Usina da Laginha é vendida por R$ 133 milhões, com deságio de 40%
   7 de dezembro de 2017   │     23:14  │  1

Avaliada em mais de R$ 227 milhões, a preços de 2014, a Usina Triálcool, localizada em Canápolis, Minas Gerais, foi arrematada em leilão on line por R$ 133,8 milhões nesta quinta-feira, 7, com um deságio de cerca de 40%.

O lance único foi apresentado pela Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA). O grupo, hoje com duas usinas em Minas Gerais, investiu cerca de R$ 500 milhões para colocar em operação, este ano, a usina Vale do Pontal, em Limeira do Oeste, no Triângulo Mineiro, com capacacidade de moagem de 2,5 milhões de toneladas. A capacidade de moagem da Triálcool e´de 1,8 milhão de toneladas.

A Triálcool faz parte da massa falida da Laginha Agroindustrial SA. A unidade foi vendida apenas dois dias após confirmação da venda da usina Vale do Paranaíba, que foi arrematada por R$ 206 milhões (preço mínimo) sem ágio.

Segundo advogados que representam um grupo de credores da Laginha, a venda das duas usinas foi feita sem que fosse realizada uma nova avaliação: “os preços atuais estão muito abaixo do mercado, o que poderá causar perdas significativa para os credores”, aponta.

Segundo o advogado, a maior preocupação, com a venda de ativos abaixo do valor de mercado e de avaliação, se dá em função da dívida da Laginha, avaliada em cerca de R$ 2,1 bilhões, praticamente o mesmo valor de avaliação de todos os seus ativos. “Se continuar vendendo bens abaixo do preço de avaliação, os valores arrecadados não serão suficientes para pagar todos os credores”, explica o advogado.

Avaliação de R$ 440 milhões

O valor de avaliação das duas unidades levantado em 2014 e validado pela Justiça de Alagoas em 2015 era de cerca de R$ 440 milhões: Usina Triálcool – Valor Global sem Cana R$ 227,7 milhões e Usina Vale de Paranaíba – Valor Global sem Cana R$ 211,2 milhões.

Com o deságio e outras taxas, as duas usinas foram vendidas por cerca de R$ 340 milhões ou cerca de R$ 100 milhões a menos para quitação das dívidas da massa falida.

Esses valores estão defasados e podem gerar perdas para a massa falida e, por tabela, para os credores. O Banco do Nordeste, maior credor da massa falida, pediu nova avaliação, que foi negada pelos magistrados.

O valor de avaliação das duas usinas representa apenas cerca de 20% dos débitos da massa falida apurados pela Justiça – cerca de R$ 2 bilhões.

Versão oficial

Veja texto da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Alagoas sobre a venda da Triálcool:

Usina Triálcool é arrematada em leilão por quase R$ 134 milhões

Outra usina pertencente à Massa Falida da Laginha Agroindustrial S/A foi arrematada em leilão. A Triálcool, localizada no município de Canápolis/MG, foi comprada pela Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) por R$ 133.826.220,00. O leilão terminou no início da tarde desta quinta-feira (7).

Com capacidade de moagem de 1.800.000 toneladas/safra, a Triálcool foi arrematada em segundo pregão, por 60% do seu valor de avaliação. “25% [dessa quantia] deverão ser pagos em cinco dias e o restante em três parcelas semestrais”, explicou o leiloeiro Renato Moysés.

Na última terça-feira (5), a Usina Vale do Paranaíba, também pertencente à Massa Falida da Laginha, foi vendida por R$ 206.358.000,00 pelo Grupo Japungu, que atua no ramo do açúcar e do etanol e possui usinas na Paraíba e em Goiás.

A quantia arrecadada com os leilões deverá ser utilizada para pagamento de credores da Laginha e fornecedores de serviços, além de instituições financeiras e tributos fiscais. A ordem de pagamento seguirá o que determina a Lei de Falências.

Os leilões ficaram a cargo da Superbid Judicial. O processo da Massa Falida da Laginha tramita na 1ª Vara de Coruripe e tem à frente os juízes Leandro de Castro Folly, José Eduardo Nobre Carlos e Marcella Waleska Costa Pontes de Mendonça.

Leia aqui, na íntegra: http://www.tjal.jus.br/comunicacao2.php?pag=verNoticia¬=12700

COMENTÁRIOS
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  1. Tony

    Os credores tem que entender que é normal a desvalorização dos bens leiloados, por falta de uso e manutenção, e que, nesses casos, o valor do crédito à receber também se desvaloriza monetariamente. É melhor receber menos, do que nada receber.

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