente da reunião, disse que havia dívidas ainda pendentes e ele precisava dos valores da Odebrecht para resolver a pendência.

Desta vez, segundo o delator, a propina foi acertada. De acordo com o delator, João Pacífico, após as conversações com Elias Vilela, aceitou pagar 2% dos valores da obra.

A conversa com Elias Vilela, narrou ‘começou num tom normal, mas às vezes ficou um pouco mais impositivo, ficou um pouco mais exaltado, porque queria que o compromisso fosse feito, queria a contrapartida, queria que desse alguma coisa’. “Ficou um clima um pouco mais caloroso, quente”, disse.

“Nessa vez não teve ameaça de retirar da obra como teve na primeira vez. Mas falou: ‘a obra vai ficar muito difícil, não ter um bom andamento, não vai ter recurso disponível.”

O executivo contou que foi convocado por Fernando Nunes na sede da Seinfra que pediu que a porcentagem de 2% fosse acrescida de 0,25%. João Pacífico autorizou o aumento.

Depois das tratativas, o empenho da obra ‘cresceu muito’ em 2014. De R$ 53 milhões em 2013, os empenhos foram para R$ 214 milhões em 2014. O acréscimo significativo foi depois da reunião, declarou.

O Ministério Público Federal questionou o executivo sobre a conclusão da obra. “Está andando de forma bem devagar por falta de empenho. Ela não teve nenhuma paralisação. Ela ainda está em execução. Começou mais devagar em 2015.”

COM A PALAVRA, TEOTÔNIO VILELA FILHO

O ex-governador Teotônio Vilela Filho reafirma que em sua vida pública nunca negociou favores ou autorizou quem quer que seja a negociá-los em seu nome. Diz também que as doações para suas campanhas eleitorais sempre ocorreram de forma legal e todas declaradas à Justiça Eleitoral.

Assessoria de Comunicação do ex-governador Teotônio Vilela Filho

Leia aqui na íntegra

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/delator-narra-clima-quente-em-acerto-de-propina-para-tucano-bobao-em-hotel/?success=true

COMENTÁRIOS
8

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. Pablo Manoel Martins

    Mais importante que falar é o delator provar que realmente isso aconteceu, não só com o ex-governador e seus assessores, mas com todos os outros denunciados. Parece mais uma fala de desespero que delação.

    1. Cesar

      Amigo, desculpe mas delator não é imbecil além de que possuem advogados experientes onde os mesmos sabem que toda delação deve ser provada e não somente falada, pois caso contrário eles tendem a se complicar mais ainda na justiça. Ratificando meu comentário acima o primeiro mandato do apelidado na delação de “Bobo” foi de 2007 a 2010 e não 2008.

  2. Edgar

    Téo é o cara.
    Reajuste pelo IPCA todos os anos, diferentemente de hoje onde estamos no terceiro ano do atual governo e só tivemos um reajuste de 5% dividido em três vezes.
    Saudades do Téo, todos funcionários tem.

    1. Cesar

      Amigo, desculpe mas talvez só você tenha saudades. Pois o seu fã ficou o primeiro mandato (2008-2010) sem conceder reajuste para ninguém esqueceu? Tanto é que no segundo mandato ele veio com uma história de 4% e os servidores quase que derrubaram a Assembleia e o Palácio, onde ele com medo adicionou mais uns décimos.

  3. Gabriel

    Quem é que doa de boa vontade nesse Brasil? Vejam as palavras de Marcelo e Emilio Odebretch, eles mesmos dizem que eram praticamente extorquindo.Elias, Marcos, Fernando, Beto, todos eles são coniventes e participantes desta quadrilha liderada pelo Téo, o Bobão.

  4. Edgar

    Téo, é que era governador, o funcionário tinha a devida correção todos os anos sem problemas.
    Volta Téo.

    1. Cesar

      Sua memória está um pouco falha. De 8 anos de mandato, só houve reajuste em 4. Além de que em 2007, no primeiro ano, não houve reajuste e sim cortes nos salários. No oitavo ano quase que não haveria reajuste.

Comments are closed.