Terminal de ácido sulfúrico em Maceió: um risco nada calculado
   9 de abril de 2021   │     18:31  │  0

Algumas atividades consideradas de risco deveriam ser mantidas longe de áreas urbanas, especialmente de grandes cidades – a exemplo e especialmente de Maceió.

A extração de sal-gema que parecia ser segura durante décadas, deu no que deu. O drama só não é maior porque não tivemos até o momento perdas de vidas em função do “desastre” do Pinheiro – pelo menos não diretamente.

Apesar da experiência trágica com o setor químico, a capital de Alagoas se vê as voltas agora com a implantação de um grande terminal marítimo de ácido sulfúrico, em área de 8 mil recentemente arredada no Porto de Maceió.

A informação consta de material divulgado fartamente pela imprensa alagoana no final de 2020.

Um texto divulgado nas redes sociais desta sexta-feira, na rede Repórter Maceió, chama a atenção para o perigo de se instalar um terminal de produtos químicos potencialmente perigosos em área urbana – caso do nosso porto.

Em outros portos, a exemplo de Suape, terminais como esses são implantados com um diferencial: estão distantes de áreas urbanas.

A pergunta que fica é se o Porto de Maceió calculou os riscos do novo empreendimento para a cidade e sua principal atividade econômica – o turismo.

Dá para imaginar o terminal de passageiros (que um dia será construído no local) ao lado de um terminal de ácido sulfúrico?

Pode não combinar muito para turistas dos navios de cruzeiro desembarcar em meio a terminais de ácido sulfúrico. Ou combina?

Sem licença

Em nota, o IMA explica: “Para que o Instituto do Meio Ambiente se posicione a respeito da fiscalização é preciso que haja um processo de licenciamento. Segundo informações da Gerência de Licenciamento, o mesmo ainda não foi aberto junto ao órgão. O Porto possui licença ambiental, mas cada empresa proprietária de cada galpão precisa licenciar sua atividade específica.”

Já a Prefeitura de Maceió por meio da SEDET (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente) informou que uma equipe técnica de fiscalização será enviada ao Porto de Maceió para solicitar esclarecimentos a respeito da instalação da atividade na área.

O terminal

A área em questão foi arrendada por uma empresa de fertilizantes. A Timac Agro Indústria e Comércio de Fertilizantes foi a vencedora do leilão do terminal MAC 10 do Porto de Maceió, realizado no dia 18 de dezembro de32020 na B3, a bolsa de valores do Brasil, em São Paulo.

A multinacional possui uma planta industrial de fertilizantes sólidos na cidade de Santa Luzia do Norte. O terminal arrendado pela empresa é destinado à movimentação, armazenagem e distribuição de granéis líquidos, “especialmente ácido sulfúrico”, que serve de matéria prima para a fabricação de fertilizantes.

De acordo com as informações do projeto de arrendamento, o terminal conta com uma área com 7.932 m². O contrato com o vencedor do leilão tem prazo previsto de 25 anos, com possibilidade de prorrogação, a critério do Poder Concedente, no limite de 70 anos.

Nesse período, a previsão é que o futuro arrendatário realize investimentos na ordem de R$ 12.784 milhões em instalações e equipamentos necessários para operação, que incluem, no mínimo, tanques de armazenagem, dutos, sistemas de expedição rodoviária e praça de bombas para propiciar a implantação da capacidade estática projetada.

Porto de Maceió – Foto: reprodução