Braskem abre “rombo” na economia de Alagoas
   24 de agosto de 2019   │     0:13  │  7

Os danos decorrentes dos problemas da mineração da Braskem começam a afetar a economia alagoana, muito além dos bairros de Maceió atingidos pelo desastre.

A empresa que é apontada como responsável pelo “afundamento” do Pinheiro e por danos nos bairros do Mutange e Bebedouro, também pode provocar um baque na economia alagoana.

O “rombo” mais perceptível até agora é na produção de gás natural do Estado. A arrecadação de ICMS  e os royalties distribuídos com o Estado e municípios também vem sofrendo “abalos”.

De acordo com a ANP, a produção de gás natural de Alagoas em junho deste ano foi de 24,5 milhões de metros cúbicos, uma redução de 23,9% na comparação com igual mês de 2018.

No acumulado do primeiro semestre a produção de GN caiu 9,1% na comparação com os seis primeiros meses do ano anterior. A queda (veja tabela) começa a partir de abril, com a desativação da indústria.

A redução na produção de gás natural afeta diretamente o caixa da Algás e, indiretamente, a receita de ICMS do Estado, em números ainda não detalhados pela Secretaria da Fazenda.

“O impacto é maior do que se imaginava”, aponta um importante interlocutor do governo na área econômica.

Os municípios produtores de gás natural também já começam a “pagar a conta”. A queda no repasse dos royalties coincide com a desativação da fábrica da Braskem em Maceió, uma grande consumidora de gás natural.

Segundo a ANP em maio o município de Pilar recebeu R$ 837.221,96 de “royalties até 5%”. Em junho o valor repassado ao município caiu para R$ 655.554,83, uma variação negativa de 21,7%.

O município de São Miguel dos Campos teve a mesma variação negativa. Os repasses caíram de R$ 963.613,63 para R$ 759.090,47 em igual período.

Qual o real tamanho do “rombo” da Braskem no ICMS e na economia de Alagoas? Ninguém tem ao certo essa resposta, por enquanto.

Mas já se sabe que o desempenho da empresa pode afetar também o caixa do Estado. Que ninguém se surpreenda com possíveis movimentações políticas para que a produção seja retomada na unidade de cloro e soda de Maceió – ainda que com matéria-prima (sal-gema) importada.

Empresa confirma redução

O gerente de Relações Institucionais da Braskem em Alagoas, Milton Pradines, confirma que a empresa reduziu o consumo de GN. “A redução até agora é de cerca de 40%”, aponta, sem dar maiores detalhes.

A Braskem deve continuar operando plenamente no Estado, mesmo com a suspensão da mineração de sal-gema, matéria-prima utilizada na produção de cloro e soda. A empresa, segundo uma fonte do setor químico e plástico tem contratos de importação de soda cáustica e MVC até 2021.

Com as importações, confirmadas no último relatório trimestral da Braskem (abril a junho de 2019), a empresa deve manter a operação no Estado enquanto busca alternativas para suprir a fábrica de cloro e soda de Maceió. Essa semana a empresa informou através de comunicado que solicitou permissão para iniciar o processo de exploração de sal-gema em áreas não urbanas.

Sergipe? Pode até acontecer um dia… Por ora a Braskem não parece disposta a abrir mão do que tem em Alagoas. E não é pouca coisa não. Mas essa é outra história.

COMENTÁRIOS
7

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. Tony Santos

    Maior é o rombo que a Braskem provocou em milhares de famílias dos Bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro por ganância financeira da própria Braskem e a conivência dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização. Maceió e o Estado de Alagoas precisam aprender a conviver sem a Braskem, principalmente os políticos que recebiam gordas doações para suas campanhas políticas, em especial para o caixa dois dessas campanhas políticas. E não adianta aguardar o esquecimento por parte da população, que certamente nunca esquecerá as consequências terríveis causadas pela Braskem em suas vidas.

  2. Claudio

    A Braskem é uma industria de Base, só em Alagoas tem mais de 100 industria que depende da Braskem para funcionar por exemplo, Krona, Tigre, Dragão, Araforro, e ai quem vai garantir o emprego desses funcionarios das industrias que depende dela?

  3. Julius Robert Hoppenheimer

    – 0 Inferno de Presente –

    Ora, para que investigar o que todo mundo está careca de saber? O Brasil é um banco cheio de dinheiro, com as portas abertas. A pirataria, que manda no Macron, no Lula, no FHC, no Sarney, nas instituições, nos barnabés e no resto da caterva política, vai entrar e pegar tudo. BOLSONARO COM SEUS SOLDADOS, DEEM-LHES O INFERNO!!!”

    👉🇧🇷👉🇧🇷👉🇧🇷👉🙏
    😄😃🤣😂😁😀🤡👍

  4. André

    E daí com as receitas do estado. O importante são as famílias que foram atingidas que sofreram e continuam sofrendo. Que o governador se empenhe e trabalhe para trazer outras indústrias para o estado para suprir a Braskem.

  5. Julius Robert Hoppenheimer

    Não duvido não, que ela ainda esteja minerando na área do Mutange, principalmente à noite???
    Com a palavra às artoridades??? Ooohhh gente se liguem aí, aí mesmo no Mutange durante as noites???
    Né pusive que ces otoridades irão deixar os caras fazerem a festa dentro da nossa lindíssima Capital, desmoralizando ainda mais o pacífico povo maceioense???

    👉🇧🇷👉🇧🇷👉🇧🇷👉🇧🇷👉🙏

  6. Ze

    Edvaldo,
    Quanto a questão econômica precisa ser mantida em Alagoas a empresa produtora dos derivados da salgema,como será feito os técnicos já devem ter a resposta.No que se refere aos bairros afetados tem que haver uma solução a curto prazo aos moradores da região afetadas com o envolvimento de todos os poderes envolvidos e a empresa,ou será que as autorizações de funcionamento da empresa nunca existiram?Caso a questão fique apenas na justiça teremos realmente uma sentença de morte aos bairros condenados.

Comments are closed.