Um gabinete de crise para a Braskem: deputados condenam “chantagem” da empresa
   15 de maio de 2019   │     9:46  │  1

Não se trata mais de lidar apenas com a ameça à vida de milhares de famílias diretamente atingidas pela mineração de sal-gema. A paralisação e o eventual fechamento da unidade de cloro e soda da Braskem em Maceió surge como nova ameça.

Uma decisão que poderá ter efeitos danosos para um dos mais importantes setores da economia alagoana, a cadeia produtiva da química e do plástico. Em jogo, o destino de mais de 80 indústrias, cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos, além da arrecadação do Estado e municípios.

A paralisação da unidade de cloro e soda da Braskem, vista com preocupação pelo governo do Estado, aqueceu as discussões no plenário da Assembleia Legislativa nessa terça-feira, 14. Durante o debate alguns deputados classificaram de “chantagem” a decisão. E como esperado, cobraram agilidade na indenização das vítimas da “tragédia do Pinheiro”. Mas não ficaram só nisso.

A deputada Jó Pereira (MDB) chamou para o governo federal a responsabilidade de garantir também a continuidade das atividades – “tão importantes para a economia alagoana” – da exploração de sal-gema “de forma sustentável e tecnologicamente avançada, evitando outros danos, mas mantendo empregos, oportunidades e riquezas para o estado, possibilitando futuro a todos os alagoanos”.

O deputado Davi Davino Filho (PP) também criticou a decisão da empresa: “Após 40 anos explorando nossos minérios com lucros enormes, a empresa destrói milhares de vidas no Pinheiro e agora a economia? Nesse momento, depois de ficar tão rica e explorar tantos?”, questionou.

Gabinete de crise

Davi Filho foi além e propôs a formação de um gabinete de crise para lidar com o problema. “Sugiro a criação de um Gabinete de Crise para acompanhar os desdobramentos do caso e continuar a fiscalização com mais rigor e mais cobranças de soluções para os moradores”, afirmou.

O deputado explica que o gabinete, a ser coordenado pelo governo do Estado, coordenaria diversas ações envolvendo representantes do poder público e da sociedade civil para conter os danos nos bairros atingidos e na economia do Estado.

“O Estado precisa agir conjuntamente com o governo federal e prefeitura de Maceió na busca de soluções que garantam a segurança e os direitos dos cidadãos e que evitem que a empresa provoque novos prejuízos para Alagoas”,aponta.

A ação coordenada nas diversas esferas do poder público, envolvendo Executivo, Legislativo, Judiciário, além de representantes da sociedade teria o poder de agilizar medidas simples como a isenção de taxas e impostos para empreendedores das regiões afetadas.

E, claro, cada órgão poderia, de forma articulada com maior eficiência e agilidade desenvolver ações da sua alçada.

COMENTÁRIOS
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  1. Amigo do ambiente

    Agore, transformam a desgraça em palanque. Não dá para entender nada do que falam. A empresa pertence aos acionistas, tem responsabilidade pelos danos e provavelmente lutará até a última instancia para preservar sua imagem e o interesse dos acionistas. Ora bolas, se quiser reduzir carga ou parar a produção, isto diz respeito aos acionistas, o que os Doutos deputados podem fazer ? Obrigar a funcionar ?
    Sem salmoura não tem eletrolise, sem eletrolise não tem soda e náo tem cloro, sem cloro não tem DCE.
    O imposto e pago pelo que e produzido e não pelo potencial de produção. O que fazer ?
    Parar com o palanque e acelerar ao máximo a avaliação de todas as minas. Quem garante que os “buracos” não irão aumentar , quem garante a estabilidade das construções ?

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