Setor leiteiro de Alagoas em crise com “fim do auxílio” e importações de leite
   11 de fevereiro de 2021   │     21:19  │  0

O presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Domício Silva, participou de reunião da Câmara Setorial do Leite do Ministério da Agricultura, no último dia 5. No encontro, que contou com a participação da ministra Tereza Cristina, a principal pauta foi a crise que afeta o setor no Brasil.

O setor leiteiro enfrenta, no momento, pressões internas e externas, agravadas pela queda no consumo, que seria decorrente – principalmente – do fim do auxílio emergencial. “Para piorar ainda mais a situação interna, o Brasil passou a fazer grandes importações de leite em pó da Argentina desde o final do ano passado”, aponta Domício.

Embora Alagoas não tenha um volume de produção significativo do ponto de vista nacional, sofre com os reflexos do mercado: “a Argentina vende leite abaixo do preço para o Sul e Sudeste, que empurram produtos para o Nordeste. Com isso, os preços nas indústrias, principalmente do queijo muçarela estão em queda, afetando toda a cadeia produtiva”, pondera o presidente da ACA.

No caso de Alagoas os produtores sentiram no bolso, literalmente, o impacto da crise. Os fornecedores da Lactalis, por exemplo, tiveram os preços reduzidos em cerca de 20 centavos por litro. Até janeiro o valor oscilava de R$ 2,20 a R$ 2 e agora o valor está variando de R$ 1,80 a R$ 2,00. Na situação atual, com preço de milho e soja muito altos, o valor mais baixo não seria suficiente sequer para cobrir os custos de produção.

Tempestade

“No momento se formou uma tempestade perfeita contra o setor leiteiro. Insumos com custos altos, muito leite no mercado e baixo consumo”, aponta Domício. Nesse cenário, os produtores apresentaram um pedido para que o governo brasileiro interfira em favor do mercado local. A proposta inicial seria reduzir ou taxar as importações de leite em pó da Argentina e Uruguai.

Na reunião, a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) entregou documento (subscrito pela ACA e várias outras entidades) ao Ministério da Agricultura defendendo o fim das exportações.

“Para enfrentar esta caótica conjuntura, apresentamos à Ministra pleito indicando suspensão imediata das importações de lácteos da Argentina e do Uruguai, até que os setores produtivos do Brasil e dos países vizinhos estabeleçam tratativas de convivência mútua”, diz trecho de nota da Abraleite

“Como medida equitativa, sugerimos tributar os lácteos importados, da mesma forma que o açúcar brasileiro é tributado para entrar em países do Mercosul, especialmente na Argentina. A nossa expectativa é que a Ministra leve o pleito do setor ao Presidente da República para reverter imediatamente os danos causados pelos surtos de importações predatórias de lácteos oriundos dos países vizinhos.”, diz o texto da Abraleite.

Domício Silva ao lado da ministra Tereza Cristina na reunião da Câmara Setorial do Leite

Reunião

Integrantes da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados debateram meios para socorrer o segmento que atravessa um momento econômico e social delicado. Na reunião, que contou com a presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando – uma das 35 entidades que integram a Câmara – foi representada pelo diretor e também presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Domício Silva.

Veja aqui o texto da Abraleite:

NOTA À IMPRENSA E AO SETOR

Medida emergencial contra o surto predatório das importações de lácteos. Na reunião desta sexta-feira (05/01) da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, com a presença da Ministra Tereza Cristina e sua equipe, o setor debateu medidas para socorrer a cadeia produtiva do leite, que enfrenta um momento econômico e social muito delicado.

Em sua maioria, o colegiado composto por 35 instituições do setor, entendeu como imperativo estabelecer medida emergencial para frear o surto de importações predatórias de lácteos do

Mercosul, que desde setembro de 2020 prejudicam a cadeia produtiva.

Além disso, há outros fatores que agravam a crise do setor. A começar pelo forte aumento generalizado das cotações de insumos, em especial para o milho e o farelo de soja, que gerou

uma elevação sem precedentes no custo de produção ao longo de toda a cadeia produtiva.

Outro ponto de preocupação é a retração no mercado dos principais derivados lácteos (leite longa vida, queijo muçarela e leite em pó), que ocorre devido ao forte descompasso entre a oferta e a demanda. No caso da demanda, 2021 se inicia com um enfraquecimento devido a diminuição do poder de compra dos consumidores, especialmente após o fim do auxílio emergencial.

Pelo lado da oferta, o elevado volume das importações gera um aumento na disponibilidade de lácteos ao mesmo tempo que a demanda se retrai. A soma desses fatores impõe forte queda do preço do leite pago aos produtores.

Para enfrentar esta caótica conjuntura, apresentamos à Ministra pleito indicando suspensão imediata das importações de lácteos da Argentina e do Uruguai, até que os setores produtivos do Brasil e dos países vizinhos estabeleçam tratativas de convivência mútua.

Como medida equitativa, sugerimos tributar os lácteos importados, da mesma forma que o açúcar brasileiro é tributado para entrar em países do Mercosul, especialmente na Argentina. A nossa expectativa é que a Ministra leve o pleito do setor ao Presidente da República para reverter imediatamente os danos causados pelos surtos de importações predatórias de lácteos oriundos dos países vizinhos.