Com 20 mil cirurgias, médico é candidato para defender legado do “coração”
   30 de julho de 2021   │     18:23  │  1

Um dos profissionais de saúde mais admirados e respeitados do Brasil, uma carreira de sucesso na cardiologia de mais de 40 anos e mais, muito mais, de 20 mil cirurgias realizadas – incluindo o pioneirismo nos transplantes de coração no Nordeste.

Esse é um dos muitos perfis que podem ser usado para traduzir o médico José Wanderley Neto.

Com uma longa trajetória na medicina e um pé na política, Zé Wanderley, como é chamado pela legião de amigos, quase foi prefeito de Maceió e foi vice-governador de Alagoas no governo de Téo Vilela.

Aos 72 anos, natural de Cacimbinhas, no sertão de Alagoas, o médico continua trabalhando todos os dias, com disposição praticamente igual ao do começo da carreira. E tudo para manter o legado de uma vida inteira dedicada a cardiologia.

Zé Wanderley, mesmo com todo o sucesso sofreu um revés ao ver o Instituto de Doenças do Coração ser “despejado” pela Santa Casa de Maceió em 2018.

O “desmonte” do Instituto, que atendia principalmente pelo SUS, levou Zé a buscar novas alternativas para manter a cardiologia de Alagoas entre as melhores do país.

Na no instituto da Santa Casa, Zé ajudou a formar mais de 150 cardiologistas. E é com alguns deles que trabalha para ver construído o Hospital do Coração do Estado (obra já iniciada ao lado do Hospital Metropolitano, em Maceió), um equipamento público que deve se tornar referência. E atendendo pelo SUS prioritariamente, como sempre fez o médico.

Zé Wanderley poderia ter apostado, como outros colegas, na medicina privada. Mas segue cuidando do que lhe toca mais o coração: fazer cardiologia para quem precisa, pobre ou rico.

E é a defesa desse legado, confessa, que pode levá-lo a mais uma disputa política. Nos bastidores, o nome de Zé Wanderley aparece entre os prováveis candidatos a deputado estadual para 2022. Ele admite sim ir para a disputa. E avisa que seu projeto é defender e garantir a continuidade do trabalho da sua vida.

“Penso em ser candidato para assegurar o funcionamento do Hospital do Coração e principalmente da cardiologia e da medicina pública, acessível para todos”, aponta.

Em outras palavras, Zé quer ser deputado para defender que o trabalho realizado ao longo de quase 5 décadas seja preservado e tenha continuidade.

A candidatura de Zé Wanderley será, efetivamente definida, no próximo ano. Pelo sim, pelo não conta, desde já, com o trabalho e articulação do filho Hugo Wanderley (prefeito de Cacimbinhas e presidente da AMA) e de alguns amigos.

Agora é esperar e ver se o “doutor do coração” vai conseguir conquistar os corações dos alagoanos.

Zé Wanderley segue trabalhando todos os dias como cardiologista

Trajetória*

A história da cardiologia na Santa Casa de Maceió e em Alagoas se confunde com a própria história de José Wanderley Neto e seu grupo de colegas cardiologistas, que desembarcaram em Maceió em 1978. Ao ingressar na Santa Casa de Maceió, o grupo iniciou uma verdadeira revolução ao realizar, nas últimas quatro décadas, procedimentos como pontes de safena, implantes de “stents” e transplantes cardíacos. Tanto que, no período, nada menos que 20 mil pacientes entregaram suas vidas nas mãos do renomado cardiologista.

Numa época em que o eixo Rio-São Paulo detinha os melhores hospitais e profissionais, recebia vultosos recursos financeiros e centralizava uma série de pesquisas de ponta na área cardiovascular, Alagoas ousou criar um pólo de excelência em transplantes num Nordeste que estava à margem dessa realidade.

Com essa iniciativa, a Santa Casa de Maceió passou a receber recursos do Ministério da Saúde, que oxigenaram a instituição como um todo e que deram início a diversos investimentos em outras áreas do complexo hospitalar. A partir de então, Alagoas passou a irradiar conhecimento e avançadas técnicas em cirurgia cardiovascular para os demais estados do Nordeste.

Wanderley Neto lembra ainda o importante papel social da Santa Casa de Maceió nesse contexto, uma vez que 85% dos atendimentos da cardiologia no período foram de pacientes do Sistema Único de Saúde.

*Trecho de texto da página da Santa Casa de Maceió. Leia aqui na íntegra: Médicos elegem Santa Casa e José Wanderley entre hospitais e médicos “mais admirados do Brasil”

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COMENTÁRIOS
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  1. Fábio

    Bom dia caro Jornalista, mas esse número de 20 mil cirurgias não bate de forma alguma. Se ele tem 50 anos operando e se ele fizesse todos os dias da vida dele nesses 50 anos (incluindo sábados, domingos, feriados) 1 cirurgia por dia, ainda assim o número total seria de 18.250 pessoas operadas.

    Acredito que credibilidade não se conquista com informações que não se comprovam, ou que são impossíveis.

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