Secretário explica porque Alagoas não adotou lockdown
   22 de maio de 2020   │     0:04  │  0

Se tivesse seguido a recomendação da Sociedade Alagoana de Infectologia, o governo de Alagoas teria decretado lockdown na Grande Maceió a partir dessa quinta-feira, 21.

Embora a medida não tenha sido descartada, podendo adotada “nos próximos dias”, o secretário de Saúde de Alagoas, Alexandre Ayres, em ofício dirigido a Defensoria Pública de Alagoas explicou que o bloqueio total é considerada uma medida extrema, com forte impacto econômico nas faixas mais pobres da população.

Sem lockdown, segundo especialistas, o número de casos de Covid-19 deve continuar crescendo rapidamente em Alagoas, desde que a população não respeite as atuais medidas de isolamento social.

Segundo oBoletim Epidemiológico do dia 21 de maio, Alagoas tinha 4.916 casos confirmados,

262 óbitos, 2.822 curados e 1.803 casos de Covid-19 em investigação. Apesar de 88 municípios afetados em todo o Estado, o epicentro da pandemia é a região metropolitana de Maceió com mais de 70% dos casos do novo coronavírus.

No ofício, Ayres explica que mantém diálogo “permanente” com a SAI e explica que apesar da sobrecarga na rede de saúde, o Estado tem ampliado o número de leitos, o que em tese permitiria a manutenção das atuais medidas de isolamento social com “endurecimento” da fiscalização.

Veja o texto do ofício de Ayres para o defensor geral Ricardo Antunes Melro.

“Cumprimentando-o cordialmente, reporto-me a V. Exa para, em resposta a vossa preocupação com o cenário epidemiológico atual, especificamente a possibilidade de implantação do lockdown, emanada via OFÍCIO DPE/GAB Ne 125/2020 – datado de 15 de maio de 2020, informar-lhe que o Governo de Alagoas está monitorando diuturnamente o comportamento da curva epidemiológica, da taxa de ocupação dos leitos e do índice de isolamento social, ao tempo em que dialoga com a Sociedade Alagoana de Infectologia.

É verídico o fato de o sistema de saúde está enfrentando uma sobrecarga extremamente preocupante, uma vez que a velocidade de transmissão da doença é muito acelerada e a demanda na fase de pico cresce de forma exponencial, pressionando não só o sistema de saúde, mas todos os organismos de Estado.

Medidas para evitar aglomerações, como isolamento social e, em casos extremos, lockdown, tem sido adotadas por chefes de Estado em todo o mundo como alternativas para a contenção do crescimento da curva epidemiológica, considerando que ainda não se tem vacina nem remédio cientificamente comprovados para o enfrentamento da doença.

Contudo, a de se considerar que o lockdown é uma medida extrema, que implica diretamente a sociedade em vários aspectos, não apenas em relação à saúde. A de se considerar ainda que uma relevante parcela da sociedade alagoana vive em situação de subsistência, e os impactos gerados para essas famílias podem ser muito graves.

O Governo tem conduzido fortemente os esforços na direção de ampliar a rede assistencial, com a entrega, até o dia 22 de maio de 2020, entre leitos próprios e contratualizados, de um quantitativo de 250 leitos de UTI adulto, 11 leitos de UTI Pediátricas, 38 leitos de estabilização (com respiradores), 612 leitos clínicos (adulto) e 32 leitos clínico Pediátricos, totalizando 943 leitos.

Por outro lado, tem empregado esforços no sentido de conscientizar a população a cumprir com as determinações do isolamento social e a se proteger de acordo com as recomendações das autoridades de saúde. Estudos apontam que o isolamento social em Alagoas oscila entre 42 e 45%. Segundo estudo em andamento, da Superintendência de Vigilância em Saúde, a taxa de isolamento ideal para controle da curva seria entre 60 e 65%.

O Governo pretende enrijecer e fazer cumprir as medidas de isolamento social de forma a alcançar a meta desejada e, considerando as orientações da Sociedade Alagoana de Infectologia, e não afasta a possibilidade de decretação de lockdown nos próximos dias. Ao ensejo renovamos nossos protestos de elevada estima e consideração, ao tempo que nos mantemos à disposição para a prestação de quaisquer informações que se façam necessárias.”

Respeitosamente,

Cláudio Alexandre Ayres da Costa

Secretário de Estado da Saúde