Deputados tentam estancar crise no setor leiteiro de Alagoas
   14 de maio de 2019   │     0:02  │  1

O mais importante negócio da economia alagoana, o setor sucroenergético, está começando – apenas começando – a se recuperar da pior crise de sua história.

A produção de cana-de-açúcar em Alagoas chegou a 16,3 milhões na safra 18/19, após cair para 13 milhões de toneladas na safra 17/18 – o fundo do poço do setor, literalmente.

Considerado o segundo setor mais importante do agronegócio alagoano – com mais de 25 mil empregos diretos e indiretos e a principal atividade econômica privada em 20% dos municípios alagoanos – a cadeia produtiva do leite parece que ainda não chegou ao fundo do poço. Mas está a caminho.

Entre os últimos meses de 2018 e os primeiros meses de 2019 o valor pago aos produtores pelo leite caiu mais de 30%, ficando abaixo de R$ 1, por conta de uma sazonalidade do mercado, agravada por um excesso de oferta de leite em pó no Nordeste.

A situação se agravou com o atraso nos pagamentos do programa do leite. Além disso, a maioria dos laticínios do Estado vem operando muito abaixo da sua capacidade. Alguns até fecharam.

O “fundo do poço” no setor leiteiro pode chegar nas próximas semanas. O governo de Pernambuco decidiu taxar em 6% o leite in natura que entra naquele Estado.

O problema é que o mercado pernambucano é hoje o mais importante para grande parte dos pequenos e médios produtores alagoanos. São cerca de 120 mil litros dia, o que equivale a mais de 20% de toda a produção alagoana.

Com a taxação, empresas como a Lactalis, localizada em Bom Conselho, PE, tendem a reduzir a compra do leite em Alagoas, o que agravaria a crise do setor no Estado.

Em busca de saídas, os produtores vem recorrendo ao governo do Estado e deputados estaduais e federais.

Nessa segunda-feira, 13, eles participaram de reunião com o secretário da Fazenda, George Santoro, acompanhado de três deputados estaduais  (Paulo Dantas, Yvan Beltrão e Gilvan Barros Filho)e do deputado federal Isnaldo Bulhões.

“Foi um encontro muito importante. O secretário George Santoro ficou de avaliar quais as medidas podem ser adotadas do ponto de vista técnico. Queremos uma solução que contemple tanto o produtor de Alagoas quanto o produtor de Pernambuco, além de buscar opções em outros mercados”, aponta Domício Silva, que participou do encontro representando a Federação de Agricultura e Pecuária de Alagoas.

O deputado estadual Paulo Dantas avalia que além da questão com Pernambuco outras medidas poderão ser adotadas pelo Estado: “esse setor é fundamental para dezenas de municípios alagoanos. Já conversei com o governador Renan Filho sobre o problema e vamos trabalhar juntos para encontrar saídas que dê segurança ao produtor”, aponta.

Após a reunião na Sefaz, o deputado Isnaldo Bulhões conversou com o governador alagoano sobre a situação com Pernambuco. A informação que circula entre os produtores é que Renan Filho teria ligado para o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, para avaliar medidas que permitam a comercialização do leite in natura de Alagoas, sem prejuízo do produtor pernambucano.

“Esse diálogo é muito importante. As indústrias de Pernambuco compra o leite in natura aqui, mas também vendem aqui o produto industrializado em grande quantidade. É do interesse dos dois Estados buscar uma saída que proteja a cadeia produtiva do leite como um todo, não só durante a crise, mas que possa servir para fortalecer a atividade após esse período de dificuldades”, aponta Domício Silva.

Deputados e produtores de leite discutem crise no setor durante reunião com o secretário da Fazenda, George Santoro

COMENTÁRIOS
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  1. Antonio de Padua

    Este é um problema antigo no setor, estamos sempre com este problema há décadas e agravou mais depois do fechamento da Camila em Batalha que era quem absorvia grande parte do leite in-natura produzido em Alagoas, era a única fábrica de leite em pó de Alagoas e uma das mais importantes do Nordeste além de regular os preços do leite, infelizmente a incompetência e na gestão levaram a Camila a falência, problema difícil de resolver.

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