Deputado de AL apresenta projeto de que pode reduzir preço do etanol
   25 de abril de 2018   │     17:55  │  0

Tirar o “atravessador” do processo de comercialização pode reduzir o preço final do etanol que chega até todos os dias a milhões de automóveis em todo o Brasil?

Para descobrir a resposta será preciso mudar a legislação do setor de combustíveis. Atualmente a Agência Nacional de Petróleo proíbe que a indústria venda etanol diretamente para os postos. Pode vender açúcar para supermercado e até etanol para outros países, mas é obrigado a entregar o combustível, no mercado interno, para distribuidoras.

Segundo empresários do setor, o papel dos “atravessadores” neste caso específico é irrelevante do ponto de vista técnico, operacional ou logístico: “na prática, o distribuidor só atua emitindo a nota fiscal e ficando com uma margem de comercialização do produto que prejudica, numa ponta a indústria e a outra o consumidor, que paga mais caro pelo produto”, explica um empresário.

Essa regra, no entanto, pode mudar.

O deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB-AL), apresentou, nessa segunda-feira, 23, um “Projeto de Decreto Legislativo de Sustação de Atos Normativos do Poder Executivo”, que prevê a revogação do artigo 6o da Resolução ANP 43.

O artigo conta ainda com um parágrafo único, alegando que o etanol comercializado somente adquirirá a denominação combustível se atender à especificação estabelecida pela ANP, inclusive quanto à adição de corante no caso do etanol anidro, e se tal finalidade for indicada no respectivo documento fiscal.

O projeto do deputado federal de Alagoas atende sugestão da Federação dos Planadores de Cana do Brasil (Feplana). A entidade, presida por Alexandre Andrade Lima, que é fornecedor de cana de Pernambuco, defende a venda direta como forma de acabar com a diferenciação praticada pela cadeia de comercialização do etanol, que tem prejudicado o produtor e sobretudo o consumidor final.

Para resolver em definitivo o problema, o presidente da Feplana defende a venda direta pelas usinas para os postos de combustíveis. “Diante dessa anomalia localizada entre as distribuidoras e os postos de combustíveis, talvez até com prática de cartéis, não faz sentido o governo federal proibir as indústrias de comercializarem direto aos postos para ampliar a transparência do processo e baixar respectivamente os preços para o consumidor na ponta”, defende Lima.

O dirigente lembra que em grande parte do mundo a comercialização já é realizada desta maneira.

Justificativa

Na justificativa do PDL, que já tem também pedido de urgência apresentado pelo deputado JHC e aguarda o despacho do presidente da Câmara dos Deputados (Rodrigo Maia, DEM-RJ), o deputado alagoano destaca, entre outros pontos, uma posição da Advocacia Geral da União, da Nota N.1-ORJ/GAB/AGU-2009, onde afirma que “a edição de normas regulatórias sobre direitos fundamentais (como é o caso da livre concorrência e da defesa do consumidor) exige, a despeito do processo de deslegalização, a observância do conteúdo essencial. Com isso, o regulador deve se pautar pelo marco da lei e não interferir na esfera que compete ao legislador”.

Segundo o parlamentar, em sua justificativa, “ao estabelecer critérios desnecessários – além de ilegais – a Agência termina por concentrar o mercado em menos fornecedores, os quais poderão, em um mercado oligopolizado, repassar os custos ao consumidor final sem receio, o que trava a economia, já que se trata de insumo necessário à área de transportes”, alertou.