Alagoas começa safra de cana com expectativa de perdas de mais de 20%
   24 de agosto de 2017   │     16:14  │  0

A safra de cana-de-açúcar 2016/2017 foi uma das menores da história de Alagoas. A produção de 16 milhões de toneladas – cerca de 12 milhões toneladas a menos do que a média histórica – no entanto pode ser ainda menor na moagem que começa, oficialmente em Alagoas, no próximo dia 2 de setembro, pela usina Pindorama.

Até agora, de um total de 24 indústrias, apenas 14 usinas confirmaram que vão operar nesta safra. Usinas como a Triunfo, Porto Alegre, Roçadinho, Guaxuma, Laginha, Capricho e Sinimbu, entre outras não devem operar, mais uma vez, nesta safra.

Enquanto o Sindaçúcar-AL (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas) trabalha com a expectativa de que o estado poderá repetir a safra ou ter uma redução mínima, a Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana) estima que a quebra de safra deverá chegar a mais de 20%.

“Tivemos muita perda de socaria. Mesmo com a chuva, a produção não será recuperada. A recuperação só virá daqui a um ano, isso se os produtores tiverem condição de fazer o replantio dos canaviais”, aponta Edgar Filho, presidente da Asplana.

Além da redução da produção, outro problema que deve ser enfrentado pelo setor sucroalcooleiro em Alagoas é a queda nos preços do açúcar.

“No começo da safra passada, o açúcar VHP estava cotado a 19 cents por libra peso na Bolsa de Nova Iorque. Agora, o mesmo produto está sendo comercializado por 13 cents. Como a mais de 70% da nossa produção é para exportação, é provável que tenhamos uma queda no valor do ATR (indicador que define o valor da matéria-prima para remuneração dos fornecedores em Alagoas)”, enfatiza.

Edgar Filho diz que a queda do preço no mercado mundial também afeta os preços no mercado interno. “Em março deste ano, segundo dados do Cepea/Esalq, o saco de açúcar cristal em Alagoas era comercializado por um valor médio de R$ 91,96. Desde então, os preços vem caindo no mercado interno. Na tela da última semana (12 a 18 de agosto), o mesmo produto foi comercializado a R$ 73,20, com variação negativa de mais de 20%”, analisa Edgar Filho.

A redução da safra combinada com a queda de preços, segundo o presidente da Asplana é extremamente preocupante: “isso ocorre justo no momento em que estamos saindo de uma safra muito ruim, o que deve agravar a situação do fornecedor de cana e afetar duramente a economia de Alagoas”, aponta.

Versão oficial

A Asplana distribuiu texto com a avaliação do início de safra. Veja:

Safra começa com expectativa de queda de preço e produção

A safra 2017/2018 começa com perspectivas de queda – tanto no preço, quanto no volume de produção de cana-de-açúcar. O cenário, segundo o presidente da Asplana, Edgar Filho, é extremamente preocupante: “a seca provocou a perda de socaria em todas as regiões produtoras do estado, prejudicando principalmente o fornecedor. Com isso, devemos ter uma redução na colheita acima de 20%, apesar das chuvas, que ocorreram a partir de maio”, avalia.

Outra grande preocupação, explica Edgar, é com os preços do açúcar no mercado internacional: “no começo da safra passada, o VHP estava cotado a 19 cents por libra peso na Bolsa de Nova Iorque. Agora, o mesmo produto está sendo comercializado por 13 cents. Como a mais de 70% da nossa produção é para exportação, é provável que tenhamos uma queda no valor do ATR (indicador que define o valor da matéria-prima para remuneração dos fornecedores em Alagoas)”, enfatiza.

Os preços do açúcar no mercado nacional, que sofrem forte influência da cotação no mercado mundial, também estão em queda: “em março deste ano, segundo dados do Cepea/Esalq, o saco de açúcar cristal em Alagoas era comercializado por um valor médio de R$ 91,96. Desde então, os preços vem caindo no mercado interno. Na tela da última semana (12 a 18 de agosto), o mesmo produto foi comercializado a R$ 73,20, com variação negativa de mais de 20%”, analisa Edgar Filho.

Importação de etanol

Nesse cenário, a boa notícia, ressalta o presidente da Asplana, foi a aprovação, pela Câmara de Comércio Exterior, na última terça-feira (21) da implantação de uma taxa de 20% sobre o etanol importado pelo Brasil. A tarifa será aplicada apenas ao volume de etanol que exceder 600 milhões de litros por ano. “Somente entre janeiro e julho deste ano o Brasil importou 1,35 bilhão de litros de etanol, o que prejudica muito o mercado interno. Com a decisão da Camex, algumas indústrias poderão aumentar a produção de etanol e reduzir a fabricação de açúcar, o que pode melhorar os preços no mercado interno no médio prazo”, enfatiza.