Tarifa de água de Maceió é a terceira mais cara do Brasil
   13 de junho de 2018   │     19:40  │  0

A Companhia de Saneamento de Alagoas anunciou um novo reajuste nas tarifas cobradas dos consumidores de todo o Estado. O aumento aprovado pela Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) será de 5,88% a partir de 1o de julho deste ano.

A tarifa de água e saneamento de Alagoas, antes mesmo do reajuste entrar em vigor, já é considerada uma das mais caras do Brasil. De acordo com o Ranking de Saneamento Básico 2018, do Instituto Trata Brasil, divulgado recentemente, a tarifa de água cobrada dos consumidores de Maceió é maior entre todas as capitais e a terceira mais cara do Brasil no ranking das 100 maiores cidades do país.

Maceió é a única cidade de Alagoas que aparece no ranking. Os dados divulgados no ranking são relativos a 2016. A tarifa média era de R$ 5,83 por metro cúbico, abaixo apenas de dois municípios: Canoas (R$ 6,69) e Gravataí (R$ 6,55), ambas no Rio Grande do Sul.

Os demais municípios do estado atendidos pela Casal (são 77 cidades ao todo) pagam tarifas iguais à de Maceió, mas não aparecem no estado.

O ranking, que pode ser acessado na página do Instituto, revela ainda que a qualidade do serviço é inversamente proporcional ao preço. “Enquanto aparece em 3o no valor da tarifa, Maceió é a 74a cidade no ranking, que leva em consideração questões como tratamento de água e esgoto e a qualidade do serviço prestado ao consumidor”, aponta David Maia, que a partir de sua atuação em órgãos da prefeitura de Maceió (Meio Ambiente e Slum) se tornou num crítico do trabalho da Casal.

Num vídeo que circula nas redes sociais, David Maia questiona mais um reajuste na tarifa acima da inflação: “nos últimos anos a conta da Casal aumentou 60%, enquanto a inflação aumentou 19%”, aponta.

Evolução das tarifas

Levantamento que divulguei na semana passada na coluna Mercado Alagoas da Gazeta de Alagoas mostra que o reajuste de tarifas da Casal, aprovado no final de maio, embora seja o menor em quatro anos é exatamente o dobro do IPCA de 2017 (2,94%). De acordo com a Arsal, que autorizou o aumento de 5,88%, o reajuste levou em conta um estudo da Companhia , que apontou elevação de custos operacionais e de investimentos nos últimos 12 meses.

A lógica tem sido a mesma desde 2015, com reajustes sempre acima da inflação. Naquele ano o aumento foi de 15,27%, ante inflação de 6,4% em 2014. Em 2016, o reajuste foi de 16,5% contra uma inflação de 10,67% em 2015. Já em 2017, o aumento da tarifa foi de 9,76% e a inflação do ano anterior 6,28%. No acumulado (soma direta dos percentuais) os aumentos chegaram a 47,41% de 2015 a 2018, enquanto a inflação de 2014 a 2017 ficou em 26,29%.

Investimentos

O lado “positivo” desses reajustes ou “recomposição tarifária” como prefere traduzir o presidente da Casal, Clécio Falcão, é a recuperação das finanças da empresa nos últimos anos. Em 2014, o saldo negativo foi de R$ 53 milhões. E em 2015 – primeiro ano da atual gestão – o deficit foi reduzido para R$ 23 milhões.

“A partir de 2016, mudamos essa situação, começamos a mostrar que, de fato, a Casal é uma empresa viável e que pode dar superavit para aumentar sua capacidade de investimento em obras e serviços que melhoram a qualidade de vida dos alagoanos”, acrescentou o presidente da Companhia, Clécio Falcão.

No dia 27 de abril passado a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) publicou balanço financeiro de 2017 e apresentou um superavit de R$ 7,5 milhões. Foi o segundo ano seguido em que a estatal teve saldo positivo em suas contas. Em 2016, o superavit foi de R$ 7,5 milhões.

O superavit por dois anos seguidos, segundo Falcão, é resultado de entre outras medidas do reequilíbrio tarifário, enxugamento de contratos, melhoria sistemas para aumentar o fornecimento de água e, consequentemente, o faturamento, ações de combate a fraudes no consumo de água e negociação de débitos em atraso de municípios.

Com a recuperação financeira, a Casal recuperou sua capacidade de investimentos com recursos próprios e anunciou para este ano, junto com o governo do Estado, recursos da ordem de R$ 100 milhões para tocar projetos e obras em Maceió e várias cidades do interior.

Veja o ranking

RANKING DO SANEAMENTO BÁSICO – 100 MAIORES CIDADES (SNIS 2016)

Veja a composição tarifária da Casal (antes do reajuste): https://www.casal.al.gov.br/estrutura-tarifaria/

Veja texto da Agência Alagoas sobre o reajsute:

Arsal autoriza reajuste de 5,88% na tarifa da Casal a partir de 1º de julho