“Quem vai plantar feijão em julho?”: 90 mil famílias vão ‘perder’ inverno em AL
   16 de maio de 2019   │     14:25  │  2

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Alagoas, Givaldo Teles, já não acredita mais que as sementes que devem ser distribuídas pelo governo cheguem a tempo de aproveitar a “janela” das chuvas em Alagoas.

“Vão abrir um edital, mas não vejo futuro, por causa do prazo. Ainda vem o processo de licitação e a parte burocrática. A demora é demais”, aponta.

Teles revela que conversou com técnicos da Secretaria de Agricultura nessa quarta-feira, 15, para saber do andamento do processo: “falei com o Luciano e ele disse que a ata do Fecoep ainda não tinha chegado. A licitação só será aberta depois que a ata chega e aí vão mais uns 40 dias pelo menos”.

Na avaliação da Fetag, de 80 mil a 100 mil famílias serão prejudicadas em todo o Estado, principalmente nas regiões do agreste e sertão. “Quem vai plantar feijão em julho? As chuvas já foram embora”, questiona Givaldo.

O secretário Executivo de Políticas Agrícolas da Secretaria de Agricultura, Henrique Soares, reconhece que os prazos estão apertados, o que seria reflexo de mudanças na metodologia do Programa Estadual de Distribuição de Sementes.

Em sua mais recente reunião, realizada na sexta-feira, 10, foi aprovada proposta da Seagri. Segundo a minuta, o Programa Estadual de Distribuição de Sementes deve “garantir a aquisição e distribuição de 439,5 mil quilos de sementes selecionadas de milho, feijão pahseoulos e feijão vigna, sorgo forrageiro e arroz, destinadas a agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas. Beneficiários 90 mil famílias”. O valor aprovado foi de R$ 5,98 milhões.

Esta será a primeira vez nos últimos 20 anos em que a distribuição de sementes deverá acontecer – se confirmada – após o período de plantio em Alagoas, que normalmente vai de abril a maio, dependendo da região.

A Seagri, explica Henrique Soares, vai realizar o cadastro dos agricultores através da Emater e deve atender os produtores sob demanda (veja texto a seguir).

Embora reconheça que o prazo é apertado, ele lembra que alguns produtores podem trabalhar com irrigação, principalmente os produtores de arroz da região do baixo São Francisco. “A distribuição será feita de acordo com a demanda e o produtor será responsável pelas informações que prestar, devendo existir fiscalização tanto na fase do plantio quanto da colheita”, aponta.

O presidente da Fetag-AL também está preocupado com a mudança de metodologia. “A Emater não tem a menor estrutura nos municípios. Quero ver como vai conseguir cadastrar os produtores”, afirma.

Quanto a irrigação, Givaldo avalia que serão poucos produtores que terão condições de fazer o plantio irrigado: “no canal do sertão só tem irrigação quem tem dinheiro. Faz uns cinco anos que a gente luta para o governo dar outorga da água para os produtores e nada. Sem a outorga, ninguém consegue ir a banco para financiar os kits de irrigação”, aponta.

“Minha conclusão é que o plantio agrícola de 2019 está prejudicado. Até agora o governo não sabe nem que semente vai comprar”, pondera Teles.

Givaldo Teles, presidente da Fetag, lamenta atraso do governo na distribuição de sementes para agricultores familiares

Nova metodologia

O secretário Executivo de Políticas Públicas e de Agronegócio da Secretaria de Estado da Agricultura, Henrique Soares, explica que será realizado um cadastro individual dos produtores interessados em obter as sementes que serão doadas pelo governo.

“Com isso, vamos poder levantar realmente a demanda que vamos ter para este ano, fazendo uma compra de acordo com a real necessidade. Devemos iniciar este cadastro nos próximos dias. Está faltando apenas um ajuste no sistema por conta da Emater para que possamos abrir a inscrição”, afirmou Soares.

De acordo com ele, inicialmente, o produtor deve ir a um escritório da Emater para acessar todo o cadastro. “Após este processo, nas próximas atividades, independente de ser aquisição de sementes, ele fará tudo on line. É preciso que o produtor entenda que está saindo um pouco do calendário agrícola do Estado. Mas, a gente sabe que existem muitos deles com irrigação, a exemplo do pessoal que cultiva arroz e que pode plantar em qualquer época do ano. Eles também terão que fazer o cadastro”, reforçou.

Segundo o secretário executivo, todos os tipos de sementes, que normalmente o Estado distribui, estarão disponíveis para a compra. “Vamos ter um prazo de 40 dias para fazer o cadastro e poder efetivar a compra das sementes. Vale destacar que agora vamos ter um contato direto com o produtor. Lembrando que a Emater vai visitá-lo após o plantio e após a colheita para colher dados para o sistema de controle de resultados. Então, é importante que só vá se cadastrar quem for usar a semente para o plantio”, destacou Soares.

A liberação dos recursos para a aquisição das sementes foi autorizada apenas na sexta-feira passada, dia 10, pelos representantes do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), tendo sido liberados R$ 5,9 milhões.

COMENTÁRIOS
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  1. Eduardo Tenorio

    Parece brincadeira com a vidas dos agricultores familiares alagoanos.
    Destruíram a extensão rural. Demitiram os extensionista da antiga Emater (Carhp) sem fazer concurso para a nova Emater, vem disser que vão distribuir sementes agora. A quem interessa essa aquisição ????????

    1. Eduardo Tenorio

      Parece brincadeira com a vidas dos agricultores familiares alagoanos.
      Destruíram a extensão rural. Demitiram os extensionista da antiga Emater (Carhp) sem fazer concurso para a nova Emater, vem disser que vão distribuir sementes agora. A quem interessa essa aquisição ????????

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