Eleitor “foge” das urnas: abstenção foi maior que votos de Alfredo e de JHC
   16 de novembro de 2020   │     22:50  │  3

A abstenção “venceu” em Maceió no dia 15. A maior da história. Foram 148.318 eleitores ausentes, enquanto os dois candidatos que passaram para o segundo turno, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) e JHC (PSB), tiveram respectivamente 110 mil e 109 mil votos.

Maceió tem 592 mil eleitores. Contando abstenção, brancos (21 mil) e nulos (41 mil), mais de 210 mil eleitores decidiram não escolher um candidato a prefeito ou vereador na capital de Alagoas. No total, foram 381,8 mil votos válidos.

Em geral a mídia atribui à pandemia o aumento da abstenção nas eleições deste ano. Foi por isso também. Mas não só. O aplicativo E-Título do TSE deu uma “ajuda”. E boa. Ao permitir a justificativa de ausência pelo app a Justiça Eleitoral facilitou a vida do eleitor que preferiu “pegar a praia” ou curtir o domingo do que escolher os candidatos que vão administrar sua cidade pelos próximos quatro anos.

Dos 592 mil maceioenses aptos a votar, mais de 148 mil não compareceram às urnas, mais do que a votação de Alfredo Gaspar – 110.243 votos – e de JHC – 109.053 votos (Davi Filho teve 97.409).

Motivação

Nas maiores cidades de Alagoas, a abstenção oscilou entre 16% e 25%. Em geral, nos municípios com disputa mais acirrada, de resultados considerados indefinidos até as vésperas da eleição, o comparecimento foi maior.

Em Arapiraca, a abstenção foi de 19,14%. Rio largo, apesar do favoritismo de Gilberto Gonçalves teve disputa acirrada. Lá a abstenção ficou em 18,59%.

Em Palmeira dos Índios, onde o atual prefeito Júlio Cezar tinha boa vantagem nas pesquisas, 23,61% não foram votar. Em Penedo, que confirmou a eleição do favorito nas pesquisas, Ronaldo Lopes, 25,04%não foram votar.

Em União dos Palmares, o atual prefeito, Kil, também liderava com boa margem. Lá 23,23% não foram votar.

Já São Miguel dos Campos, que teve disputa acirrada entre três nomes e terminou com a vitória de George Clemente, a abstenção foi menor e ficou em 19,90%.

O município de Coruripe que também teve uma disputa acirrada – mas com uma virada anunciada na última semana em favor de Marcelo Beltrão – 21,04% não foram votar.

Já em Delmiro Gouveia, onde a prefeita eleita Ziane Costa liderava com boa margem, 23,49%não foram votar. Situação parecida com Santana do Ipanema, que reelegeu a prefeita Christiane Bulhões e teve abstenção de 21,51%.

Enquanto isso Marechal Deodoro, que teve uma disputa acirrada e o resultado decidido por 20 votos, a abstenção foi um das menores, de “apenas” 17,41%

Um exemplo que ilustra bem o esforço para levar o eleitor às urnas é o de cidades vizinhas, que são governadas pela mesma família.

Em Teotônio Vilela, onde o eleito Peu Pereira liderava com folga, a abstenção foi de 26,58%. Em Campo Alegre, que tinha situação parecida e foi eleito Nicolas Pereira, 24,92% não foram votar. Já em Junqueiro, onde a disputa era apertada e o atual prefeito Carlos Augusto perdeu para Leandro do Posto, a abstenção foi menor e ficou em 19,32%

COMENTÁRIOS
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  1. Santos

    Sem a presença dos candidatos a vereador, certamente o segundo turno terá uma abstenção maior que no primeiro turno, até porque na segunda-feira, 30, é feriado estadual e muitos viajarão, justificando o voto pelo aplicativo E-Título de onde estiver, sem a necessidade de ir à uma seção eleitoral.

  2. Lyra

    O descrédito da população com os políticos e o momento de pandemia que passa Alagoas por conta do CORONAVÍRUS, fizeram aumentar a abstenção no primeiro turno. No segundo turno será muito maior, não tem o voto em vereador, que se empenha em convencer o eleitor à ir votar. Se Alfredo Gaspar e JHC estiverem confiando nos votos de quem não votou no primeiro turno, a eleição terminará empatada.

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