O papel ‘quase esquecido’ do mais importante programa de inclusão de Alagoas
   3 de março de 2021   │     19:02  │  0

No campo e na cidade são mais de 80 mil famílias que participam diretamente do maior programa de inclusão social e produtiva de Alagoas. De um lado, gera renda, empregos, movimenta a economia. Do outro ajuda a alimentar quem tem fome – literalmente.

Essas são as faces mais conhecidas do Programa do Leite em Alagoas. E normalmente são esses os argumentos repetidos quando existem qualquer tipo de ameaça a sua continuidade – seja por atraso de recursos federais ou estaduais.

O programa do leite, no entanto, tem uma outra face pouco lembrada, que se sobressai em momentos de crise de mercado – o de balizador de preços. Na prática, é como se fosse um garantidor de preço mínimo para o produtor rural.

Explico. Até dezembro de 2020 o preço de leite pago ao produtor em Alagoas chegou a R$ 2,20 por litro. Em função de diferentes questões, como queda no consumo e aumento das importações, esse valor caiu gradativamente deste então. Esta semana, segundo produtores, está oscilando entre R$ 1,60 e R$ 1,70. E pior, algumas fábricas suspenderam a captação da matéria-prima parcial ou totalmente.

É nessa crise que o programa do leite está mostrando seu outro lado. O preço de R$ 1,76 por litro pago ao produtor hoje foi estabelecido em meados do ano passado por iniciativa do secretário de Agricultura do Estado, João Lessa, com apoio do deputado federal Marx Beltrão (PSD), do senador Fernando Collor (PROS), governador Renan Filho (MDB) e do ex-ministro da Cidadania Onyz Lorenzoni.

Na realidade anterior (R$ 2,20) , o programa do leite era pouco atrativo. Hoje (R$ 1,60) , a história é outra.

Um exemplo é o da CPLA, que chegou a ter mais de dois mil produtores fornecendo para o programa e, no final do ano passado, eram apenas 200.

Os agricultores familiares deixaram o programa por atrasos no pagamento e, principalmente porque o mercado privado estava mais atrativo. Quem saiu, agora está voltando. Não só na CPLA, mas em todas as outras cooperativas que operam o programa, a exemplo de Coopaz, Pindorama e Vale do Paraíba.

No caso da CPLA já são mais de 700 produtores que voltaram ao programa. Em todo o Estado, informa a Seagri, mais de 90% do programa já está normalizado. Lembrando que em julho do ano passado, quando foi dada uma parada técnica para reorganizá-lo, a distribuição ficou reduzida a menos de 20% dos 50 mil litros diários de leite.

“O programa está em plena execução e nesse momento mostrando esse importante diferencial que é ajudar no equilíbrio de preços. Ao fazer isso, o programa ajuda não só o pequeno, mas também o médio e grande produtor. Direta e indiretamente toda a cadeia produtiva está sendo beneficiada”, aponta o secretário de Agricultura, João Lessa Neto.

“Além de nutrir famílias carentes, além de ajudar a gerar renda para a agricultura familiar, o programa tem ainda essa outra característica muito importante que é o equilíbrio de preços. Mais uma vez fica demonstrado que esse programa não é só importante para o pequeno, para a cooperativa, mas para toda Alagoas”, pondera Aldemar Monteiro, presidente da CPLA.

Ps.: o secretário João Lessa garante que como a implantação do novo sistema de gestão o pagamento aos produtores se tornou mais ágil, o que pode estimular ainda mais a volta de todos os agricultores familiares ao programa do leite.