Renan encara Tasso, o “patrimonialista” e diz que não quer ser “presidente a qualquer custo”.
   3 de dezembro de 2018   │     23:47  │  2

Ainda se recuperando de uma pneumonia, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) parece ter encontrar tempo não só para a leitura, mas também para a escrita.

Em novo texto que postou nesta segunda-feira, 3, nas redes sociais ele volta a analisar o quadro nacional e a eleição para a presidência do Senado.

Como presidente do Congresso Nacional, Renan conseguiu dar ao parlamento o protagonismo necessário nos governos de Lula, Dilma e Michel Temer. Se desempenhará papel semelhante no futuro governo? O próprio Renan Calheiros já avisou que não será presidente do Senado a “qualquer custo”.

Experiente, Renan sabe que pode ter papel decisivo a partir de fevereiro, até porque um Executivo forte, um Judiciário forte podem desequilibrar o jogo de o Legislativo não souber ocupar seu espaço. Resta saber se os outros senadores vão entender a mensagem.

Pela sua conta no Twitter, Renan voltou a falar sobre os bastidores que envolvem a eleição da Mesa Diretora do Senado e da possível candidatura do “patrimonialista” Tasso Jereissati.

“No domingo, o noticiário sobre hipótese de candidatura minha à presidência do Senado convulsionou, dando guinadas de até 180 graus. Definitivamente, eu não quero ser presidente a qualquer custo. E não decidi”, diz Renan.

Ele continua: “Por que? Ora, o MDB só indicará seu nome na undécima hora (31/01). No passado tivemos eleições que sequer foi preciso indicá-lo, pois o nome se tornara consenso. Dos 12, eu sou o 1/12, e qualquer um pode ser candidato. Jamais inverteremos essa ordem natural. Se tiver de ser candidato, serei. E terei as maiores dificuldades na bancada do PT”.

Renan não demonstra ter medo de uma eventual disputa com o tucano Tasso Jereissati. “Se for contra o Tasso, deverei ganhar no PSDB, no PDT, no Podemos, no DEM. Aliás, essa hipótese dificilmente se viabilizará. Primeiro, porque as urnas deram ao MDB o direito de indicar o candidato. Segundo, porque Tasso continua patrimonialista (tudo que os brasileiros mostraram não querer mais)”, disse.

O senador lembrou ainda que “há três meses, eu estava cuidando da campanha em Alagoas e Tasso me ligou desesperadamente para que eu viesse a Brasília aprovar a manutenção do subsídio da indústria de refrigerante. Imagine: continua produzindo coca-cola e obrigando os cearenses a pagar 100% do custo da produção, inclusive da água, que nessa indústria representa 98%. E ainda querendo que o Senado continue a pagar o combustível do seu jato supersônico”.

Renan continua: “Preocupa-me apenas o equilíbrio institucional. Mais do que qualquer um eu sei – porque já vivi- que democracia nenhuma sobreviverá sob a coação de ministro do Supremo tentando afastar chefe de Poder por liminar”.

O senador lembra ainda que “Nesses anos todos, a única coisa que aprendi foi que, quando você empossa um presidente eleito- e já empossei 3 presidentes diretamente-, ali, naquela hora, quando as instituições estão reunidas, ninguém individualmente salva ninguém. Tem que ser uma ação coletiva, nunca isolada”.

O momento agora, avalia Renan, é outro: “Agora, pessoalmente dedico-me a fechar a tampa dessa legislatura, que foi varrida pelas urnas. Continuam querendo aprovar o fim da ficha limpa (que o Senado adotou até para a administração), foi o mesmo que fiz quando aprovei a lei das estatais, para impedir aparelhamento político. Continuam querendo entregar a lei geral das telecomunicações (que ministro do STF suspendeu por conta do processo legislativo criminalizado), e ainda tentam aprovar a fictícia cessão onerosa de mais de 100 bilhões de reais, que valerá apenas para 2020”.

Ele encerra a postagem revelando um diálogo com outro senador: “Hoje, por telefone, disse ao Romero Jucá (meu irmão), que ele não estava entendendo que a criminalização do processo continua. O STF não conseguiu votar o indulto do ano passado, imagine quando irá apreciar o de agora. Segue o jogo…”

COMENTÁRIOS
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  1. Pedro filho

    Boa noite, Edivaldo. Você teria informações a respeito do rateio do fundeb para os professores do estado? Se vai ter ou não.
    Aguardo notícias. Obrigado.

  2. Pedra Noventa

    Espero ainda vê tanto o coronel alagoano, como o coronel cearense ganharem par de algemas
    como pulseiras.

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