Rodrigo Cunha ‘bate’ no ICMS e Santoro reage: “desconhece o assunto”
   29 de maio de 2018   │     6:32  │  5

As redes sociais proporcionam debates inesperados e inusitados. Pelo Instagram o tucano Rodrigo Cunha cutucou a política fiscal do governo de Renan Filho. E foi por lá que o secretário da Fazenda de Alagoas , George Santoro, deu a resposta.

“Para o senhor que postula uma vaga no Senado Federal é importante conhecer sobre ICMS. Aparentemente, vejo que desconhece profundamente o assunto”, reagiu Santoro.

O deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) surfou na onda e postou novamente um vídeo de outubro de 2015 com críticas à Assembleia Legislativa de Alagoas pela aprovação do que chamou de “pacote”.

O vídeo em si não diz muito. Fica no óbvio: “…este pacote de medidas do governo do estado que vai aumentar os impostos… pode ter certeza que sua gasolina, sua roupa, sua comida, sua bebida, tudo isso vai aumentar, eu votei contrário… existem outras maneiras de aumentar a arrecadação e não colocando a mão no bolso de quem mais sofre”.

O que parece ter irritado de fato Santoro foi o texto que o deputado do PSDB usou para apresentar o vídeo: “Em meio a toda a crise que o país passa hoje, em Alagoas a situação se complica ainda mais porque somos o estado que tem o 2º ICMS mais caro do Nordeste e o 7º do país!”.

A resposta do secretário da Fazenda foi publicada nos comentários no Instagram. “Alagoas hoje possui os melhores incentivos fiscais do país e isso é política tributária que se repercute em toda a cadeia produtiva, gerando impacto desde o produtor de leite até a gôndola do supermercado”, diz Santoro.

Embora tente ser didático, o secretário não deixa de ir para o embate. É um técnico mergulhando no terreno da política. Sabe-se lá no que isso vai dar.

Toma lá, dá cá

Rodrigo Cunha deve receber também cutucadas pelas redes sociais. Amigos e aliados do governador prometem fazer circular lembretes do tempo em que o Rodrigo Cunha era presidente do Procon no governo Teotonio Vilela Filho: “no governo tucano a gasolina de Alagoas era uma das mais caras do Nordeste e do Brasil. Ele também deveria ter criticado os altos impostos quando estava no governo. Outra coisa, não vamos esquecer que o atual presidente da Petrobras também é do PSDB”, cutuca um interlocutor que circula pelo Palácio dos Palmares.

O que diz Rodrigo Cunha

“Quem se lembra do pacote de ajuste fiscal do Governo de Alagoas que a maioria dos deputados insistiram em aprovar em 2015? Aquela decisão, como disse na época, impactaria diretamente nas nossas vidas, pois aumentava o imposto cobrado sobre a gasolina. Em meio a toda a crise que o país passa hoje, em Alagoas a situação se complica ainda mais porque somos o estado que tem o 2º ICMS mais caro do Nordeste e o 7º do país”

O que diz George Santoro

[email protected] para o senhor que postula uma vaga no Senado Federal é importante conhecer sobre ICMS.

Aparentemente, vejo que desconhece profundamente o assunto. Alagoas não possui o 2° ICMS mais caro do NE e nem o 7º mais caro do Brasil. Os dados desde tributo são públicos e podem ser obtidos nos sites das SEFAZ dos estados e do CONFAZ.

Como o senhor deve saber, o ICMS é um imposto sobre o valor adicionado e o seu cálculo envolve uma série de fatores complexos que mudam conforme o tipo de produto e atividade econômica. Alagoas hoje possui os melhores incentivos fiscais do país e isso é política tributária que se repercute em toda a cadeia produtiva, gerando impacto desde o produtor de leite até a gôndola do supermercado.

Fica claro que a análise deve levar em conta toda a cadeia produtiva. Assim temos: bases de cálculo, alíquotas, benefícios fiscais, margem de valor agregado, convênios, protocolos, ajustes sinief, pauta fiscal e outros fatores que podem influenciar direta ou indiretamente na carga tributária do ICMS. Esta sim deve ser a medida correta e por setor econômico para avaliar a política tributária. Mesmo neste período de crise econômica com grande queda do PIB ou no último ano em que o país cresceu 1%, Alagoas cresceu o DOBRO! O mesmo vem acontecendo no varejo e no atacado. Todos os dados são oficiais do IBGE.”

 

COMENTÁRIOS
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  1. Antônio de Pádua

    Muito boa esta intervenção do Dep. Rodrigo Cunha, Alagoas tem os melhores incentivos fiscais como diz o séc. George para grandes empresas que gozam dos benefícios do PRODESIN. Eu sou um pequeno empresário e trabalho com produtos importados a partir de SP de onde é emitida a NF de 4%, temos que pagar aqui em Al, 17,08% de diferença de ICMS + 1% de FECOEP o que faz nossos produtos ficarem muito caros e é preciso uma providência urgente.

  2. Arthur

    Avisa aí ao senhor secretário que não precisa ser especialista pra entender que o ICMS sobre os combustíveis pesa muito mesmo! Por ele não propõe o fim das mordomias dos nossos ‘ilustres’ deputados e poder judiciário? Diminuindo o duodécimo estratosférico desses poderes…sobraria muito dinheiro evidentemente…ou precisa desenhar ??

  3. Pedro

    Rodrigo Cunha está corretíssimo, já o Sr. secretário precisa tomar ANEMOCOL, vejamos, imposto de combustível em AL é um dos 03 (três) maiores do Brasil perdendo só para o Piauí onde a alíquota sobre o litro de combustível é de R$ 1,36 e aq em nossa terrinha é de R$ 1,27.
    Resumindo, esse secretário, sei n…

  4. Lion

    A conta é simples. Diminua os gastos e você terá como diminuir as Receitas. As despesas supérfluas( diga-se cargos comissionados em excesso, regalias, etc) de nossos governantes não páram de subir. Ninguém corta na própria carne. Então essa discussão vai longe e não tem um vencedor. Apenas um perdedor: O POVO…

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