Viagem à China pode render ‘mega’ investimentos para Alagoas
   12 de junho de 2019   │     22:42  │  1

Como tirar do papel grandes investimentos – na casa das centenas de milhões de dólares – num momento em que a economia nacional dá sinais de instabilidade e retração?

Para governadores de vários Estados brasileiros, especialmente do Norte e Nordeste, a resposta está do outro lado do planeta. Literalmente.

Em situação de penúria, os governos estaduais estão fazendo peregrinações à China em busca de investidores para movimentar suas economias, principalmente com o financiamento para obras de infraestrutura. Projetos industriais e na área de mineração também têm sido apresentados aos asiáticos na tentativa de alavancar os investimentos nos Estados.

Ratinho Junior (PSD), do Paraná, Rui Costa (PT), da Bahia, Waldez Góes (PSD), do Amapá e Paulo Cãmara (PSB) de Pernambuco estão entre os 12 governadores que foram ou pretendem visitar a China ainda este em missão oficial com o objetivo de captar novos intestimentos.

A missão de Alagoas é uma delas. Será liderada pelo governador Renan Filho (MDB) e contará com a participação de vários secretários de Estado – Rafael Brito (Sedetur), Fabrício Marques (Seplag) Mozart Amaral (Setrand), Maurício Quintella (Infraestrutura) e George Santoro (Sefaz), entre outros – além de representantes da Assembleia Legislativa de Alagoas, Federação das Indústrias de Alagoas e Associação Comercial de Maceió.

“Será uma viagem de prospecção e também de confirmação de intenções de negócios”, adianta Rafael Brito.

Entre os interesses que os chineses tem por aqui estão investimentos em energia fotovoltaica, em portos (inclusive Maceió) e transporte de massa (VLT).

“Será uma missão de trabalho. São 5 dias, com diversas reunião já pré-agendadas, seguidas de rodadas de negócios. Cada secretário vai conversar com interessados sobre projetos específicos, acerca de sua área de atuação”, aponta Brito.

A “Missão China Alagoas” passará por cidades como Hong Kong, Shangai, Beijing, Linyi e Nantong. “Será uma verdadeira maratona. São mais de 3 mil km dentro da China, com dezenas de reuniões de trabalho, sem tempo livre para qualquer outro compromisso. Estamos confiantes, no entanto, que o esforço valerá a pena. Nossa expectativa é trazer resultados positivos, até porque já existem grupos chineses investimento em Alagoas”, afirma o secretário.

A Missão China foi anunciada em abril de 2019 durante reunião do governador Renan Filho com a cônsul-geral da China no Nordeste, Yan Yuqing, e empresários do país asiático

Rota da China

A viagem começa no próximo dia 18 de julho, com partida de Maceió. E faz parte de um roteiro que tem levado outros governos de Estados brasileiros a buscar na China investidores capazes de alavancar investimentos ou financiamentos em grandes projetos. A Bahia, por exemplo, assinou em fevereiro contrato com um consórcio liderado pela chinesa BYD para o VLT metropolitano, que prevê investimento de R$ 1,5 bilhão.

O governador de São Paulo, João Dória (PSDB) já anunciou que vai abrir um escritório de seu Estado em São Paulo.

Essa rota, que Alagoas segue, segundo reportagem do jornal Valor, não é a única, mas pode ser uma boa saída para trazer ‘mega’ investimentos para os Estados.

Veja aqui a reportagem do Valor:

Governadores vão à China para conquistar recursos
Em situação de penúria, os governos estaduais estão fazendo peregrinações à China em busca de investidores para movimentar suas economias, principalmente com o financiamento para obras de infraestrutura. Projetos industriais e na área de mineração também têm sido apresentados aos asiáticos na tentativa de alavancar os investimentos nos Estados.

A ofensiva ocorre de forma independente das relações entre Pequim e o governo federal, que ficaram mais incertas após a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Para atenuar o estranhamento inicial, depois de suas declarações de que “a China não está comprando no Brasil, está comprando o Brasil”, Bolsonaro prepara uma visita oficial ao país em agosto.

Muitos governadores resolveram não esperar tanto tempo e colocaram a China no topo de suas prioridades. Ratinho Jr. (PSD) esteve em Xangai há duas semanas e iniciou conversas com os chineses para viabilizar a construção de um corredor ferroviário entre o Paraná e o porto chileno de Antofagasta. Rui Costa (PT), da Bahia, começa hoje uma agenda no país que tem a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul de Ilhéus como grandes pontos de interesse.

Em fevereiro, Costa assinou contrato com um consórcio liderado pela chinesa BYD para o VLT metropolitano, que prevê investimento de R$ 1,5 bilhão. A linha, na verdade um monotrilho com 22 estações e previsão de transportar 150 mil usuários por dia, será construída e operada por meio de uma parceria público-privada (PPP). O governo estadual vai aportar R$ 153 milhões por ano como contraprestação.

“É importante ter investimento externo com juros mais baixos”, diz o governador do Amapá, Waldez Góes (PSD), que relata ter sido sondado pelos chineses, especialmente para projetos de infraestrutura. “Aqui paga-se muito caro pelo financiamento via bancos públicos, como BNDES, Caixa e Banco do Brasil.”

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Alagoas, Rafael Brito, afirma que a China surge como “solução fundamental” em um momento de paralisia dos investimentos federais brasileiros. Brito diz que o ano começou movimentado, com muitas conversas avançadas com empresários brasileiros. “Mas, com o passar do tempo, a gente sentiu a coisa dar uma pausa, [os empresários brasileiros] preferiram esperar para ver o que vai acontecer com o país”, observa.

Em julho, Alagoas fará dois eventos em Pequim e Xangai. As conversas Alagoas-China têm priorizado temas como energia solar, plantas industriais, saneamento básico e recursos hídricos.

Um dos principais facilitadores da aproximação com os governadores tem sido o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Charles Tang, um chinês que iniciou sua carreira em um banco de investimentos em Wall Street e dedica-se à ponte entre os dois países desde o fim da década de 1970.
“Logicamente não se pode divorciar os Estados do país, mas muitos governos estaduais estão buscando uma agenda própria com a China”, afirma. Um exemplo é o escritório comercial de São Paulo em Xangai, que o governador João Doria (PSDB) deseja inaugurar em agosto e deverá ser chefiado pelo diplomata aposentado Marcos Caramuru, ex-embaixador do Brasil na China.

Tang comenta que geração de energia a partir de biomassa do lixo, iluminação pública, sistemas de vigilância e reconhecimento facial estão no radar dos governadores – e também de vários prefeitos. Tang menciona, no entanto, uma preocupação bastante comum dos investidores chineses: a existência de garantias financeiras para os projetos.

A CCIBC organiza uma visita do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), para Pequim no segundo semestre. O Estado pretende anunciar ainda neste mês a construção de polo metal-mecânico, um empreendimento da Vale em parceria com empresários chineses, que envolve investimento em torno de US$ 300 milhões.

Veja aqui a reportagem na íntegra: Governadores vão à China para conquistar recursos 

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